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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

As Antífonas do Ó

Imagem: Paróquia Nossa Senhora do Ó - Mosqueiro
As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas e/ou recitadas no Tempo do Advento (de 17 - 23 de dezembro - Semana que antecede a Festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo). As Antífonas do Ó são assim chamadas porque tem início com esse vocativo.

História:

As Antífonas do Ó foram compostas entre o século VII e o século VIII, sendo uma suma da cristologia, da antiga Igreja, um expressivo desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: “Vem, não tardes mais!”. Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento. 

Uso na liturgia: 

A reforma litúrgica pós Concilio Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao Papa Gregório Magno. Ela os valorizou ainda mais sendo introduzidas como aclamação ao Evangelho da Santa Missa, além de conservá-los como antífonas do Magnificat da celebração das Vésperas. Cada antífona é composta de uma invocação, ligada a um símbolo do Messias, e de uma súplica, introduzida pelo verbo "vir".

Antífona do dia 17 de dezembro
Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência

Antífona do dia 18 de dezembro
Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do

Antífona do dia 19 de dezembro
Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.

Antífona do dia 20 de dezembro
Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.

Antífona do dia 21 de dezembro
Ó Oriente
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.

Antífona do dia 22 de dezembro
Ó Rei das nações
e objeto de seus desejos,
pedra angular
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes

Antífona do dia 23 de dezembro
Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvarnos,
Senhor nosso Deus.

As antífonas em latim têm uma particularidade. Vejamos como começam elas em latim e os dias correspondentes:
17.12 - "O Sapientia" (Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo)
18.12 - "O Adonai" (Ó meu Senhor, Guia da Casa de Israel)
19.12 - "O Radix" (Ó Raiz de Jessé)
20.12 - "O Clavis" (Ó Chave de David)
21.12 - "O Oriens" (Ó Sol nascente, esplendor da Luz Eterna)
22.12 - "O Rex gentium" (Ó Rei das Nações)
23.12 - "O Emmanuel" (Ó Deus connosco)

Se lermos as palavras, formadas pelas letras iniciais das palavras latinas, após a interjeição “O”, e lidas no sentido inverso, da última para a primeira, nos encontramos diante do acróstico – composição poética em que as letras iniciais dos versos, ou as do meio, ou as do final, formam uma frase ou uma palavra –, ou seja, “O ERO CRAS”. Ao traduzir o texto temos: “ERO” que significa “ontem” e “CRAS” que significa “amanhã”, formando assim a frase: “virei amanhã, serei amanhã, estarei amanhã”, refletindo desta forma a resposta do Messias à súplica dos fiéis.

Termino suplicando neste tempo propicio a oração: “Maranatha!” - Vem Senhor Jesus!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Curso: Os Ritos da Semana Santa

Caríssimos Amigos,

A Santa Igreja está em pleno período quaresmal, cuja característica penitencial nos prepara para nossa grande celebração anual com a Páscoa do Senhor. Movida por este ensejo, a Coordenação Arquidiocesana dos Servidores do Altar promeverá um pequeno curso acerca dos Ritos da Semana Santa, que em primeiro plano se dirige aos Servidores do Altar mas também a todos quantos queiram participar. Sendo assim, contamos com a participação e ajuda de todos, lembrando que o valor arrecadado será direcionado para Festividade de São Tarcísio 2012.

Esperando encontrá-los neste curso.

João Antônio Lima
Coordenador Arquidiocesano



Clique aqui para fazer sua inscrição

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O uso da mitra e do báculo



O uso da Mitra:

A mitra, que será uma só na mesma ação litúrgica, simples ou ornamentada de acordo com a celebração, é habitualmente usada pelo Bispo:

1. Quando está sentado;
2. Quando faz a homilia;
3. Quando faz as saudações;
4. As alocuções e os avisos, a não ser que logo a seguir tenha de tirar a mitra; quando abençoa solenemente o povo; quando executa gestos sacramentais; quando vai às procissões.

O Bispo não usa a mitra:

1. Nas preces introdutórias
2. Nas orações; na Oração Universal
3. Na Oração Eucarística
4. Durante a leitura do Evange­lho
5. Nos hinos, quando estes são cantados de pé
6. Nas procissões em que se leva o Santíssimo Sacramento ou as relíquias da Santa Cruz do Senhor; diante do Santíssimo Sacramento exposto.

O Bispo pode prescindir da mitra e do báculo quando se desloca dum lugar para outro, se o espaço entre os dois for pequeno. Quanto ao uso da mitra na administração dos sacramentos e dos sacramentais, observe-se, além disso, o que adiante vai indicado nos respectivos lugares. (Cerimonial dos bispos, 60)

"O Bispo, ao chegar junto do altar, entrega o báculo ao ministro, depõe a mitra, e faz inclinação profunda ao altar, ao mesmo tempo que os diáconos e os outros ministros que o acompanham. Depois, sobe ao altar e beija-o, juntamente com os diáconos." (Cerimonial dos bispos, 131)

O uso do Báculo:

O Bispo usa o báculo, como sinal do seu múnus pastoral. Aliás, qualquer. Bispo que celebre solenemente o pode usar, com o consentimento do Bispo do lugar. Quando estiverem vários Bispos presentes na mesma celebração, só o Bispo que preside usa o báculo.

