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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um pouco da história do Livro dos Evangelhos - O Evangeliário

O Evangeliário ou Livro dos Evangelhos é o livro litúrgico usado na Santa Missa, e contém os evangelhos para os domingos e festas do Ano Litúrgico, extraído dos livros dos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João.

Ao longo da história, os Evangeliários têm sido valiosos objetos artísticos. Uma especial manifestação da arte das miniaturas desenvolvida principalmente no período carolíngio (751 - 987) e românico (1000 - 1200).

No período carolíngio (751 – 987), criaram-se quatro grandes escolas especializadas na arte em miniaturas sobre os livros litúrgicos.

Escola Palatina: Que no fim do século VIII produziu o Evangeliario da Coronación (Viena), Usado na coroação de Carlos Magno como imperador, do Sacro Império Romano-Germânico, pelo Papa Leão III. Anos depois, este Evangeliario foi encontrado pelo Imperador Otto III que o encontrou ao abrir o túmulo de Carlos Magno no ano de 1000, e durante a Idade Média, foi usado no ritual do juramento de posse dos imperadores do Sacro Império Romano-Germânico, passando a ser conhecido como Evangeliário de Viena ou da Coroação, hoje é preservado em Viena.

Escola de Ada: Relacionada com a Escola anterior, emprega abundantemente o ouro e a prata na confecção dos livros. Destaca-se o Evangeliario de Godescalco, que se conserva na Biblioteca Nacional da França. Foi produzido em Aachen entre 781 e 783, O manuscrito é um dos primeiros exemplos de iluminura carolíngia, caracterizada por um naturalismo decorativo com a fusão de influências cristãs primitivas, bizantinas e insulares, fazendo uso de uma sugestão de tridimensionalidade nas figuras através de técnicas de sombreado.



Escola de Tours: Na Segunda metade do século IX. Gira em torno da figura de Alcuino, parente de Carlos Magno. Pode-se notar influência irlandesa nas obras produzidas por essa escola. Uma derivação desta escola é a Escola da Corte de Carlos I, com exemplares como o Evangeliario de San Emerano de Ratisbona.

Escola de Reims: Já no final do século IX, marca a evolução para o românico e nesse período se destaca o Evangeliario de Ebo.


Já no período românico (1000 - 1200) a produção de livros aumentou enormemente. Em lugar destacado encontravam-se os livros litúrgicos por ter uma luxuosa decoração. Destaca-se nesse período o Evangeliário do Duque Enrique, Príncipe dos antigos reinos da Saxónia e da Baviera, o manuscrito foi produzindo entre os anos de 1175 e 1188.

Na Liturgia, o Evangeliário sempre foi conduzido com muito respeito, reverência e dignidade, geralmente carregado por um Diácono ou ministro ordenado. Na celebração da Santa Missa, é mantido sobre o Altar até a aclamação ao Evangelho, em seguida é levado solenemente ao ambão, ladeado por velas e incensário. Já na sacristia o Evangeliário deve ter lugar de destaque, pois é o livro mais sagrado e precioso da Igreja, preservando assim o respeito, a reverencia e a dignidade.

Por muito tempo, o Evangeliário foi esquecido na Liturgia Romana, mas sempre esteve presente nas Igrejas Orientais. Recentemente, vem sendo utilizado novamente, sobretudo após o Concílio Vaticano II.

O Evangeliário foi publicado oficialmente em 1963, por ocasião da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, pela Biblioteca Apostólica Vaticana, com dedicatória de João XXIII.

Já no ano Santo de 2000 o Papa João Paulo II, apresentou a nova edição do evangeliário e na ocasião exaltou: “O testemunho desta revelação, contido nas Sagradas Escritura e na Tradição, foi confiado pelos Apóstolos a toda a Igreja, que sempre venerou as Escrituras divinas.” (cf. Dei Verbum, 8 e 21). Portanto, “Conforme o antigo costume da tradição litúrgica oriental e ocidental, e segundo o conteúdo do Ordo lectionum Missae, foram reunidos num só livro as leituras evangélicas relativas às várias solenidades e festividades, dispostas à maneira da ordem litúrgica.”

