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terça-feira, 12 de abril de 2011
Sobre a Igreja - Ritos: Orientais
Rito Copta
- A Liturgia cóptica é de S. Cirilo (= S. Marcos) em língua saídica e boáirica, dois dialetos da língua egípcia.
- A Liturgia cóptica é de S. Cirilo (= S. Marcos) em língua saídica e boáirica, dois dialetos da língua egípcia.
terça-feira, 29 de março de 2011
Sobre a Igreja - Ritos: Orientais
Rito Bizantino
- A Liturgia bizantina, semelhante na sua ordem à de S. Tiago (Kóssing, Kaulen no Kirchenlexikon, s. v. Liturgie), usa três fórmulas atribuídas a três santos: uma a S. Gregório Magno, outra, breve e mais antiga, a S. João Crisóstomo, a última a S. Basílio, mais extensa e modificada por este santo. Estas duas últimas existem em língua grega entre os gregos, entre os russos em russo, entre os sérvios, rutenos e búlgaros em eslavo antigo, entre os geórgios em geórgio, entre os romenos em romeno.
Além da Liturgia bizantina, também a romana foi traduzida em eslavo antigo por S. Cirilo e está ainda em uso. Em algumas dioceses é permitido escrever os livros litúrgicos, sem mudar o texto, em, glagólico, forma antiga e por isso muito estimada das letras eslavas. Na última edição do missal eslavo (1927) só o cânon é impresso em letras glagolíticas, o resto do missal em letras latinas:
Como se vê, a Liturgia bizantina conquistou grande parte do Oriente. Outrora em vigor na Itália meridional e Sicília, hoje está restringida a poucas dioceses.
terça-feira, 15 de março de 2011
Sobre a Igreja - Ritos: Orientais
Rito Armênico
- A Liturgia armênia, com elementos gregos e mesmo romanos, introduzidos na época das cruzadas.
- A Liturgia armênia, com elementos gregos e mesmo romanos, introduzidos na época das cruzadas.
terça-feira, 1 de março de 2011
Sobre a Igreja - Ritos: Orientais
Rito Maronita
- A Liturgia dos maronitas traz o nome de S. Marão (+ cerca de 423). Tem muitos elementos da Igreja romana: é em língua siríaca antiga.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Sobre a Igreja - Ritos: Orientais e Ocidentais
Divisão dos Ritos
1. Ritos Orientais
2. Ritos Ocidentais
AS LITURGIAS ORIENTAIS
As Liturgias orientais podem-se reduzir a dois grupos, que tomam sua denominação dos centros principais: Jerusalém e Alexandria.
I. O primeiro é o grupo da Liturgia de Jerusalém.
1. A Liturgia chamada de S. Tiago. É, sem dúvida, fundamentalmente obra do primeiro bispo de Jerusalém. Pode ser considerada tipo das Liturgias orientais. (Kössing Kaulen, s. v. Kirchenlexikon.)
2. A Liturgia antioquena. Conhecemo-la só por algumas observações de S. João Crisóstomo. Antioquena é também a Liturgia clementina conservada no livro 8° das "Constituições apostólicas", que são, quanto à redação, obra de teólogo antioqueno feita cerca de 380. Esta desapareceu.
3. A Liturgia jacobítica. Em versão siríaca está em uso nas igrejas dos monofisitas chamados jacobitas, conforme o nome do autor do cisma, Jacó Baradai (+ 578). Contam-se perto de 50 "Liturgias" de menos importância criadas por eles. A Liturgia normal é permitida aos "unidos" com Roma.
4. A Liturgia dos maronitas traz o nome de S. Marão (+ cerca de 423). Tem muitos elementos da Igreja romana: é em língua siríaca antiga.
5. A Liturgia armênia, com elementos gregos e mesmo romanos, introduzidos na época das cruzadas.
6. A Liturgia nestoriana, em Curdistão, na Pérsia, em língua siríaca.
7. A Liturgia caldéia, i. é, o rito dos nestorianos unidos no século 16 com Roma, na Síria, Pérsia, Iraque; tem elementos romanos.
