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sábado, 8 de março de 2014

Quaresma: Um tempo com características próprias.

O tempo da Quaresma que iniciaremos amanhã, é o tempo que precede e dispõe à celebração da Páscoa. Tempo de escuta da Palavra de Deus e de conversão, de preparação e de memória do Batismo, de reconciliação com Deus e com os irmãos, de recurso mais freqüente às “armas da penitência cristã”: a oração, o jejum e a esmola (ver MT 6,1-6.16-18).

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel que partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.
A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.
A Quaresma é um dos quatro tempos fortes do ano litúrgico e isso deve ver-se refletido com intensidade em cada um dos detalhes de sua celebração. Quanto mais forem acentuadas suas particularidades, mais frutuosamente poderemos viver toda sua riqueza espiritual.
.: Sentido da Quaresma :.

O primeiro que devemos dizer ao respeito é que a finalidade da Quaresma é ser um tempo de preparação à Páscoa. Por isso se está acostumado a definir à Quaresma, “como caminho para a Páscoa”. A Quaresma não é portanto um tempo fechado em si mesmo, ou um tempo “forte” ou importante em si mesmo. É mas bem um tempo de preparação, e um tempo “forte”, assim que prepara para um tempo “mais forte” ainda, que é a Páscoa. 
O tempo de Quaresma como preparação à Páscoa se apóia em dois pilares: por uma parte, a contemplação da Páscoa de Jesus; e por outra parte, a participação pessoal na Páscoa do Senhor através da penitência e da celebração ou preparação dos sacramentos pascais –batismo, confirmação, reconciliação, eucaristia –, com os que incorporamos nossa vida à Páscoa do Senhor Jesus.
Nos incorporar ao “mistério pascal” de Cristo supõe participar do mistério de sua morte e ressurreição. Não esqueçamos que o Batismo nos configura com a morte e ressurreição do Senhor. A Quaresma procura que essa dinâmica batismal (morte para a vida) seja vivida mais profundamente. trata-se então de morrer a nosso pecado para ressuscitar com Cristo à verdadeira vida: “Eu lhes asseguro que se o grão de trigo…morre dará fruto” (Jo 20,24).

Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 5 de março de 2014

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O canto ou recitação das Kalendas natalina



A Santa Missa da Noite de Natal pode ser precedida por um breve canto denominado Kalendas. Um texto de beleza litúrgica admirável que contém o anúncio do Natal do Senhor sob o aspecto cronológico, no qual são elencados os principais momentos históricos da Salvação. O Kalendas pode ser considerado então uma espécie de “Proclamação do Natal”, e apesar de apresentar algumas similaridades com o Exultet Pascal, não tem seu uso obrigatório na Liturgia como a Proclamação da Páscoa na Celebração da Vigília Pascal. A Kalendas constitui-se, portanto, um canto natalino de tradição litúrgica antiqüíssima, perfeita opção para se colocar em prática atualmente em nossas celebrações natalinas. 

Anteriormente, nas celebrações presididas pelo Papa João Paulo II, o Kalendas era cantado no início da Missa, logo após a saudação inicial, omitindo o ato penitencial. Atualmente, nas Missas de Natal celebradas por Bento XVI, a Kalendas está sendo entoado momentos antes da Celebração, o que também é oportuno, como ressalta Mons. Guido Marini, Mestres das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: “o martirológio romano prevê o canto da Kalenda no dia da vigília de Natal ao término das Laudes ou de uma hora menor da Liturgia das Horas”. 

É recomendável que se a Kalendas for cantada ou recitada antes da Santa Missa, todo o espaço celebrativo já esteja preparado para a Celebração (até mesmo as velas do altar já devem estar acesas). A Kalendas natalina pode ser entoada com a Igreja a “meia luz”, proporcionando um ambiente oportuno para a apreciação deste belo texto litúrgico, sendo que após ser cantado ou recitado, as luzes da igreja se acendem aos poucos acompanhadas de um canto ou somente ao som do órgão. 


Abaixo, o texto, em português e em latim:

Em português: 

Vinte e Cinco de Dezembro. décima-nona lua.

Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo, quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem; 

E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz; 

Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus; 

Treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés; 

Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel; 

Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel; 

Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada; 

No ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação da cidade de Roma; 

No quadragésimo segundo ano do Império de César Otaviano Augusto; 

Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, (aqui eleva-se o tom da voz, e todos se ajoelham até as seguintes palavras: feito homem) nasce em Belém da Judéia da Virgem Maria, feito homem: 

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana. 

R: Graças a Deus.


Em latim:

Octavo Kalendas Ianuarii. Luna undevicesima.