Papa João Paulo II na abertura da porta Santa no Jubileu de 2000, introduzindo o Evangeliário, sinal visível de Cristo

sábado, 6 de novembro de 2010

Um pouco da história do Missale Romanum

Por: Cassio Pessoa

Na metade do século IV, alguns historiadores afirmam a existência de alguns livros litúrgicos, já no final do mesmo século, Santo Ambrósio de Milão, compila das instruções para os recém batizados um livro intitulado, De Sacramentis na qual cita a parte central do Cânon, que é substancialmente idêntica com as respectivas orações do Cânon Romano tradicional, porém um pouco mais curto.
Com o passar dos anos surge a necessidade de um único livro litúrgico mais pleno e abrangente, foi então que no pontificado do Papa Inocêncio III se dá o surgimento deste livro que inicialmente foi usado pelos membros da cúria Romana. Foi compilado sob o nome de Missale Secundum Consuetudinem Romanae Curiae, e logo se espalhou vastamente para o triunfo final do Rito Romano.
De todos os livros litúrgicos o Missal Romano é um dos mais importantes, "um verdadeiro monumento da tradição multissecular católica, jóia literária de perfeita beleza, livro oficial da Esposa de Cristo no ato mais santo do culto”. (PE. REUS, 1944)

A primeira intenção do presente estudo era apenas a de oferecer uma explicação do atual Missal Romano, mas se estendeu em mostrar o surgimento e algumas das inúmeras mudanças que ocorreram no Missal com o passar dos tempos.

Na piedosa idade média foi adornado com ricas miniaturas e ornamentos em profusão e sempre de novo editado, enriquecido com devotas e artísticas ilustrações e vinhetas, foi impresso pela primeira vez em Milão em 1474. A primeira edição oficial data de 1570, a última típica de 1975 (para o Brasil - 1991).

O Missal promulgado pelo Papa São Pio V não é simplesmente um decreto pessoal de Soberania Pontifícia, mas um ato do Concílio de Trento, muito embora o Concílio tenha se encerrado em 4 de dezembro de 1563, antes da comissão ter completado sua tarefa. O material foi enviado ao Papa Pio IV, mas ele morreu antes que o trabalho fosse concluído, assim foi o seu sucessor, o Papa São Pio V, quem promulgou o Missal resultante do Concílio, com a Bula, Quo Primum Tempore, de 14 de Julho de 1570. Porque o Missal é um ato do Concílio de Trento, seus titulo oficial é Missale Romanum ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini Restitutum – “O Missal Romano Restaurado de Acordo com os Decretos do Santo Concílio de Trento.” Esta foi a primeira vez em 1570 anos de história da Igreja que um concílio ou um papa tinham usado a legislação para especificar e impor um rito completo da Missa. Esse é o Missal que é usado hoje na Missa Tradicional do Rito Romano, comumente chamada de Tridentina. (DAVIES, 1997)
São Pio X fez uma revisão, não do texto da Missa mas da notação do Cantochão. O Gradual Vaticano de 1906 contem novas, ou melhor restauradas, formas dos cantos cantados pelo celebrante, e por essa razão a ser impresso no Missal.
Em 1955, o Papa Pio XII autorizou uma revisão de rubrica, sobre tudo relacionada com o calendário. Em 1951 ele restaurou a Vigília Pascal da manhã para a noite do Sábado Santo e em 16 de Novembro de 1955 aprovou o Decreto Maxima redemptionis reformando as cerimônias da Semana Santa.
Papa Beato João XXIII, também fez uma reforma de rubricas mais abrangentes que foi promulgada em 25 de julho de 1960 e entrou em vigor em 1º de Janeiro de 1961. Mais uma vez, estava relacionada principalmente com o calendário e foi incorporado no Missal publicado em 1962. A única mudança feita no Ordinário da Missa foi a abolição do Confiteor antes da Comunhão dos fiéis. Em nenhuma das reformas citadas foi feita qualquer mudança significativa no Ordinário da Missa.
A maior reforma e mais recente nos textos do Missal Romano, aconteceu após o Concílio Vaticano II, onde o Papa Paulo VI, através da Constituição Apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969, que promulgou o atual Missal Romano (1º edição típica de 26 de março de 1970 - 2º edição típica de 27 de março de 1975).
No atual Missal Romano de 1991 (2º edição típica para o Brasil e aprovado pelo Papa João Paulo II) podemos encontrar:
Em seu início, o Missal apresenta uma longa e preciosa introdução contendo a Instrução Geral sobre o Missal Romano, as Normas Universais para o Ano Litúrgico e o Calendário litugico.
Proprium de tempore: Compreende as missas assinaladas para os domingos e férias maiores. Que vai do 1º domingo do advento até a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, concluindo assim a pedagogia litúrgica!
Ordinário da Missa: Partes fixas da missa celebrada com o povo.
Prefácios: O grande número de prefácios com que o Missal Romano foi enriquecido, tem por objetivo desenvolver de diversos modos o tema da ação de graças na Oração eucarística, e realçar os vários aspectos do mistério da salvação (I.G.M.R - 321)