Com a parte recurvada voltada para o povo, ou seja, para frente, o Bispo usa habitualmente o báculo na procissão, para ouvir a leitura do Evangelho e fazer a homilia, para receber os votos, as promessas ou a profissão de fé; e finalmente para abençoar as pessoas, salvo se tiver de fazer a imposição das mãos. (Cerimonial dos bispos, 59)

Fonte: Movimento Litúrgico

sábado, 27 de agosto de 2011

Paramentos Litúrgicos III: O Cingulo

História
Depois de uma pausa para a nossa V Festividade de São Tarcísio, vamos dar continuidade a nossa série de matérias, vamos falar hoje um pouco sobre o cíngulo. O cingulo é uma veste de origem romana que se anexou aos paramentos litúrgicos e recebeu da tradição da Igreja um significado cristão. A primeira menção do cíngulo é uma carta do papa Celestino aos bispos de bispos de Viena e Narbone, na Gália no século V. A forma do cíngulo, desde a antiguidade até parte da Idade Média, era de uma estreita faixa com 6 ou 7 centímetros de largura. Era comumente de linho e, por vezes, bordado. O formato de cordão só se popularizou depois do século XV e hoje, é o dominante.


Forma e Cores
O cíngulo conta, na atualidade, de um cordão de cerca de 4 metros com dois pompons nas pontas com franjas. O cíngulo segue a cor do tempo, podendo ser branco, roxo, rosa, preto, vermelho, verde ou de cor festiva (dourado). Entretanto, como os demais paramentos usa-se o branco na falta da cor específica.


Em relação à ornamentação, a princípio era simples, posteriormente passou a constar de ricos brocados com ouro e pedras preciosas, principalmente durante a Idade Média. Na atualidade, recuperou parte de sua simplicidade inicial. O cíngulo possui decoração austera que pode constar de fios dourados ou prateados unidos à cor do cíngulo, sem pedras ou ornamentos maiores.

Quem usa e como se usa?


Usam o cíngulo todos os ministros de qualquer grau que portam a alva. Nesses se incluem os servidores do altar, acólitos instituídos, leitores instituídos e todos os clérigos. O cíngulo é posto sempre sobre a alva, amarrado a cintura. Se usa-se estola, esta fica, tradicionalmente, presa ao cíngulo. Não se usa cíngulo quando não se veste alva; assim, não se usa cíngulo com vestes corais, com batina e sobrepeliz, etc.

Oração e significado
Para se vestir o cíngulo, o rito extraordinário prevê que o sacerdote reze a seguinte fórmula:

"Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et castitatis."
"Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade."
Tal uso, louvavelmente, pode manter-se na Missa de Paulo VI, uma vez que essa oração resume de maneira piedosa o significado deste paramento. O cíngulo lembra o antigo gesto de amarrar a veste à cintura para melhor trabalhar, daí a citação dos rins, região onde é amarrado para facilitar a labuta. Essa comparação fez o cíngulo se proliferar entre os monges.
Pode-se estabelecer uma relação ainda com a escritura do Antigo Testamento, na qual Deus ordena que os Hebreus comam a Páscoa cingidos (cíngulo) e com o manto (casula). Entretanto a relação que a tradição cristã mais bem aplicou ao cíngulo foi a sua relação com a castidade e a pureza de espírito, como ressalta a oração.

Fotos do uso do cíngulo
É um pouco trabalhoso encontrar imagens que mostrem o uso do cíngulo, uma vez que este paramento é usado sob a casula e, no caso dos bispos, sob a dalmática pontifical. As imagens mostradas são do uso com casula romana, apenas por uma questão de facilidade na visualização.

Sua Santidade durante a adoração da Santa Cruz na Sexta-feira Santa, uso do cíngulo vermelho, cor da celebração.

Ao início da celebração da Paixão, cíngulo vermelho novamente.

Ordenação Sacerdotal: os candidatos ao sacerdócio portando o cingulo sobre a alva.

O Padre Wiremberg no durante a Missa de encerramento da III Escola Arquidiocesana de Cerimoniários, usando o cingulo dourado (festivo). 

Acólitos-assististes, ambos usando alva e cíngulo.

Conclusão
Cíngulo é um paramento que se une a alva. Assim ele possui um significado que remete às atitudes daqueles que os portam. Segundo dizem as orações, aqueles que usa tal veste deve ser repleto de pureza, penitência e especial zelo para ser menos indigno de participar (Servidores do Altar, Acólitos, Diáconos, etc) ou celebrar (Presbíteros, Bispos, etc..) os santos mistérios.
Assim, é importante que se preserve seu uso, bem como sua oração, para que os ministros do altar não se esqueçam que sua vida espiritual se une diretamente ao que se celebra. Não se trata de dar atenção a detalhes de menor importância dentro da liturgia, trata-se de preservar a riqueza construida nos séculos passados e fazer que se mantenha presente os elementos e os significados que nos ajudam a entender melhor o Santo Sacrifício que é o centro da liturgia católica.