8. A Liturgia siro-malabárica, igual à Liturgia nestoriana. A Liturgia dos "unidos" tem elementos romanos.
9. A Liturgia bizantina, semelhante na sua ordem à de S. Tiago (Kóssing, Kaulen no Kirchenlexikon, s. v. Liturgie), usa três fórmulas atribuídas a três santos: uma a S. Gregório Magno, outra, breve e mais antiga, a S. João Crisóstomo, a última a S. Basílio, mais extensa e modificada por este santo. Estas duas últimas existem em língua grega entre os gregos, entre os russos em russo, entre os sérvios, rutenos e búlgaros em eslavo antigo, entre os geórgios em geórgio, entre os romenos em romeno.
Além da Liturgia bizantina, também a romana foi traduzida em eslavo antigo por S. Cirilo e está ainda em uso. Em algumas dioceses é permitido escrever os livros litúrgicos, sem mudar o texto, em, glagólico, forma antiga e por isso muito estimada das letras eslavas. Na última edição do missal eslavo (1927) só o cânon é impresso em letras glagolíticas, o resto do missal em letras latinas:
Como se vê, a Liturgia bizantina conquistou grande parte do Oriente. Outrora em vigor na Itália meridional e Sicília, hoje está restringida a poucas dioceses.
II. O segundo grupo é o de Alexandria, no Egito.
1. A Liturgia egípcia, atribuída a S. Marcos, fundador da Igreja de Alexandria; é em língua grega. Desapareceu debaixo da influência do patriarcado de Constantinopla. A única em vigor desde então foi a bizantina. A antiga Liturgia de S. Marcos ainda é usada sob o nome de Liturgia de S. Cirilo, traduzida para várias línguas, inclusive a arábica (Melchitas) .
2. A Liturgia cóptica é de S. Cirilo (= S. Marcos) em língua saídica e boáirica, dois dialetos da língua egípcia.
3. A Liturgia etiópica é o monumento mais antigo de Liturgia fixa. Foi escrita no III século com o nome de apostoliké parádosis (tradição apostólica) e é atribuída a S. Hipólito. Estava muito espalhada no Oriente, mas conservou-se só em versão cóptica, e é usada na Etiópia na língua antiga geez sob o nome de "Liturgia dos santos apóstolos"; é a Liturgia normal, ao lado da qual existem cerca de 10 outras.
AS LITURGIAS OCIDENTAIS
As Liturgias ocidentais usam a língua latina. Somente algumas dioceses da Iugoslávia têm a Liturgia romana em versão eslávica antiga, impressa com letra especial, a glagolítica.
A respeito da origem das Liturgias ocidentais escreve o papa Inocêncio I (+ 419) numa carta: "É manifesto que ninguém em toda a Itália, Gália, Espanha, África e ilhas adjacentes fundou igrejas, senão as que o apóstolo Pedro ou seus sucessores estabeleceram como bispos. Daí se segue que estes têm de guardar o que guarda a Igreja romana, da qual, sem dúvida, tiram sua origem." (Eisenhofer, p. 31-39; Gatterer. Ann. lit. p. 31.)
1. A Liturgia galicana, hoje fora de uso, estava muito espalhada antes de Carlos Magno. Chama-se galicana por Causa de seu emprego geral na França (Gália). Assemelha-se em vários pontos às Liturgias orientais; na sua essência, porém, parece rito romano. Os elementos gregos explicam-se mormente pela influência da Liturgia de Milão. Foi abolida por Carlos Magno.
Conforme relata Durandus (V, c. 2, n. 5), coagiu todos os clérigos com ameaças e suplícios a observar a Liturgia gregoriana (romana) e a queimar os livros da Liturgia ambrosiana (galicana). Razão principal teria sido que a Liturgia ambrosiana instituía muitas coisas segundo o rito grego. O papa Adriano I ordenou que a Liturgia romana fosse observada por toda parte. Esta notícia corresponde à situação política. Tanto o papa como Carlos Magno queriam diminuir a influência grega no Ocidente. Por isso Carlos exigia que os sacerdotes fossem examinados, para ver se sabiam de cor e entendiam as orações da missa segundo o missal romano. (Conc. Aq. 802; Hefele K. G_ Ill, p. 744.)
2. A Liturgia ambrosiana, denominada de S. Ambrósio, bispo de Milão, parece também de origem romana com elementos gregos. Estes se explicam pela presença e influência dos gregos em Milão; foi esta cidade por algum tempo residência imperial e sé de um bispo ariano, Auxêncio, natural da Capadócia (séc. IV).
Eugênio IV mandou ao cardeal Branda de Castiglione que introduzisse em Milão a Liturgia romana. Mas o povo, muito apegado a seu rito costumado, exasperou-se tanto que o cardeal viu-se obrigado a fugir às pressas. Ainda é vigente na diocese, de Milão e nalgumas dúzias de paróquias das dioceses de Bergamo, Novara, e do Cantão Ticino (Suíça).