Innumeris transactis saeculis a creatione mundi, 

Quando in principio Deus creavit caelum et terram et hominem formavit ad imaginem suam; 

Per multis etiam saeculis, ex quo post diluvium Altissimus in nubibus arcum posuerat, signum foederis et pacis; 

A migratione Abrahae, patris nostri in fide, de Ur Chaldaeorum saeculo vigesimo primo; 

Ab egressu populi Israel de Ægypto, Moyse duce, saeculo decimo tertio; 

Ab unctione David in regem, anno circiter milesimo; 

Hebdomada sexagesima quinta, juxta Danielis prophetiam; 

Olympiade centesima nonagesima quarta; 

Ab Urbe condita anno septingentesimo quinquagesimo secundo; 

Anno imperii Caesaris Octaviani Augusti quadragesimo secundo; 

Toto Orbe in pace composito, Iesus Christus, aeternus Deus aeternique Patris Filius, mundum volens adventu suo piissimo consecrare, de Spiritu Sancto conceptus, novemque post conceptionem decursis mensibus (hic vox elevatur, et omnes genua flectunt), in Bethlehem Iudae nascitur ex Maria Virgine factus homo: 

Nativitas Domini Nostri Iesu Christi secundum carnem. 

R: Deo Gratias.

Kalendas no Vaticano

Partitura e Letra em Português


Áudio das Kalendas em Português

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

04 de outubro - Festa Litúrgica de São Francisco de Assis

"Francisco, homem católico e todo apostólico, foi enviado para preparar o Evangelho da paz!" 

(São Francisco de Assis e cenas de sua vida)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória,
a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos iluminas.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,
e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo,  robusto e forte.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles
que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, ó meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles
que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.

(Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas, composto no inverno de 1224-1225, Francisco acrescentou-lhe as últimas duas estrofes já perto da sua morte, convidando todas as criaturas a louvarem o Senhor.)

 (São Francisco entregando a Regra da Ordem Franciscana)

«Francisco de Assis representa um alter Christus; era verdadeiramente um ícone vivo de Cristo. Ele também foi chamado de “irmão de Jesus”. De fato, este era o seu ideal: ser como Jesus, contemplar o Cristo do Evangelho, amá-lo intensamente, imitar suas virtudes. Em particular, ele quis dar um valor fundamental à pobreza interior e exterior, ensinando-a também aos seus filhos espirituais. A primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha – “Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3)  encontrou uma luminosa realização na vida e nas palavras de São Francisco. Verdadeiramente, os santos são os melhores intérpretes da Bíblia; estes, encarnando em sua vida a Palavra de Deus, tornam-na mais atraente que nunca, de forma que ela fala realmente conosco. O testemunho de Francisco, que amou a pobreza para seguir Cristo com dedicação e liberdade totais, continua sendo, também para nós, um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na confiança em Deus, unindo também um estilo de vida sóbrio e um desapego dos bens materiais.

Em Francisco, o amor a Cristo se expressou de maneira especial na adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Nas Fontes Franciscanas, lemos expressões comoventes, como esta: “Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão” (Francisco de Assis, Escritos). »

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Festa Litúrgica dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael

Celebramos a festa dos três Arcanjos que a sagrada Escritura menciona pelo seu nome próprio: Miguel, Gabriel e Rafael. Mas, o que é um anjo? A sagrada Escritura e a tradição da Igreja fazem-nos descobrir dois aspectos. 

Por um lado, o Anjo é uma criatura que está diante de Deus, orientada, com todo o seu ser para Deus. Os três nomes dos Arcanjos terminam com a palavra "El", que significa "Deus". Deus está inscrito nos seus nomes, na sua natureza. A sua verdadeira natureza é a existência em vista d'Ele e para Ele.Explica-se precisamente assim também o segundo aspecto que caracteriza os Anjos: eles são mensageiros de Deus. Trazem Deus aos homens, abrem o céu e assim abrem a terra. Exactamente porque estão junto de Deus, podem estar também muito próximos do homem. De facto, Deus é mais íntimo a cada um de nós de quanto o somos nós próprios

Como um anjo para os outros
Os Anjos falam ao homem do que constitui o seu verdadeiro ser, do que na sua vida com muita frequência está velado e sepultado. Eles chamam-no a reentrar em si mesmo, tocando-o da parte de Deus. Neste sentido também nós, seres humanos, deveríamos tornar-nos sempre de novo anjos uns para os outros anjos que nos afastam dos caminhos errados e nos orientam sempre de novo para Deus.
Se a Igreja antiga chama os Bispos "anjos" da sua Igreja, pretende dizer precisamente o seguinte: "os próprios Bispos devem ser homens de Deus, devem viver orientados para Deus. "Multum orat pro populo" "Reza muito pelo povo", diz o Breviário da Igreja a propósito dos santos Bispos. O Bispo deve ser um orante, alguém que intercede pelos homens junto de Deus. Quanto mais o fizer, tanto mais compreende também as pessoas que lhe estão confiadas e pode tornar-se para elas um anjo um mensageiro de Deus, que as ajuda a encontrar a sua verdadeira natureza, a si mesmas, e a viver a ideia que Deus tem delas. 