Fonte: Blog "Zelus domus tuae comedit me"
Revisão e atualização (fotos) : Blog "Ministrare et dare animam suam" 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Corpus Christi - A Festa da Eucaristia

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas.
Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia.
Aconteceu, porém, que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.
São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais". Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em toda o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.
A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.


Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas e também o culto a Jesus Sacramentado foi incrementado no mundo todo através das adorações solenes, das visitas mais assíduas às Igrejas e da multiplicação das bênçãos com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos cada vez mais admiráveis.
Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
O culto eucarístico não começou no século XIII, pois começou desde o Cenáculo, quando Jesus instituiu a sagrada Eucaristia. Mas faltava, porém, uma festa especial para agradecer ao "Prisioneiro dos Sacrários" esta presença inefável que o faz contemporâneo de todas as gerações cristãs.
Era necessário, realmente, uma data distinta para que se manifestasse um culto especial ao Corpo e Sangue de Cristo, atraindo d’Ele novas graças e bênçãos para os que caminham neste mundo.

Fonte: Prof. Felipe Aquino (Canção Nova)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Voz de Nazaré

Apresentamos uma pergunta feita ao Reverendo Monsenhor Raimundo Possidônio, publicada no jonal Voz de Nazaré da Arquidiocese de Belém.

Pergunta: Por que em dias de solenidade, padres e bispos usam as vestimentas tão diferentes e brilhosas? Não seria um contratestemunho de pobreza e humildade? (Por: Cristina Cesário - Terra Firme, Belém).

Resposta: Cristina, caríssima, as vestes litúrgicas ou paramentos expressam nas celebrações o sentido de revestir-se de Cristo, da sua autoridade e do seu serviço. Os ministros revestem-se de Cristo para exercer seu ofício, sua função, e nisso se manifesta também a variedade das vestes: representam a diversidade dos ministérios. As cores devem visar manifestar o caráter dos mistérios celebrados, conforme desenrolar do ano litúrgico; convém que as vestes litúrgicas contribuam para a beleza da ação sagrada. "A beleza e a nobreza das vestes decorra do tecido e da forma; se houver ornatos, sejam figuras ou símbolos que indiquem o uso sagrado. E sejam simples, mas belos. Deve-se excluir tudo que não serve para o culto sagrado". (Missal Romano 344). Nessas orientações podemos perceber que a Igreja deseja que tudo que se realize nas celebrações manifeste o Mistério, o Sagrado, também as vestes, de modo que nada obscureça ou desvie o seu sentido. O exagero nas apresentações: paramentos, vasos litúrgicos, ornamentações... às vezes só serve para confundir os fiéis. Cito um exemplo: quando alguém diz: "Que toalha esplendorosa!" (pelo requinte dos brocados e coloridos) significa que ela não está vendo o essencial que é o altar que é Cristo; a toalha do altar deveria ser branca, sempre, e nunca esconder o altar que deve ter uma visibilidade total. Tudo o que é usado nas celebrações deve ser verdadeiramente digno, belo e decoroso.

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Envie sua pergunta para:
voz@fundacaonazare.com.br

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Paramentos Litúrgicos II: O Pluvial




Introdução
Dando continuidade a nossa série de matérias, vamos falar hoje um pouco sobre o pluvial, que é um manto amplo, aberto na frente que os clérigos usam em algumas circunstâncias. Seu uso é muito antigo, estando presente em varias representações da liturgia . Atualmente, preserva ainda um apêndice, fruto de um antigo capuz que tais capas possuíam.

Pluvial

Detalhe do apêndice que restara dos antigos capuzes.

O pluvial possui, à frente, um objeto, geralmente metálico, chamado alamar. Este funciona como um broche, unindo as duas partes do manto. O alamar pode ser fixo no pluvial ou removível.




Seu uso apesar de pequenas modificações e simplificações mantém-se semelhante ao longo dos séculos. Justamente em função de seu uso vem recebendo diferentes nomes através do tempo. Um nome muito conhecido é "capa de asperges" recebe esse nome em função de o celebrante usar-se dela durante o rito de asperges ao início da missa no rito extraordinário, entretanto, no rito ordinário, o celebrante não usa mais o pluvial, e sim asperge o fiel revestido da casula.

Asperges na forma ordinária do rito romano.

Asperges na forma extraordinário do rito romano.

Um nome pouco conhecido, mas que já fora outrora usado para designá-lo é "casula processionária", isto se dá pelo fato de ser usada em várias procissões. Recebeu ainda o nome, isto mais atualmente, de "capa de bênção" por ser usada na bênção com o Santíssimo Sacramento. A grosso modo, podemos dizer que os sacerdotes usam o pluvial em celebrações fora da missa e em procissões extraordinárias.