3. A Liturgia mocarábica tem o seu nome dos moçárabes (assim se chamaram os cristãos debaixo do domínio dos árabes na Espanha). A sua Liturgia estava em vigor no reino dos visigodos. Está infiltrada de elementos galicanos.
Temendo os papas pela pureza e união da doutrina católica, procuraram introduzir o rito romano. Grande foi a resistência. Gregório VII, auxiliado pelos príncipes dos reinos cristãos, conseguiu vencê-la. O rito romano foi admitido com grande pompa pela primeira vez no convento de S. João de La Pena, no dia 20 de março de 1071, na presença do legado pontifício Hugo Cândido, do rei D. Sancho Ramirez, dos bispos e de toda a corte. A Liturgia moçarábica conservou-se somente no reino arábico de Granada. Com a conquista desta cidade parecia extinta. Mas o cardeal Ximenes mandou imprimir um missal e um breviário moçárabe e fundou um colégio de sacerdotes encarregados de celebrar numa capela da catedral de Toledo missa e ofício em rito moçárabe. Fundação semelhante foi feita por Rodrigo de Talavera na catedral de Salamanca. Em Toledo existem ainda duas paróquias moçárabes: a das Ss. Justa e Rufina e a de S. Marcos.
Algumas outras Liturgias conhecemos só em fragmentos, ex., a céltica na Gália, a africana na África do Norte.
A LITURGIA ROMANA
Como o rito romano, essencialmente, foi sempre o mesmo, assim o rito de todo o Ocidente foi, essencialmente, como parece, sempre o romano. No desenvolvimento do rito romano podemos distinguir várias épocas de duração aproximada. Esta sistematização não pretende marcar uma interrupção do processo historicamente contínuo, mas facilitar a sua compreensão.
I. A Liturgia romana meio fixa e meio improvisada (c. 100-400). Dos primeiros séculos não possuímos nenhum livro litúrgico do rito romano. A chamada "Tradição apostólica" exarada, como se afirma, em Roma por S. Hipólito, no tempo do papa Calisto (217-222), existe, como foi dito, na versão cóptica. É, porém, incerto, se representa o texto oficial da Igreja romana. Mas pode-se supor que, ao menos, não se afasta muito dela; do contrário teria ofendido os seus partidários.
Este rito é brevíssimo. Principia pelo Sursum corda com prefácio, segue-se uma oração de ação de graças pela redenção (eucaristia), consagração, Unde et memores, epiclese, comunhão. O resto do serviço divino estava entregue ao arbítrio do bispo, contanto que não deixasse a explicação da sagrada escritura, a oração pelas várias classes dos fiéis, a devida preparação da matéria para o sacrifício.
S. Justino mártir (+ 167) diz que o bispo agradece o dom eucarístico "ainda por bastante tempo, na medida da sua força." (Eisenhofer, p. 58. 1. Apol. c. 65, c. 67.) Liturgias semelhantes existiam no século IV, em Antioquia na Síria, "As Constituições Apostólicas" 1. 8; no Egito o eucológio (missal) do santo abade Serapião de Tmuis (+ c. 360).
II. A Liturgia romana toda fixa (c. 400-700). É a época dos sacramentários. O sacramentário era livro litúrgico, usado até ao século 13, que continha principalmente o cânon e as orações mutáveis do ofício; para as lições e cantos era necessário outro livro.
1. O primeiro é o sacramentário leonino, em grande parte obra do papa Leão I (440-461). 175 textos desta coleção litúrgica ainda se acham em nosso missal; falta, porém, o cânon.
2. O gelasiano, na opinião dos célebres liturgistas Tomluasi e Muratori, foi redigido no séc. V, provavelmente pelo papa Gelásio (492-496) mesmo.
3. O gregoriano, que é a base do nosso missal romano moderno. S. Gregório Magno (+ 604) compôs um sacramentário, que, porém, se perdeu; o exemplar completo mais antigo é do ano 812. Aboliu a multiplicidade de ofícios, prescreveu, em lugar das duas, só uma oração cada dia, reduziu os 54 prefácios do gelasiano a 10 e acrescentou alguns ofícios. Destes sacramentários se segue que a Liturgia da missa, ao menos desde o século VII, tem sido sempre, com poucas exceções, a mesma.