São Miguel: dar lugar a Deus no mundo 
São Miguel Arcanjo, pormenor de pintura na Galleria degli Uffizi (Florência)
São Miguel Arcanjo, pormenor de pintura na Galleria degli Uffizi (Florência)
Tudo isto se torna ainda mais claro se olharmos agora para as figuras dos três Arcanjos cuja festa a Igreja celebra hoje. Antes de tudo está Miguel. Encontramo-lo na Sagrada Escritura sobretudo no Livro de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas Tadeu e no Apocalipse. Deste Arcanjo tornam-se evidentes nestes textos duas funções. Ele defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba do dragão, da "serpente antiga", como diz João. É a perene tentativa da serpente de fazer crer aos homens que Deus deve desaparecer, para que eles se possam tornar grandes; que Deus é um obstáculo para a nossa liberdade e que por isso devemos desfazer-nos dele.

Mas o dragão não acusa só Deus. O Apocalipse chama-o também "o acusador dos nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite diante de Deus" (12, 10). Quem põe Deus de lado, não enobrece o homem, mas priva-o da sua dignidade. Então o homem torna-se um produto defeituoso da evolução. Quem acusa Deus, acusa também o homem. A fé em Deus defende o homem em todas as suas debilidades e insuficiências: o esplendor de Deus resplandece sobre cada indivíduo.

É tarefa do Bispo, como homem de Deus, fazer espaço para Deus no mundo contra as negações e defender assim a grandeza do homem. E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a não ser que o próprio Deus se fez homem? A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protector do Povo de Deus (cf. Dn10, 21; 12, 1). Queridos amigos, sede verdadeiramente "anjos da guarda" das Igrejas que vos serão confiadas! Ajudai o povo de Deus, que deveis preceder na sua peregrinação, a encontrar a alegria na fé e a aprender o discernimento dos espíritos: a acolher o bem e a recusar o mal, a permanecer e tornar-se sempre mais, em virtude da esperança da fé, pessoas que amam em comunhão com Deus-Amor. 

São Gabriel: Deus que chama
São Gabriel
São Gabriel
Encontramos o Arcanjo Gabriel sobretudo na preciosa narração do anúncio a Maria da encarnação de Deus, como nos refere São Lucas (1, 26-38). Gabriel é o mensageiro da encarnação de Deus. Ele bate à porta de Maria e, através dela, o próprio Deus pede a Maria o seu "sim" para a proposta de se tornar a Mãe do Redentor: dar a sua carne humana ao Verbo eterno de Deus, ao Filho de Deus.

Repetidas vezes o Senhor bate às portas do coração humano. No Apocalipse diz ao "anjo" da Igreja de Laodiceia e, através dele, aos homens de todos os tempos: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele" (3, 20). O Senhor está à porta à porta do mundo e à porta de cada um dos corações. Ele bate para que o deixemos entrar: a encarnação de Deus, o seu fazer-se carne deve continuar até ao fim dos tempos.

Todos devem estar reunidos em Cristo num só corpo: dizem-nos isto os grandes hinos sobre Cristo na Carta aos Efésios e na Carta aos Colossenses. Cristo bate.
Também hoje Ele tem necessidade de pessoas que, por assim dizer, lhe põem à disposição a própria carne, que lhe doam a matéria do mundo e da sua vida, servindo assim para a unificação entre Deus e o mundo, para a reconciliação do universo.

Queridos amigos, compete-vos bater à porta dos corações dos homens, em nome de Cristo. Entrando vós mesmos em união com Cristo, podereis também assumir a função de Gabriel: levar a chamada de Cristo aos homens. 

São Rafael: recobrar a vista
São Rafael e Tobias
São Rafael e Tobias
São Rafael é-nos apresentado sobretudo no Livro de Tobias como o Anjo ao qual é confiada a tarefa de curar. Quando Jesus envia os seus discípulos em missão, com a tarefa do anúncio do Evangelho está sempre ligada a de curar. O bom Samaritano, acolhendo e curando a pessoa ferida que jaz à beira da estrada, torna-se silenciosamente uma testemunha do amor de Deus. Este homem ferido, com necessidade de curas, somos todos nós. Anunciar o Evangelho, já em si é curar, porque o homem precisa sobretudo da verdade e do amor.

Do Arcanjo Rafael são referidas no Livro de Tobias duas tarefas emblemáticas de cura. Ele cura a comunhão importunada entre homem e mulher. Cura o seu amor. Afasta os demónios que, sempre de novo, rasgam e destroem o seu amor. Purifica a atmosfera entre os dois e confere-lhes a capacidade de se receberem reciprocamente para sempre. Na narração de Tobias esta cura é referida com imagens legendárias.