Como podemos observar, o pluvial é um paramento de grande tradição no rito romano. Seu não uso provoca uma perda às celebrações litúrgicas não apenas no que tange a tradição, mas também na beleza dos ritos. Adiante, listamos suas formas de utilização e as ocasiões em que ocorre. Lembremo-nos que o pluvial, como quaisquer outros paramentos, na falta de determinada cor litúrgica, pode-se usar este paramento na cor branca em substituição. 

Quem usa e como usa?
Na forma ordinária do rito romano usam pluvial apenas padres e bispos e, em restritas circunstâncias, diáconos. Na forma ordinária, os sacerdotes usam em todos os casos descritos abaixo, os diáconos apenas quando presidem a bênção solene com o Santíssimo Sacramento. O pluvial pode ser usado sobre alva, sobre sobrepeliz ou roquete, ou ainda sobre as vestes corais; sempre com estola. Obviamente, quando usado em alguma procissão que faça parte de uma missa, usa-se com alva uma vez que ao retirar o pluvial, o sacerdote imediatamente veste a casula (que não pode ser usada sobre sobrepeliz, roquete ou vestes corais). As rubricas especificam a utilização em cada rito. Quando o sacerdote caminha, os diáconos levantam as pontas do pluvial.

O Padre Wiremberg incensando a imagem de São Tarcisio, notem o uso do habito talar com a sobrepeliz por baixo do pluvial vermelho 

O Papa Bento XVI, com pluvial sobre vestes corais, nota-se claramente a murça vermelha.

O papa Bento XVI, com pluvial branca sobre a alva, cíngulo e estola; observa-se ainda as pontas do pluvial sendo seguradas pelos diáconos-assistentes.

O Papa com pluvial roxo sobre a alva, cíngulo e estola, sendo as pontas deste seguradas pelos cardeais-diáconos.

O Papa com pluvial verde sobre a alva, cíngulo e estola, sendo as pontas deste seguradas pelos diáconos.

Uso em procissões dentro da missa 
Um dos usos do pluvial mais conhecidos é durante a celebração da missa em certas circunstâncias:

· Procissão de domingo de Ramos; 
· Início da Celebração da Vigília Pascal; 
· Procissão de Corpus Christi; 
· Procissão na festa da Apresentação do Senhor; 
· Entre outros. 

Nestas circunstâncias, o sacerdote inicia a celebração fora da igreja onde se celebra, com pluvial, este é usado durante toda a procissão, para a incensação do altar no momento que chega. Só então o sacerdote, retirando o pluvial reveste-se com a casula. Ou, no caso de Corpus Christi, celebra a missa toda usando casula, a depõe e reveste-se com o pluvial para a procissão. Nestas circunstâncias, o pluvial é da cor da missa que se celebra. Na falta do pluvial, o padre usa casula em seu lugar.

Procissão com pluvial vermelho por ocasião do domingo de ramos

Festa da Apresentação do Senhor 2001 

Procissão por ocasião do Jubileu diocesano, observe o uso do pluvial sobre a batina filetada.

Presidir a missa sem celebrá-la
Quando o bispo encontra-se impossibilitado de celebrar a missa, ou ainda quando a utilidade pastoral aconselha que um padre ou outro bispo a celebre por alguma causa especial (falecimento de um familiar do padre, aniversário de ordenação etc) o bispo preside a celebração da missa, mas não oferece o Santo Sacrifício. Neste caso ele usa pluvial da cor da missa que se celebra e o sacerdote que celebra usa casula.

Papa João Paulo II, presidindo a missa que está sendo celebrada por outro sacerdote. O papa à frente da Sede, de pluvial e o sacerdote ao altar de casula.

Liturgia das Horas
Na liturgia das horas quando celebradas com solenidade, principalmente as horas mais importantes, Laudes e Vésperas, o sacerdote usa pluvial. O pluvial segue a cor do tempo ou da festa que se celebra.

Papa celebrado as vésperas com pluvial vermelha.

Dom Alberto celebrando as vésperas na Catedral de Belém com pluvial Dourada .

Com o Santíssimo Sacramento
Um dos usos mais comuns é para bênçãos e procissões com o Santíssimo Sacramento. Nestas ocasiões o sacerdote usa pluvial durante a celebração e, para a bênção, usa ainda o véu-umeral sobre este. Quando a celebração envolve somente a bênção e algum rito de adoração a cor do pluvial é branca, quando é feita a celebração de alguma Hora Canônica com exposição do Santíssimo, usa-se paramentos da cor da liturgia das horas.