III. A Liturgia romana generalizada (c. 700-1500). O papa S. Gregório mandou em 597 para a Inglaterra o monge beneditino S. Agostinho com 40 companheiros. Implantaram a Liturgia romana naqueles reinos, impedindo a propagação da Liturgia céltica, trazida pelos monges irlandeses (Coelho, I, 224).
Da Inglaterra a Liturgia romana passa com os missionários ingleses, S. Vilibrordo e outros, para a Frísia; com S. Ansgário, para a Dinamarca e Suécia, com S. Bonifácio, para a Alemanha e o país dos francos, onde, protegida por Pepino e Carlos Magno, suplantou a Liturgia galicana, aceitando, porém, alguns elementos galicanos. Esta Liturgia da corte tornou-se geral em todos os países do reino dos francos e também em Roma. Nos reinos da península ibérica, a Liturgia romana foi propagada mormente pelos beneditinos de Cluni, que contribuíram para a supressão da Liturgia moçárabe.
IV. A Liturgia romana única (desde 1500). Os sacramentários só continham as fórmulas para a missa solene. As missas privadas, muitas vezes, particularmente no concílio de Treves (1310), proibidas, generalizaram-se; novas festas foram introduzidas e os papas deixaram liberdade nas matérias não contidas no sacramentário romano. Assim, pouco a pouco se formou grande diferença na Liturgia de vários países e dioceses.
Ao concílio de Trento foram dirigidos pedidos no sentido de reformar também a Liturgia e reduzi-la à unidade. Em conseqüência disso o papa Pio V publicou o novo breviário (1568) e o novo missal (1570) para toda a Igreja. Sisto V (1588) instituiu a Congregação dos Ritos, encarregada de fiscalizar e desenvolver o rito romano, de maneira que novos abusos não se pudessem arraigar tão facilmente. As (c. 80) dioceses da França que tinham abandonado a reforma piana e editado livros litúrgicos próprios, no século XIX adotaram a reforma de Pio V. Existe, assim, unidade na Igreja romana.
V. Reforma de Pio X. Este papa introduziu o antigo costume de recitar no breviário, cada semana, todo o saltério, sem tornar o ofício mais comprido e sem diminuir o culto dos santos. (Edição de 1914.) No missal, os domingos, e principalmente as férias maiores da quaresma, ocuparam uma posição mais própria, para favorecer o espírito do ano eclesiástico. (Edição típica de 1920.)
Liturgias romanas antepianas. Pio V tinha abolido só os missais e os breviários que não tinham em seu favor aprovação pontifícia ou costume superior a 200 anos. Por isso conservaram-se algumas Liturgias antigas no Ocidente:
1. O rito monástico dos beneditinos e das ordens da mesma regra.
2. O rito cisterciense dos monges de Cister, reformados pelo abade Cláudio Vaussin em 1641; é bastante diferente do rito romano.
3. O rito carmelitano ou hierosolimitano, empregado pelos carmelitas observantes.
4. O rito dominicano, muito semelhante ao carmelitano; é próprio dos dominicanos.
5. O rito cartusiano, que não difere muito do romano; é próprio dos cartuxos.
6. O rito premonstratense, próprio dos cônegos regulares premonstratenses.
7. O rito da diocese de Braga, próprio da arquidiocese de Braga, em Portugal.
8. O rito da diocese de Lião, na França; é quase todo romano. Todos estes ritos têm missal próprio, breviário próprio, ritual e cerimonial, com exceção do rito monástico, que tem só breviário próprio, e do rito de Lião, que tem só missal próprio. (Piacenza, Liturg., p. 10.)
A Liturgia ambrosiana e a moçárabica já foram mencionadas.
Fonte: REUS, João Batista. Curso de Liturgia. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 1944.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sobre a Igreja - Missa: Centro da Vida da Igreja
Liturgia é simultaneamente a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde emana toda a sua força. (SC 10)
Na última postagem desta nossa coluna "Sobre a Igreja", tratamos acerca da importância dos sacramentos na vida da Igreja, colocamos em maior relevo o "sacramento dos sacramentos", isto é, a Eucaristia. Deste modo, em nossas próximas postagens abordaremos temas relacionados a Santa Missa.