No Novo Testamento, a ordem do matrimónio, estabelecido na criação e ameaçado de muitas formas pelo pecado, é curado pelo facto de que Cristo o acolhe no seu amor redentor. Ele faz do matrimónio um sacramento: o seu amor, que por nós subiu à cruz, é a força restauradora que, em todas as confusões, dá a capacidade da reconciliação, purifica a atmosfera e cura as feridas. Ao sacerdote é confiada a tarefa de guiar os homens sempre de novo ao encontro da força reconciliadora do amor de Cristo. Deve ser o "anjo" curador que os ajuda a ancorar o seu amor no sacramento e a vivê-lo com empenho sempre renovado a partir dele.

Em segundo lugar, o Livro de Tobias fala da cura dos olhos cegos. Todos sabemos quanto estamos hoje ameaçados pela cegueira para Deus. Como é grande o perigo de que, perante tudo o que sabemos sobre as coisas materiais e que somos capazes de fazer com elas, nos tornamos cegos para a luz de Deus.

Curar esta cegueira mediante a mensagem da fé e o testemunho do amor, é o serviço de Rafael confiado dia após dia ao sacerdote e de modo especial ao Bispo. Assim, somos espontaneamente levados a pensar também no sacramento da Reconciliação, no sacramento da Penitência que, no sentido mais profundo da palavra, é um sacramento de cura. A verdadeira ferida da alma, de facto, o motivo de todas as outras nossas feridas, é o pecado. E só se existe um perdão em virtude do poder de Deus, em virtude do poder do amor de Cristo, podemos ser curados, podemos ser remidos.
"Permanecei no meu amor", diz-nos hoje o Senhor no Evangelho (Jo 15, 9). No momento da Ordenação episcopal Ele di-lo de modo particular a vós, queridos amigos. Permanecei no seu amor! Permanecei naquela amizade com Ele cheia de amor que Ele neste momento vos doa de novo! Então a vossa vida dará fruto um fruto que permanece (Jo 15, 16). 

Benedicto XVI, fragmentos de uma homilía pronunciada no 29 de setembro de 2007.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

In Nativitate Beátae Maríae semper Vírginis


Salve, sancta Parens,eníxa puérpera Regem:
qui coelum terrámque regit in sǽcula sæculórum.


Hoje a sagrada liturgia comemora o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta "casa", que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo. 
Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus. 
De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.
Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade. 

Nossa Senhora, rogai por nós!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Corpus Christi - A Festa da Eucaristia

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas.
Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia.
Aconteceu, porém, que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.
São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais". Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em toda o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.
A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.


Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas e também o culto a Jesus Sacramentado foi incrementado no mundo todo através das adorações solenes, das visitas mais assíduas às Igrejas e da multiplicação das bênçãos com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos cada vez mais admiráveis.
Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
O culto eucarístico não começou no século XIII, pois começou desde o Cenáculo, quando Jesus instituiu a sagrada Eucaristia. Mas faltava, porém, uma festa especial para agradecer ao "Prisioneiro dos Sacrários" esta presença inefável que o faz contemporâneo de todas as gerações cristãs.
Era necessário, realmente, uma data distinta para que se manifestasse um culto especial ao Corpo e Sangue de Cristo, atraindo d’Ele novas graças e bênçãos para os que caminham neste mundo.

Fonte: Prof. Felipe Aquino (Canção Nova)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Da Paschalis Sollemnitatis: Para bem celebrar o Tempo Pascal