Papa Bento XVI portando o ostensório com a hóstia consagrada

Bênção com o Santíssimo Sacramento

Sacramentos e Sacramentais fora da missa
O pluvial pode ser usado ainda em todos os sacramentos e sacramentais celebrados fora da missa, em alguns casos é obrigatório (segundo as rubricas de cada celebração). Para cada celebração uma cor específica, algumas da cor do tempo outras da cor referente ao sacramento/sacramental, a seguir destacamos alguns:

· Instituição de Acólitos e Leitores fora da missa; 
· Colocação da pedra fundamental na construção de Igrejas; 
· Batismo, Crisma, Casamentos e Unção dos Enfermos fora da missa; 
· Assembléias quaresmais; 
· Celebração comunitária de penitência, com ou sem sacramento da confissão; 
· Funerais; 
· Para bênçãos (de pia batismal, de nova cruz de cemitério); 
· Celebração da Palavra.

O ainda Bispo Burke (hoje purpurado) ministrando o Sacramento do Batismo

Funerais
O Cerimonial dos Bispos e demais livros litúrgicos, prescrevem que nas celebrações exéquias feitas fora da missa ou em procissões entre a casa do falecido e a igreja e da igreja ao cemitério/cripta, usa-se pluvial de cor fúnebre. Tal cor é tradicionalmente negra, podendo ser substituída pela roxa.

O então Cardeal Ratzinger, com pluvial preta.

Cerimônia exequial na forma extraordinária do rito romano

Uso por diáconos
Todos os casos acima mencionados referem-se apenas ao uso do pluvial pelos celebrantes, ou seja, os casos resumem-se ao uso do pluvial por presbíteros e bispos. O uso do pluvial por diáconos resume-se um caso, bênção com o santíssimo sacramento, quando o diácono abençoa com o Santíssimo na âmbula ou no ostensório.

Fonte: Blog "Zelus domus tuae comedit me"
Revisão e atualização (fotos) : Blog "Ministrare et dare animam suam" 
______________________________ 
IGMR 92 e 341 
Cerimonial dos Bispos 61, 176, 458, 192, 216, 209, 1100, 243, 261, 265, 271, 388, 390, 449, 473, 601, 614, 622, 567, 661, 804, 882, 833, 847, 1104, 1115, 1127, 999, 1014, 1057, 1074, 225 e 1180 
Sagrada comunhão e o culto eucarístico fora da missa 92

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Paramentos Litúrgicos I: A Vimpa

Hoje damos início a uma série de matérias e vamos primeiramente falar sobre os Paramentos Litúrgicos de antiquíssima tradição da Igreja que são usados na nossa Sagrada Liturgia, porém não sabemos muito o seu significado ou muitas das vezes  não é dada a devida importância. Espero que gostem e façam seus comentários e dêem a sua opinião. Tenham todos uma ótima leitura!
Sendo um paramento litúrgico usado em muitas dioceses do mundo, incluindo Roma, a Vimpa é uma pequena capa que serve para portar as insígnias episcopais enquanto o bispo não as está endossando. Semelhante ao véu-umeral, menor e menos enfeitada, é usada geralmente em par, ou seja, um pelo mitrífero e outro pelo baculífero. Suas cores variam conforme a cor litúrgica da cerimônia. Além do significado de respeito com as insígnias episcopais, as vimpas possuem um lado prático que é evitar que o suor das mãos dos Servidores do Altar suje ou danifique as insígnias. Vejamos alguns exemplos do uso deste paramento:

Nesta primeira foto, vemos atrás de Dom Alberto dois Servidores do Altar portando vimpas brancas.


Na foto, da celebração do Domingo Laetare, vemos à direita, do Cardeal Mauro Piacenza, o mitrifero portando a vimpa branca. Ele a usará para segurar a mitra do Celebrante.


Nesta outra cerimônia, ao lado do cerimoniário pontifício, vemos o mitrífero com uma vimpa branca, portando a Mitra do Santo Padre.



Missa da Ceia do Senhor na Basílica de São João de Latrão.

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Nesta foto, vemos atrás do Santo Padre, um acólitos portando a vimpa de cor roxa.


Domingo de Ramos, os acólitos portando vimpas vermelhas, acompanhando a cor litúrgica.


Na Celebração do Domingo de Ramos, o acólito durante a narrativa da paixão, portando a vimpa de cor vermelha e segurando a férula papal.


O uso das vimpas na forma extraordinária do Rito Romano - Pontifical Solene presidido por Sua Excelência Reverendíssima Dom Alberto Taveira - acólito segurando a Mitra durante a consagração.

Embora, em algumas dioceses o librífero usa vimpa ao portar o missal e ao apresentá-lo ao celebrante. Tal prática é desaconselhável, pois sugere que o missal possui a mesma dignidade das insígnias o que é inverdade, ademais, ao segurar o missal com as mãos envoltas no tecido, corre-se o risco de cobrir parte do texto, amassar a folha ou até mesmo rasgá-la. Existem casos, inclusive, em que as vimpas foram substituídas por luvas, sob o pretexto de que as vimpas se confundem com o véu-umeral. Todavia esqueceu-se que as vimpas fazem parte do conjunto de paramentos, conservados pela tradição e que as luvas, durante a história da Igreja, foi sempre um privilégio episcopal (que não se estendia nem aos abades). Tais luvas são, portanto, uma imitação descontextualizada das luvas pontificais e substitutas impróprias das vimpas; sendo, portanto, desaconselhável tal uso.
Como podemos observar, as vimpas constituem um exemplo dos muitos paramentos que, além de terem o seu significado litúrgico, são extremamente funcionais. Elas apresentam a dignidade do bispo pelo modo como se segura suas insígnias: não são tocadas diretamente. É, sem dúvida alguma, uma pena que não sejam usadas em muitas missas pontificais: não apenas pela falta de zelo em portar à mitra ou o báculo, sujando-os com o suor das mãos, mas pela abdicação de uma parte do tesouro litúrgico da Igreja Católica.