Orações Eucarísticas: Contém as cinco principais orações eucarísticas, entre as quais estar o Cânon Romano e a oração eucarística V (I congresso eucarístico de Manaus - aprovada para o Brasil).
Benções para o fim da missa e orações sobre o povo: Contém as bênçãos que podem ser usadas,à vontade pelo sacerdote, no fim das Missas, da liturgia da palavra, da liturgia das Horas ou dos sacramentos.
Proprium sanctorum: As Missas contidas nesse próprio, podem ser celebradas como votivas, com exceção das Missas de mistérios da vida do Senhor e de Nossa Senhora e de alguns santos, o gral destas celebrações, i. é, solenidade, festa ou memória, estar indicado cada dia. Quando não há indicação trata-se de memórias facultativas.
Formulários comuns: Apresenta uma vasta e rica coleção de Missas votivas, p. ex. os comuns de Nossa Senhora, e por um ou vários mártires dentro ou fora do tempo pascal.
Missas rituais: Os textos litúrgicos são propostos para as celebrações dos: sacramentos da iniciação cristã, nas Missas das Ordenações, no viático, nas Missas pelos esposos, entre outras.
Missas e orações para diversas necessidades: Foram reunidas nesta parte as Missas e orações que podem ser usadas em várias circunstâncias, de acordo com as necessidades ou ocasiões, e contem missas e orações eucarísticas aprovadas especialmente para o Brasil.
Missa defunctorum: Contém as Missas exéquias para as varias necessidade.
Apêndice: Contém a Missa na vigília de pentecostes, rito para a benção e aspeção da água, exemplos para a oração dos fiéis, algumas orações para antes e depois da missa e três orações eucarísticas para a missa com crianças.
Para um melhor desenvolvimento da liturgia, nos é apresentado a instrução geral sobre o Missal romano e as rubricas – as partes escritas em vermelho – ou seja, as leis litúrgicas que regem os ritos e cerimônias da Santa Mãe Igreja que se desenvolveu de acordo com a necessidade de externar melhor o culto a Deus. As rubricas, mesmo impressas com tinta preta, conservaram o nome e a sua importância para o maior decoro da sagrada liturgia.


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As fontes principais para este artigo foram às seguintes obras:
REUS, João: Curso de liturgia. 1944
DAVIES, Michael: A Short History of the Roman Mass. 1997
Instruções gerais sobre o Missal Romano (IGMR). 1991
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