O Tempo Pascal

100. A celebração da Páscoa continua durante o tempo pascal. Os cinqüenta dias que vão do domingo da Ressurreição ao domingo de Pentecostes são celebrados com alegria como um só dia festivo, antes como “o grande domingo”.[105]
101. Os domingos deste tempo devem ser considerados como “domingos de Páscoa” e têm precedência sobre qualquer festa do Senhor e qualquer solenidade. As solenidades que coincidem com estes domingos são celebradas no sábado anterior.[106] As festas em honra da bem-aventurada Virgem Maria ou dos santos, que ocorrem durante a semana, não podem ser transferidas para estes domingos.[107]
102. Para os adultos que receberam a iniciação cristã na vigília pascal, todo este tempo é reservado à mistagogia. Portanto, onde houver neófitos, observe-se tudo o que é indicado noRito da Iniciação cristã dos adultos, n. 37-40 e 235-239. Faça-se sempre, na oitava da Páscoa, a oração de intercessão pelos neo-batizados, inserida na oração eucarística.
103. Durante todo o tempo pascal, nas missas dominicais, os neófitos tenham reservado um lugar especial entre os fiéis. Procurem eles participar nas missas juntamente com os seus padrinhos. Na homília e, segundo a oportunidade, na oração universal, faça-se menção deles.
No encerramento do tempo da mistagogia, nas proximidades do domingo de Pentecostes, faça-se alguma celebração segundo os costumes da própria região.[108] Além disso, é muito oportuno que as crianças recebam a sua Primeira Comunhão nestes domingos pascais.
104. Durante o tempo pascal os pastores instruam os fiéis, que já fizeram a Primeira Comunhão, sobre o significado do preceito da Igreja de receber neste tempo a Eucaristia.[109]Recomenda-se, sobretudo na oitava da Páscoa, que a sagrada Comunhão seja levada aos doentes.
105. Onde houver o costume de benzer as casas por ocasião das festas pascais, tal bênção seja feita pelo pároco ou por outros sacerdotes ou diáconos por ele delegados. É esta uma ocasião preciosa para exercitar o múnus pastoral.[110] O pároco faça a visita pastoral a cada família, tenha um colóquio com os seus membros e ore brevemente com eles, usando os textos contidos no Ritual das Bênçãos.[111] Nas grandes cidades veja-se a possibilidade de reunir mais famílias, para juntas celebrarem o rito da bênção.
106. Segundo a diversidade dos lugares e dos povos, existem muitos costumes populares vinculados com as celebrações do tempo pascal, que às vezes suscitam. maior participação popular que as mesmas celebrações litúrgicas; tais costumes não devem ser desprezados, e podem muitas vezes manifestar a mentalidade religiosa dos fiéis. Por isso, as conferências episcopais e os ordinários do lugar cuidem de que estes costumes, que podem favorecer a piedade, possam ser ordenados do melhor modo possível com a liturgia, estejam impregnados do seu espírito e a ela conduzam o povo de Deus.[112]
107. O domingo de Pentecostes conclui este sagrado período de cinqüenta dias, quando se comemora o dom do Espírito Santo derramado sobre os apóstolos, os primórdios da Igreja e o início da sua missão a todos os povos, raças e nações.[113] Recomenda-se a celebração prolongada da missa da vigília, que não tem um caráter batismal como a vigília da Páscoa, mas de oração intensa segundo o exemplo dos apóstolos e discípulos, que perseveravam unânimes em oração juntamente com Maria, a Mãe de Jesus, esperando a vinda do Espírito Santo.[114]
108. “É próprio da festividade pascal que toda a Igreja se alegre pelo perdão dos pecados, concedido não só àqueles que renascem no santo Batismo, mas também aos que há tempo foram admitidos no número dos filhos adotivos”.[115] Mediante uma atividade pastoral mais intensa e maior empenho espiritual da parte de cada um, com a graça do Senhor, será possível a todos os que tenham participado nas festas pascais testemunhar na vida o mistério da Páscoa celebrado na fé.[116]
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Notas:
[105] “Normas gerais para o ordenamento do ano litúrgico e do calendário”, n. 22.
[106] Cf. ibid., n. 5, 23.
[107] Cf. ibid., n. 58.
[108] Cf. Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 235-237; cf. ibid., n. 238. 239.
[109] Cf. Código de Direito Canônico, cân. 920.
[110] S. Congr. dos Ritos, Decr. Maxima redemptionis nostrae mysteria. 16111955, n. 24, AAS 47 (1955) 847.
[111] De Benedictionibus, cap. I, II, Ordo benedictionis annuae familiarum in propriis domibus.
[112] Cf. Conc. VAT. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 13; cf. Congr. para o Culto Divino,Orientações e propostas para a celebração do Ano Mariano, 3.4.1987, n. 3, 51-56. 61
[113] 113. Cf. “Normas gerais para o ordenamento do ano litúrgico e do calendário”, n. 23.
[114] As primeiras vésperas da solenidade podem unir-se com a missa, segundo o modo previsto nos Princípios e Normas para a Liturgia das Horas, n. 96. Para conhecer mais profundamente o mistério deste dia, podem ser lidas mais leituras da Sagrada Escritura, dentre as propostas pelo Lecionário, como facultativas para esta missa. Neste caso, o leitor lê no ambão a primeira leitura; depois o salmista ou cantor diz o salmo, com a resposta do povo. Em seguida todos se levantam e o sacerdote diz Oremos. Depois de um breve espaço de tempo em silêncio, diz a oração adaptada à leitura (p. ex. uma das orações marcadas para os dias feriais depois do VII Domingo da Páscoa
[115] S. Leão Magno, VI Sermão da Quaresma, 1-2, PL 54, 285.
[116] Cf. Missal Romano, Sábado depois do VII Domingo da Páscoa, oração.

Fonte: Presbíteros

terça-feira, 5 de abril de 2011

Programação oficial da Semana Santa 2011 - Arquidiocese de Belém



17/04 - DOMINGO DE RAMOS - 08h30min
"Bendito o que vem em nome do Senhor"
- BÊNÇÃO DOS RAMOS
Local: Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Após a benção dos Ramos, procissão até a Catedral Metropolitana)
- SANTA MISSA DA PAIXÃO DO SENHOR
Local: Catedral Metropolitana
10h - Batismo
19h - Santa Missa da Paixão do Senhor


18/04 - SEGUNDA-FEIRA SANTA
"Deixai-a, ela fez isto em vista do dia de minha sepultura"
Local: Catedral Metropolitana
16h às 19h - Confissões
19h - Santa Missa

19/04 - TERÇA-FEIRA SANTA
"Um de vós me entregará..."