Fonte: Blog "Zelus domus tuae comedit me"
Revisão e atualização (fotos) : Blog "Ministrare et dare animam suam"

terça-feira, 19 de abril de 2011

CELEBRAR DIGNAMENTE

Autor: Diácono Plínio Pacheco* 

As nossas celebrações litúrgicas são de uma grandeza estupenda. Celebramos o Mistério Pascal de Cristo Senhor, Pontífice de nossa salvação. A liturgia que é o momento síntese da história da salvação, nos leva a celebrar, já aqui na terra, o que iremos viver plenamente no céu. 
A liturgia tem um lugar primordial na Igreja, expressando o verdadeiro sentido, a saber: “ao mesmo tempo humana e divina, dotada de realidades invisíveis, operosa na ação e devotada à contemplação, presente no mundo e, contudo peregrina” (Cf. SC 2). As ações litúrgicas requerem o sentido expressivo factual tendente para o que é transcendental; ou seja, tudo o que diz respeito à celebração – cânticos, orações, leituras, posturas – que remetem à realidade celeste. 
As ações litúrgicas são sagradas por excelência, pois são obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a Igreja (Cf. SC 7). Por isso, não podem ser de qualquer jeito, no improviso. Infelizmente, muitos de nós já tivemos o desagrado de participar de uma celebração na qual vemos claramente a falta de zelo na execução adequada dos cantos, as leituras sendo proclamadas de forma ininteligível, o espaço impróprio para o desenvolvimento do rito, assim como, a falta de sintonia de quem preside e com aqueles que ajudam na celebração. Contudo, uma total desvinculação do verdadeiro espírito da liturgia, que é uma ação sagrada. 
Em determinado tempo, sobretudo nos anos depois do Concílio Vaticano II e a grande reforma pela qual passou a liturgia, a Igreja viveu momentos de adaptações no que diz respeito à liturgia. Mudanças foram feitas em nome de uma participação e entendimento dos fiéis (Cf. SC 14). Por conseguinte, essas mudanças não foram de significado, mas, fizeram com que se pudesse criar uma adequação à cultura onde se celebra sem se perder a realidade do mistério, entendido como ação de Cristo em sua santa Igreja. Mas no meio de tudo isso, a criatividade que o Concílio incentiva até hoje não é muito bem entendida. Em nome de uma participação dos fiéis, fundem-se criatividades profanas, que ferem o verdadeiro sentido da liturgia: músicas impróprias para as celebrações; textos não aprovados pela Igreja; intervenções fora do sentido do contexto celebrativo (após ou mesmo no momento da homilia); sorteios, premiações; antes do ofertório, um grande anúncio de números de conta bancária e de telefonar para contatos para doações. A constituição ritual da Igreja, expressão da ação sacramental de Cristo, embora muitos não conheçam, é perfeita. Isso não quer dizer que não se possa fazer adaptações, sem que se perca a sacralidade do mistério celebrado. Por isso, nossas celebrações devem ser bem preparadas, obedecendo diligentemente o que nos pede a santa Igreja, sem burlar, improvisar e dessacralizar as ações rituais. O santo padre o papa Bento XVI na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, (n. 40) nos ajuda a compreender o verdadeiro sentido de uma bela celebração, quando diz: “igualmente importante para uma correta arte da celebração é a atenção a todas as formas de linguagem previstas pela liturgia: palavra e canto, gestos e silêncios, movimento do corpo, cores litúrgicas dos paramentos. Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas. A atenção e a obediência à estrutura própria do rito, ao mesmo tempo que exprimem a consciência do caráter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com dócil gratidão, esse dom inefável”. As celebrações devem ser um encontro de fé, expressados de maneira cônscia e fiel à Igreja santa, guardiã dos tesouros da fé. Façamos de nossas celebrações atos verdadeiros de culto santo e agradável a Deus.
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*Diácono transitório da Arquidiocese de Belém

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O sacerdote na celebração do Tríduo Pascal