Iniciemos vislumbrando a Santa Missa enquanto centro da vida da Igreja, para começo de conversa devemos nos lembrar de um tema já por nós discutido, a Igreja como o Corpo Místico de Cristo, vimos que como um corpo há necessidade de algo que o alimente, algo que o nutra, esta função é exercida pelos sacramentos e de modo particular e especial pela eucaristia, de fato “no santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo’ . ‘Esta presença chama-se 'real' não por exclusão, como se as outras não fossem 'reais', mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se toma presente completo.’”[1].
Outro aspecto importante acerca da eucaristia é sua dimensão de unidade, de fato somos muitos e muito diferentes um dos outros, por outro lado nos sentamos lado a lado para partilhar do mesmo pão e da mesma refeição, “através da partilha, cria-se comunhão. No pão repartido, o Senhor distribui-se a si próprio”[2] é este pão que alimenta e nos dá força na caminhada, notamos aqui a dimensão católica própria da Igreja, de fato nossa religião está espalhada por toda a terra, por outro lado o pão que é partido do outro lado do orbe é o mesmo que aqui partilhamos, como se todos os habitantes da terra sentassem ao redor da mesma mesa e dela se nutrissem para cumprir sua missão de cristãos.
Deste modo vemos que a eucaristia é também um ponto de partida, ora em todas as atividades que fazemos precisamos antes de mais nada de alimento, e o alimento do nosso peregrinar ao céu é a Eucaristia, é a eucaristia que nos nutre e nos fortalece na caminhada pelas veredas do senhor, é a eucaristia que nos santifica pois nos tornamos um com aquele que morreu por nós a fim de nos santificar, de tal modo que “a Eucaristia é Cristo que se dá a nós, edificando-nos continuamente como seu corpo”[3], sendo assim a eucaristia é também o cume da nossa vida de cristão, afinal é para ele que caminhamos e se nossa caminhada é empreendida com retidão cumprimos a vontade que Deus tem para cada um de nós e glorificamos deste modo a ele.
E por fim o último ponto a se salientar é a Eucaristia enquanto prefiguração do céu, de fato caminhamos para algo maior do que nossa vida aqui na terra, somos “estrangeiros e peregrinos “ (1 Pd 2, 11) para uma realidade perfeita e eterna, deste modo a eucaristia é como nosso referencial pois “o banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final”[4] que partilharemos no céu na presença de Deus e de seus santos.
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Notas
[1] CIC, 1374.
[2] Bento XVI, Homilia da Santa Missa em Coena Domini, 2009.
[3] Bento XVI, Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 14.
[4] Ibidem, 31.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Sobre a Igreja - Sacramentos II
O batismo é a porta para vida da igreja e para os demais sacramentos, pois insere a todos nós na comunidade dos crentes e na vida nova em Cristo, esta vida nova é expressa no próprio rito do batismo, sobretudo pelo batismo de imersão, onde se imerge a pessoa como para vida antiga de pecado e ao emergi-la já não é mais a mesma, pois nasceu para uma vida nova em Cristo, desceu para o sepulcro da imersão e ressurgiu pura e limpa do pecado. Cabe salientar a figura do sacerdote no rito batismal, pois ele como ministro da igreja é apenas um instrumento da graça de Deus de “modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza” [1]
Mas é fato que voltamos a pecar, pois como seres humanos isto faz parte de nossa natureza, por outro lado no sacramento da penitência os fiéis “obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão.” [2] É fato que tal redenção só foi possível pela gloriosa paixão de nosso senhor Jesus Cristo, e a Igreja a dispensa a seus fiéis para reconciliá-los com Deus.
Para que continuemos em estado de graça há necessidade que algo que nos nutra, de algo que alimente a fome de nossa alma, deste modo como é expresso no Catecismo da Igreja Católica a Eucaristia é chamada “sacramento dos sacramentos”, isto deve-se ao fato de ser “a Eucaristia é ‘fonte e ápice de toda a vida cristã’. ‘Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.’”[3], esta presença de Cristo através do véu do pão e do vinho coloca o sacramento da eucaristia em um lugar privilegiado, pois “o modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo’ . ‘Esta presença chama-se 'real' não por exclusão, como se as outras não fossem 'reais', mas porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se toma presente completo.’” [4]
Na maturidade há necessidade de um maior compromisso com Cristo e com a Igreja, sendo assim no sacramento da Crisma, os jovens são configurados e consagrados a Cristo de tal modo que passam a ser “mais perfeitamente vinculados à Igreja, enriquecidos com uma força especial do Espírito Santo e deste modo ficam obrigados a difundir e defender a fé por palavras e obras como verdadeiras testemunhas de Cristo”[5], assim como os discípulos o fizeram a partir do episódio de Pentecostes.
“Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” Gn 2, 24, estas palavras bíblicas falam acerca do matrimônio e da profundidade da relação entre o marido e sua esposa “já não são mais que uma só carne”. De fato “os cônjuges cristãos, em virtude do sacramento do Matrimônio, com que significam e. participam o mistério da unidade do amor fecundo entre Cristo e a Igreja, auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procriação e educação dos filhos, e têm assim, no seu estado de vida e na sua ordem, um dom próprio no Povo de Deus. Desta união origina-se a família, na qual nascem novos cidadãos da sociedade humana os quais, para perpetuar o Povo de Deus através dos tempos, se tornam filhos de Deus pela graça do Espírito Santo, no Batismo. Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um.” [6]
No sacramento da ordem, certos membros da Igreja são tirados do meio dela e novamente devolvidos como seus trabalhadores, de modo que “como ministros que, na sociedade dos crentes, possuem o sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados e exercer oficialmente o ofício sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens”[7], devem assim ser sinais reais da presença de Cristo em suas comunidades, para tal a busca da santidade deve ser um compromisso diário do sacertode, quer para seu próprio bem, como da comunidade que o tem como modelo, fique aqui claro que o único sacerdote da nova aliança é Cristo, e os padres são apenas participantes de seu sacerdócio.
E por fim a unção dos enfermos, que anteriormente era chamada extrema unção. O Concílio Vaticano II optou por retornar a denominar unção dos enfermos justamente pelo fato que tal sacramento não deve ser recebido só a beira da morte, mas em qualquer momento de enfermidade. “Pela santa Unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os salve; mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à Paixão e morte de Cristo, concorram para o bem do Povo de Deus.”[8]
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Notas
[1] Conc. V. II, Constituição Sacrosantum Concilium, nº 7, 1963
[2] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 11, 1964
[3] CIC, nº 1324
[4] Ibidem, nº 1374
[5] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 11, 1964
[6] Ibidem
[7] Conc. V. II, Decreto Presbyterorum Ordinis, nº 2, 1965
[8] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 11, 1964
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sobre a Igreja - Sacramentos I
"Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e, enfim, a prestar culto a Deus" (SC, 59)
O tema que agora nos é proposto são os sacramentos, e o julgo ser o mais importante de todos os que trataremos, pois é a partir deles que a Igreja é nutrida. Para início de conversa, penso que entender os sacramentos não é algo tão inacessível, ao contrário, é extremamente fácil, pois dizem respeito a momentos muito particulares e inerentes a todas as pessoas, isto é, todos nascemos para a vida, como nascemos para vida da Igreja através do batismo, todos pecamos e nos arrependemos, aí vemos o sacramento da penitência, todos nos alimentamos, e mais ainda precisamos alimentar nossa alma através da eucaristia, todos nós em um determinado momento da vida temos que adquirir maturidade, surge aí o sacramento da crisma, todos nós dedicamos nossa vida a uma causa ou a uma pessoa em especial, aí notamos o sacramento da ordem e do matrimônio, por fim todos ficamos doentes e um dia morreremos, nasce aí a unção dos enfermos.