Local: Catedral Metropolitana
16h às 19h - Confissões
18h - Santa Missa

20/04 - QUARTA-FEIRA SANTA
"O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que o trair."

Local: Catedral Metropolitana
18h - Santa Missa
19h - Procissão da Fuga do Senhor (Traslado do Senhor dos Passos até a Basílica-Santatuário de Nossa Senhora de Nazaré)

21/04 - QUINTA-FEIRA SANTA
"Jesus Cristo fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai."

- PONTIFICAL DE BENÇÃO DOS SANTOS ÓLEOS - MISSA DO CRISMA - 09h
Local: Catedral Metropolitana
- Renovação das Promessas Sacerdotais

"Eu vos dou este novo mandamento"
- SANTA MISSA DA CEIA DO SENHOR - 18h
Local: Catedral Metropolitana
- Lava Pés / Instituição do Sacerdócio e da Eucaristia

22/04 - SEXTA-FEIRA SANTA
"Jesus Cristo se tornou obediente até a morte numa cruz"

- PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS E NOSSA SENHORA DAS DORES
07h - Saindo da Basílica-Santuário de Nossa Senhora de Nazaré com a imagem do Senhor dos Passos.
08h - Saindo da Igreja de São Joãozinho (Cidade Velha) com a imagem de Nossa Senhora das Dores.
 
- SERMÃO DO ENCONTRO (Encontro das procições na Igreja Nossa Senhora das Mercês e depois retornam juntas para a Catedral Metropolitana)
Pregador: Sua Exelência Reverendissima Dom Alberto Taveira Corrêa
Local: Igreja de Nossa Senhora das Mercês

- SERMÃO DAS SETE PALAVRAS - 12h
Pregrador: Reverendo Padre Cláudio Barradas
Local: Capela do Colégio Santo Antônio (Pça. Dom Macedo Costa)

- AÇÃO LITÚRGICA DA PAIXÃO DO SENHOR - 16h
Leitura da Paixão / Oração Universal / Adoração da Cruz / Sagrada Comunhão


- PROCISSÃO DO SENHOR MORTO - 18h

23/04 - SÁBADO SANTO

"Ele ressuscitou e vai à vossa frente para a Galileia"
- VIGÍLIA DE PÁSCOA - 21h
Local: Catedral Metropolitana


24/04 - DOMINGO DE PÁSCOA
"Aleluia, Cristo ressuscitou!"
07h - Santa Missa
09h - Santa Missa Solene
10h - Batismo Solene
19h - Santa Missa Solene

Fonte: Catedral Metropolitana de Belém

terça-feira, 8 de março de 2011

Papa celebrará Cinzas na Basílica de Santa Sabina

Quarta-feira de Cinzas 2010
Na Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma, Bento XVI presidirá à Estação quaresmal na basílica romana de Santa Sabina, no Aventino.
Esta antiga basílica, construída no século V onde, segundo a tradição, vivia essa santa romana, foi entregue pelo Papa Honório III a São Domingos de Guzmão, como sede da ordem dominicana em Roma.
A celebração, segundo informa o Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, começa às 16h30, na igreja de Santo Anselmo, onde haverá um momento de oração. Em seguida, acontece a procissão penitencial até a basílica de Santa Sabina.
Na procissão, tomarão parte os cardeais, arcebispos, monges beneditinos de Santo Anselmo, os dominicanos de Santa Sabina e alguns fiéis.
Ao final da procissão, na basílica, será celebrada a Eucaristia, com o rito de bênção e imposição das cinzas.
O costume de celebrar na Quaresma a Missa “estacional” remonta aos séculos VII-VIII, quando o Papa celebrava a Eucaristia assistido por todos os sacerdotes das igrejas de Roma, em uma das 43 basílicas estacionais da cidade.
Após uma oração inicial, havia a procissão de uma igreja para outra, enquanto se cantavam as ladainhas dos santos. Concluía-se com a celebração da Eucaristia.
Ao final da Missa, os sacerdotes tomavam o pão eucarístico (fermentum) e o levavam aos fiéis que não tinham podido participar, para indicar a comunhão e a unidade entre todos os membros da Igreja.
A imposição das cinzas era um rito reservado inicialmente aos penitentes públicos, que pediam para ser reconciliados durante a Quaresma. Contudo, por humildade e reconhecendo-se necessitados de reconciliação, o Papa, o clero e depois todos os fiéis quiseram, com o passar do tempo, também receber as cinzas.
A Estação quaresmal indica a dimensão peregrinante do povo de Deus, que, em preparação da Semana Santa, intensifica o deserto quaresmal e experimenta a distância da Jerusalém para a qual se dirigirá o Domingo de Ramos, para que o Senhor possa contemplar – na Páscoa – sua missão terrena e realizar o desígnio do Pai.