A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo Testamento que atribui ao nosso Senhor Jesus Cristo os títulos de “Sacerdote”, “Sumo Sacerdote” e “Mediador da Nova Aliança”, graças à oferenda do sacrifício do seu corpo, antecipado na Ceia mística da Quinta-Feira Santa, consumado sobre a cruz e apresentado ao Pai com a ressurreição e a ascensão ao céu (cf. Hb 9,11-15). Este texto é meditado na Liturgia das Horas da quinta semana da Quaresma – ou da Paixão, como no calendário litúrgico da forma extraordinária do Rito Romano – e na Semana Santa.
Nós, sacerdotes católicos, devemos sempre contemplar Cristo e ter os mesmos sentimentos d’Ele; esta ascese acontece com a conversão permanente. Como se realiza a conversão em nós, sacerdotes? No rito da ordenação nos é pedido o ensino da fé católica, não das nossas ideias; “celebrar com devoção dos mistérios de Cristo – isto é, a liturgia e os sacramentos – segundo a tradição da Igreja”, e não segundo o nosso gosto; sobretudo, “estar cada vez mais unidos a Cristo Sumo Sacerdote, que, como vítima pura, ofereceu-se ao Pai por nós”, isto é, conformar nossa vida segundo o mistério da Cruz.
A Santa Igreja honra o sacerdote e o sacerdote deve honrar a Igreja com a santidade da sua vida – este foi o propósito de Santo Afonso Maria de Ligório no dia da sua ordenação –, com o zelo, com o trabalho e com o decoro. Ele oferece Jesus Cristo ao Pai Eterno e por isso deve estar revestido das virtudes de Jesus Cristo, para preparar-se para o encontro com o Santo dos Santos. Que importante é a preparação interior e exterior para a sagrada liturgia, para a Santa Missa! Trata-se de glorificar o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo.
Pois bem, tudo isso se realiza em grau máximo na Semana Santa, a Grande e Santa Semana, como dizem os orientais. Vejamos alguns dos seus principais atos, com base no cerimonial dos bispos.
1. Com a Missa in Cena Domini, da Quinta-Feira Santa, o sacerdote entra nos principais mistérios – a instituição da Santíssima Eucaristia e do sacerdócio ministerial –, assim como do mandamento do amor fraterno, representado pelo lavatório dos pés, gesto que a liturgia copta realiza ordinariamente cada domingo. Nada melhor para expressá-lo que o canto do Ubi caritas. Após a comunhão, o sacerdote, usando o véu umeral, sobre ao altar, faz a genuflexão e, ajudado pelo diácono, segura a píxide com as mãos cobertas pelo véu umeral. É o símbolo da necessidade de mãos e corações puros para aproximar-se dos mistérios divinos e tocar o Senhor!
2. Na Sexta-Feira Santa in Passione Domini, o sacerdote é convidado a subir ao Calvário. Às três da tarde, às vezes um pouco mais tarde, acontece a celebração da Paixão do Senhor, em três momentos: a Palavra, a Cruz e a Comunhão. Dirige-se em procissão e em silêncio ao altar. Depois de ter reverenciado o altar, que representa Cristo na austera nudez do Calvário, ele se prostra em terra: é a proskýnesis, como no dia da ordenação. Assim, expressa a convicção do seu nada diante da Majestade divina, e o arrependimento por ter se atrevido a medir-se, por meio do pecado, com o Onipotente. Como o Filho que se anulou, o sacerdote reconhece seu nada e assim tem início sua mediação sacerdotal entre Deus e o povo, que culmina na oração universal solene.
Depois se faz a ostensão e a adoração da Santa Cruz: o sacerdote se dirige ao altar com os diáconos e lá, em pé, ele a recebe e a descobre em três momentos sucessivos – ou a mostra já descoberta – e convida os fiéis à adoração, em cada momento, com as palavras: Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Em sua descarnada solenidade, aqui, no coração do ano litúrgico, a tradição resistiu tenazmente mais que em outros momentos do ano.
O sacerdote, após ter depositado a casula, se possível descalço, aproxima-se primeiramente da Cruz, ajoelha-se diante dela e a beija. A teologia católica não teme em dar aqui à palavra “adoração” seu verdadeiro significado. A verdadeira Cruz, banhada com o sangue do Redentor, torna-se, por assim dizer, uma só coisa com Cristo e recebe a adoração. Por isso, prostrando-nos diante do lenho sagrado, nós nos dirigimos ao Senhor: “Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz redimistes o mundo”.
3. A Páscoa do Reino de Deus se realizou em Jesus: oferecida e consumida a Ceia, “na noite em que ia ser entregue”; imolada sobre o Calvário na Sexta-Feira Santa, quando “houve escuridão sobre toda a terra”, mais uma vez à noite recebe a consagração da aprovação divina, na ressurreição de Cristo Senhor: por João, sabemos que Maria Madalena se aproximou do sepulcro “bem de madrugada”; portanto, aconteceu nas últimas horas da noite após o sábado pascal.
No Novus Ordo, o sacerdote, desde o início da Vigília, está vestido de branco, como para a Missa. Ele abençoa a fogo e acende o círio pascal com o novo fogo, se procede, após ter aplicado, como na liturgia antiga, uma cruz. Depois grava sobre o lado vertical da cruz a letra grega alfa e, abaixo, a letra omega; entre os braços da cruz, faz a incisão de quatro algarismos para indicar o ano em curso, dizendo: Cristo ontem e hoje. Depois, feita a incisão da cruz e dos demais sinais, pode aplicar no círio cinco grãos de incenso, dizendo: Por suas santas chagas. Depois, cantando o Lumen Christi, guia a procissão rumo à igreja. O sacerdote está à cabeça do povo dos fiéis aqui na terra, para poder guiá-lo ao céu.
É o sacerdote que entoa solenemente Eis a luz de Cristo!. Ele o canta três vezes, elevando gradualmente o tom da voz: o povo, depois de cada vez, repete-o no mesmo tom. Na liturgia batismal, o sacerdote, estando de pé diante da fonte, abençoa a água, cantando a oração: Ó Deus, por meio dos sinais sacramentais; enquanto invoca: Desça, Pai, sobre esta água, pode introduzir nela o círio pascal, uma ou três vezes.
O significado é profundo: o sacerdote é o órgão fecundador do seio eclesial, simbolizado pela fonte batismal. Verdadeiramente, na pessoa de Cristo Cabeça, ele gera filhos que, como pai, fortifica com o crisma e nutre com a Eucaristia. Também em razão destas funções maritais com relação à Igreja esposa, o sacerdote não pode senão ser homem. Todo o sentido místico da Páscoa se manifesta na identidade sacerdotal, chegando à plenitude, o plếroma, como diz o Oriente. Com ele, a iniciação sacramental chega ao cume e a vida cristã se torna o centro.
Portanto, o sacerdote, que subiu com Jesus à cruz na Sexta-Feira Santa e desceu ao sepulcro no Sábado Santo, no Domingo de Páscoa pode afirmar realmente com a sequência: “Sabemos que Cristo verdadeiramente ressuscitou dentre os mortos”.