Com bem sabemos, os sacramentos são sete: Batismo, Penitência, Eucaristia, Crisma, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos. E sacramento tem origem na “palavra grega ‘mysterion’ que foi traduzida para o latim por dois termos: ‘mysterium’ e ‘sacramentum’. Na interpretação ulterior, o termo "sacramentum" exprime mais o sinal visível da realidade escondida da salvação, indicada pelo termo ‘mysterium’. A obra salvífica de sua humanidade santa e santificante é o sacramento da salvação que se manifesta e age nos sacramentos da Igreja. Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo difunde a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja, que é seu Corpo. A Igreja contém, portanto, e comunica a graça invisível que ela significa. É neste sentido analógico que ela é chamada de ‘sacramento’” [1]. Deste modo, “Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam. São eficazes porque neles age o próprio Cristo; é ele quem batiza, é ele quem atua em seus sacramentos, a fim de comunicar a graça significada pelo sacramento. O Pai sempre atende à oração da Igreja de seu Filho, a qual, na epiclese de cada sacramento, exprime sua fé no poder do Espírito. Assim como o fogo transforma nele mesmo tudo o que toca, o Espírito Santo transforma em vida divina o que é submetido ao seu poder.” [2]
Veremos em nossa próxima postagem mais especificamente cada um dos sacramentos, começaremos evidentemente pelo batismo, depois discutiremos o sacramento da penitência, o “sacramento dos sacramentos”, o santo Crisma, o sacramento da ordem e do matrimônio e por fim a unção dos enfermos.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sobre a Igreja - Igreja Triunfante, Militante e Padecente
Continuando nossos estudos acerca da natureza da Igreja, abordaremos neste texto o seguinte tema: Igreja Triunfante, Militante e Padecente. Mas para tal, lembremo-nos do tema que tratamos na postagem passada: Igreja Corpo Místico de Cristo, pois o entendimento de tal característica da Igreja é importantíssimo para a compreensão do tema que ora discutimos, pois “Todos os que são de Cristo e têm o Seu Espírito, estão unidos numa só Igreja e ligados uns aos outros n'Ele. E assim, de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo”[1], de fato amigos pelas águas batismais todos estamos unidos a Cristo e uns aos outros, de tal modo que a Igreja é uma só, quer para aqueles que vivem na “Jerusalém celeste”, quer para aqueles que aqui na terra peregrinam, quer para aquelas almas a purificar-se no purgatório.
Por outro lado, pode-se diferenciar a Igreja em Triunfante, Militante e Padecente, pois “enquanto o Senhor não vier na Sua majestade e todos os Seus anjos com Ele, e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido, dos Seus discípulos uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam ‘claramente Deus trino e uno, como Ele é’; todos, porém, comungamos, embora em modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de louvor”[2].
A Igreja Triunfante, como próprio nome pressupõe, é composta por aqueles nossos irmãos mortos, que pela graça de Deus e pela vida que levaram, já gozam das delícias celestes constituindo-se exemplos da vida para nós que ainda peregrinamos, e sendo eles dia e noite a contemplar e glorificar a majestade divina intercedem por nós no céu. Desta Forma “a vida daqueles que fielmente seguiram a Cristo, é um novo motivo que nos entusiasma a buscar a cidade futura e, ao mesmo tempo, nos ensina um caminho seguro, pelo qual, por entre as efêmeras realidades deste mundo e segundo o estado e condição próprios de cada um, podemos chegar à união perfeita com Cristo, na qual consiste a santidade. É sobretudo na vida daqueles que, participando conosco da natureza humana, se transformam, porém, mais perfeitamente à imagem de Cristo, (cfr. 2 Cor. 3,18) que Deus revela aos homens, de maneira mais viva, a Sua presença e a Sua face”.[3]
A Igreja Militante, somos nós, que ainda estamos na caminhada em busca da “Jerusalém Celeste”. Por outro lado, através da “Liturgia da terra participamos, saboreando já, a Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória”[4].
E Por Fim a Igreja Padecente, que se constitui daquelas almas que assim como nós, já aqui peregrinaram, mas pela vida que levaram não puderam entrar na glória celestial, mas Deus em sua inefável misericórdia, não quis perdê-las e por isso elas passam por um tempo onde tem uma nova chance de se purificar para participarem da glória celeste, e por elas devemos rezar, para terem suas culpas expiadas. Desta forma, “Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade desde os primeiros tempos do Cristianismo a memória dos defuntos”, crendo que um dia gozaram dos prêmios celestes.[5]
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Notas
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Sobre a Igreja - Igreja Corpo Místico de Cristo
"A comparação da Igreja com o Corpo projeta uma luz sobre os laços íntimos entre a Igreja e Cristo. Ela não é somente congregada em torno d’Ele, no Seu Corpo. Cabe destacar mais especificamente três aspectos da Igreja-Corpo de Cristo: a unidade de todos os membros entre si pela união com Cristo; Cristo cabeça do Corpo; e a Igreja Esposa de Cristo" (CIC 789).
“A doutrina do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cf. Cl 1,24), recebida dos lábios do próprio Redentor e que põe na devida luz o grande e nunca suficientemente celebrado benefício da nossa íntima união com tão excelsa Cabeça (Cristo), é de natureza tão grandiosa e sublime que convida à contemplação todos aqueles a quem move o Espírito de Deus” [1]. Estas santas palavras do Servo de Deus o Papa Pio XII, elucidam quão importante é a doutrina e a analogia da Igreja como corpo místico de Cristo para própria vivência e entendimento da natureza eclesial.