Fonte: Zenit.org

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Festa da Cátedra de São Pedro

A liturgia latina celebra hoje (22.02) a festa da cátedra de São Pedro. Trata-se de uma tradição muito antiga, testemunhada em Roma desde os finais do século IV, com a qual se dá graças a Deus pela missão confiada ao apóstolo Pedro e a seus sucessores. A "Cátedra", literalmente, quer dizer a sede fixa do bispo, colocada na igreja mãe de uma diocese, que por este motivo é chamada "catedral", e é o símbolo da autoridade do bispo e, em particular, de seu "magistério", ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos apóstolos, está chamado a custodiar e transmitir à comunidade cristã. Quando o bispo toma posse da Igreja particular que lhe foi confiada, com a mitra e o báculo, senta-se em sua cátedra. Desde essa sede guiará, como mestre e pastor, o caminho dos fiéis, na fé, na esperança e na caridade!
Qual foi, então, a "Cátedra" de São Pedro? Ele, escolhido por Cristo como "rocha" sobre a qual edificar a Igreja (Cf. Mateus 6, 18), começou seu ministério em Jerusalém, depois da Ascensão do Senhor e de Pentecostes. A primeira "sede" da Igreja foi o Cenáculo, e é provável que naquela sala, onde também Maria, a Mãe de Jesus, rezou junto aos discípulos, se reservasse um posto especial a Simão Pedro.
Sucessivamente, a sede de Pedro foi Antioquia, cidade situada no rio Oronte, na Síria, hoje na Turquia, naqueles tempos a terceira cidade do império romano depois de Roma e de Alexandria do Egito. Daquela cidade, evangelizada por Barnabé e Paulo, na qual "pela primeira vez os discípulos receberam o nome de 'cristãos'" (Atos 11, 26), Pedro foi o primeiro bispo. De fato, o Martirológio Romano, antes da reforma do calendário, previa também uma celebração específica da Cátedra de Pedro em Antioquia. Desde ali a Providência levou Pedro a Roma. Portanto, encontramo-nos com o caminho que vai de Jerusalém, Igreja nascente, a Antioquia, primeiro centro da Igreja, que agrupava pagãos, e ainda unida também à Igreja proveniente dos judeus. Depois, Pedro dirigiu-se a Roma, centro do Império, símbolo do "Orbis", a "Urbis" que expressa o "Orbis", a terra, onde concluiu com o martírio sua carreira ao serviço do Evangelho. 
Por este motivo, a sede de Roma, que havia recebido a maior honra, recebeu também a tarefa confiada por Cristo a Pedro de estar ao serviço de todas as Igrejas particulares para a edificação e a unidade de todo o Povo de Deus.

A sede de Roma, depois destas migrações de São Pedro, foi reconhecida como a do sucessor de Pedro, e a "cátedra" de seu bispo representou a do apóstolo encarregado por Cristo de apascentar todo seu rebanho. Testificam isso os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo Santo Irineu, bispo de Lyon, mas que era originário da Ásia Menor, que em seu tratado "Contra as heresias" descreve a Igreja de Roma como a "maior e mais antiga conhecida por todos, (...) fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosos apóstolos Pedro e Paulo", e acrescenta: "Com esta Igreja, por sua exímia superioridade, deve estar em acordo a Igreja universal, ou seja, os fiéis que estão por toda parte" (III, 3, 2-3). Pouco depois, Tertuliano, por sua parte, afirma: "Esta Igreja de Roma é bem-aventurada! Os apóstolos derramaram nela, com seu sangue, toda a doutrina" ("Prescrições contra todas as heresias", 36). A cátedra do bispo de Roma representa, portanto, não só seu serviço à comunidade romana, mas também sua missão de guia de todo o Povo de Deus.
Celebrar a "cátedra" de Pedro, como hoje fazemos, significa, portanto, atribuir a esta um forte significado espiritual e reconhecer nela um sinal privilegiado do amor de Deus, Pastor bom e eterno, que quer reunir toda sua Igreja e guiá-la pelo caminho da salvação. Entre os numerosos testemunhos dos Padres, quero oferecer o de São Jerônimo, tomado de uma carta sua escrita ao bispo de Roma, particularmente interessante porque menciona explicitamente a "cátedra" de Pedro, apresentando-a como porto seguro de verdade e de paz. Assim escreve Jerônimo: "Decidi consultar a cátedra de Pedro, onde se encontra essa fé que a boca de um apóstolo exaltou; venho agora pedir alimento para minha alma ali, onde recebi a veste de Cristo. Não sigo outro primado senão o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com tua beatitude, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja" ("As cartas" I, 15, 1-2).