Fonte: Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice

sábado, 16 de abril de 2011

LITURGIA E BELEZA

Autor: Diácono Plínio Pacheco*

Os assuntos sobre liturgia se situam na ordem de frente de grande parte das reflexões teológicas, porque, sendo a liturgia esta prática freqüente e participada por muitos, acaba sendo objeto de reflexões das mais variadas. Um tema muito interessante nos sobressai: Liturgia e beleza. A princípio podemos querer tratar de dois temas distintos, porém, no se pode separar liturgia e beleza, mas antes, tratar a liturgia como beleza.
O papa João Paulo II, escrevendo aos artistas afirma que a beleza é a chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro (16). A palavra beleza tem um conceito religioso, remonta ao sânscrito: bel el za (lugar onde Deus brilha), ou no grego, o belo é traduzido por kállos, que reúne os significados de bom, belo e verdadeiro. Dionísio, o Areopagita, séc.V, afirma que: A Verdade, o Bem e a Beleza são três lâmpadas ardentes de fogo e uma não vive sem a outra. Destarte, podemos dizer que a liturgia é o lugar onde Deus brilha é bom, belo e verdadeiro. Mas como saber o que é o belo, se tratando de liturgia? Como fazer com que a celebração seja ela toda um perfeito louvor a Deus, Uno e Trino, sem escapar para o ridículo em busca de uma enfeitadinha nas ações sagradas? Alguns podem pensar que a liturgia seja o lugar privilegiado do improviso; o verdadeiro sentido da liturgia é fazer uma obra para Deus. É uma realidade apresentada por nós, homens e mulheres, para o Criador de tudo. Por isso a celebração litúrgica é o lugar por excelência da manifestação da beleza e do amor de Deus. Não se pode conceber uma liturgia que adote adereços que no expressam a relação de transcendência. Tudo o que se usa na liturgia deve ser compreendido, nesta relação material para Deus, da expressão humana para a divina, do tempo para a eternidade, do visível para o invisível. Por isso, a liturgia é o lugar da beleza, onde o Belo, Deus, se manifesta, apresenta-se de forma bela e simples. Adélia Prado, renomada escritora brasileira, fala sobre a liturgia, mais propriamente a Santa Missa, e atesta algumas deficiências em relação à linguagem usada na celebração aqui não se refere aos textos, do missal e dos lecionários, que foram traduzidos com um cuidado excepcional mas, da linguagem que é utilizada muitas vezes por àqueles e àquelas que fazem parte da celebração, ou mesmo pelo presidente da mesma. Por conseguinte, Adélia lança uma frase: missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum. É de se pensar sobre o que ela diz não de uma forma preconceituosa, mas serve de alerta, para o que realmente a liturgia é: lugar onde a obra da Redenção se realiza (SC 2) e, como nós estamos celebrando. Celebrar a liturgia é antecipar, já aqui na terra o que celebraremos na eternidade, o encontro com a verdadeira Beleza, como falou o grande escritor russo Dostoievsky: a beleza salvará o mundo, a Beleza redentora de Cristo, o crucificado e ressuscitado!

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*Diácono transitório da Arquidiocese de Belém
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