Texto de Sua Santidade Bento XVI

domingo, 9 de janeiro de 2011

Festa do Batismo do Senhor - Capela Sistina

Sua Santidade o Papa Bento XVI afirmou neste domingo, durante a Festa do Batismo do Senhor, que a instituição familiar está "ameaçada". Na cerimônia, celebrada na histórica Capela Sistina, foram batizadas 21 crianças (filhos dos funcionários da Santa Sé), o Sumo Pontífice fez vários apelos aos pais e à Igreja.
 Procissão de entrada



Proclamação do Evangelho 


Na primeira parte de sua homilia, Bento XVI comentou o Evangelho do batismo de Jesus no Rio Jordão, fazendo notar que se tratava de um sinal de penitência e chamado à conversão. "Embora designado como 'batismo', não tinha o valor sacramental do nosso rito batismal, pois, só com a sua morte e ressurreição, Jesus instituiu os Sacramentos, fazendo nascer a Igreja", esclarece.
"Ao se deixar ser batizado por João Batista, Jesus se inclina, fazendo-se um de nós", elucida o Santo Padre, ao ressaltar que o batismo de Jesus entra na "lógica da humildade": "Ele, sem pecado, deixa-se tratar como pecador, para carregar nos seus ombros o peso do pecado de toda a humanidade, isto para estabelecer plena comunhão com a humanidade, no desejo de realizar uma verdadeira solidariedade com o homem e com a sua condição”.
O Pontífice explicou também que o gesto de Jesus, em seu batismo, antecipa a entrega à cruz, a aceitação da morte pelos pecados do homem, e a sua comunhão com Deus Pai e com a pessoa do Espírito Santo: "Este ato de submissão com que Jesus quis se conformar totalmente ao desígnio de amor do Pai, manifesta a plena sintonia de vontade e de intenções que existe entre as pessoas da Santíssima Trindade. Por tal ato de amor, o Espírito de Deus manifesta-se como pomba e desce sobre Ele. Naquele momento, o amor que une Jesus ao Pai é testemunhado, por uma voz do alto, que todos ouvem. Esta palavra do Pai alude também, antecipadamente, à vitória da ressurreição”.
O Papa Bento XVI considera que "a perda de referências culturais estáveis e a rápida transformação da sociedade fazem com que seja verdadeiramente difícil fazer um trabalho educativo". Portanto, sublinha, "é necessário que as paróquias prestem apoio às famílias na tarefa de transmitir a fé".
Ao observar que para as crianças agora batizadas tem início “um caminho de santidade e de intimidade com Jesus, uma realidade em que nelas é depositada como a semente de uma árvore esplêndida”, o Papa reconheceu que será, sem dúvida, necessária uma adesão livre e consciente a esta vida de fé e de amor.
“Para tal, é necessário que, depois do batismo, [as crianças] sejam educadas na fé, instruídas segundo a sabedoria da Sagrada Escritura e os ensinamentos, para que nelas cresça o gérmen da fé que hoje recebem e possam alcançar a plena maturidade em Cristo”, complementou.
Batismo
 Ofertório
Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício...

 Comunhão

Procissão final

Fotos: Fotografia Felici

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Solenidade da Epifania de Nosso Senhor Jesus Cristo

O Sumo Pontífice Bento XVI celebrou na manhã de hoje (06.01.11), a tradicional Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro, que iniciou ao som alegre das trombas D'Argento [Instrumentos Musicas litúrgicos de prata, voltando a ser utilizado nas Celebrações Papais]. A tradicional celebração da Epifania do Senhor é considerada a maior manifestação de Deus ao mundo, na figura dos reis que vão adorar o menino Jesus na gruta de Belém. 
  Procissão de Entrada
 A Santa Missa teve somente a assistência de dois Cardeais Diáconos, não havendo concelebração.
Tu es Petrus, et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam, et portæ inferi non prævalebunt adversus eam, et tibi dabo claves regni cælorum.
Saudação Inicial
 Liturgia da Palavra
 Após o Evangelho aconteceu o anuncio solene da páscoa e das Solenidades moveis para o ano de 2011
Em sua homilia Bento XVI ressaltou que "a Palavra de Deus é a verdadeira estrela, que, na incerteza dos discursos humanos, nos oferece o imenso esplendor da verdade divina", e continuou em sua bela homilia que "talvez nós estejamos cegos frente aos seus sinais, surdos para as suas palavras", declarou o Pontífice.
O Papa destacou também a figura de Herodes que era "um homem de poder, que via apenas um rival [Deus] para combater" e "também Deus pode nos parecer um rival, até um rival particularmente perigoso, que poderia privar os homens de seu espaço vital, de sua autonomia, de seu poder", advertiu!
E completou dizendo que: "Quando vemos Deus deste modo terminamos nos sentindo insatisfeitos e descontentes, porque não nos deixamos guiar por ele, que está no fundamento de todas as coisas”.
 Ofertório
 Comunhão [de joelhos e na boca]
 Benção Final
Ao Final da Missa o coro entoou a antífona: Alma Redemptoris Mater

Os Diáconos saudando o Santo Padre
O ano só estar iniciando e já temos mudanças significativas nas Celebrações Papais, aguardemos por mais novidades!


Viva o Sucessor de Pedro!






Fotos: Fotografia Felici
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