Para entendermos tal analogia, devemos tomar por ponto de partida a dimensão comunitária própria da Igreja, “O filho de Deus, vencendo, na natureza humana a Si unida, a morte, com a sua morte e ressurreição, remiu o homem e transformou-o em nova criatura (cfr. Gál. 6,15; 2 Cor. 5,17). Pois, comunicando o Seu Espírito, fez misteriosamente de todos os seus irmãos, chamados de entre todos os povos, como que o seu Corpo.” [2] O divino redentor, por seu mistério pascal, não apenas nos redimiu de nossa natureza humana e pecadora, mas, mais do que isso, nos fez participantes de sua divindade, “ Quando ele (Jesus) se encarnou e se fez homem, recapitulou em si mesmo a longa história dos homens e, em resumo, nos propiciou a salvação, de sorte que aquilo que havíamos perdido em Adão, isto é, sermos à imagem e a semelhança de Deus, o recuperamos em Cristo Jesus” [3]. Ao nos adotar como irmãos, fez de toda a comunidade daqueles que o aceitam, um só corpo com ele, sendo ele o cabeça (aquele que governa), e nós seus membros, que embora indignos, continuamos sua obra salvífica.
Deste modo, fica evidentemente clara a natureza da Igreja enquanto comunidade participante da natureza do Cristo, “Nós nos tornamos pela graça aquilo que Deus é por natureza” [4]. Por outro lado, bem sabemos que o Divino redentor já voltou para o Pai a muito tempo, então qual seriam nos dias de hoje os elementos que mantém este corpo ainda unido, ainda a imagem incólume do seu fundador?. A resposta para tal questionamento encontramos no valioso tesouro deixado por Cristo a nós, os Sacramentos, de fato é “nesse corpo (Igreja) que a vida de Cristo se difunde nos que crêem, unidos de modo misterioso e real, por meio dos sacramentos. Com efeito, pelo Batismo somos assimilados a Cristo; ‘todos nós fomos batizados no mesmo Espírito, para formarmos um só corpo’ (1 Cor. 12,13). Ao participar realmente do corpo do Senhor, na fração do pão eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e entre nós. ; ‘Porque há um só pão, nós, que somos muitos, formamos um só corpo, visto participarmos todos do único pão’ (1 Cor. 10,17). E deste modo nos tornamos todos membros desse corpo (cfr. 1 Cor. 12,27), sendo individualmente membros uns dos outros’ (Rom. 12,5).” [5]
Esta unidade na diversidade, apesar de possuir uma realidade misteriosa, é perceptível “porque a Igreja é um corpo visível aos olhos; pois é o Corpo de Cristo, é um corpo vivo, ativo, cheio de seiva, sustentado e animado por Jesus Cristo, que a penetra com sua virtude, como um tronco de uma árvore que alimenta e que faz férteis os ramos que estão a ela unidos. Este princípio de vida sobrenatural que anima a Igreja se manifesta a todos os olhos pelos atos que produz.” [6]
É Jesus que faz sua Igreja sempre atual, sempre unida, sempre perfeita, pois morreu e se entregou por ela a fim de santificá-la. Esta é a Igreja Católica, da que todos somos filhos. Ela foi eternamente desejada, escolhida, amada pelo Esposo Jesus; ela foi desposada quando ele se fez homem e por ela morreu e ressuscitou! Lembremo-nos das palavras do Apóstolo: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la, com o banho da água e santificá-la pela Palavra, para apresentar a si mesmo a Igreja, gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,25-27). Por isso a Igreja será sempre Esposa, será sempre bela, sem mancha nem ruga, será sempre santa, apesar dos pecados de seus membros, ela é a Amada, a Escolhida, a ornada com o a jóia do Espírito Santo.
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Notas
[1] Encíclica Mystici Corporis, 1943
[2] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 7, 1964
[3] S. Agostinho, Contra as Heresias 3, 18, 1. 7
[4] Cirilo de Alexandria, De Trin. Dial
[5] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 7, 1964
[6] Encíclica Satis Cognitum, 1896
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Sobre a Igreja - Igreja Católica Apostólica Romana
Iniciamos com este artigo uma série deles que tratarão acerca da Igreja, para começo de conversa devemos conhecer e compreender seu próprio nome, Igreja Católica Apostólica Romana. Comecemos pelo significado do termo Igreja, Igreja é uma palavra de origem grega escolhida pelos autores da Septuaginta (a tradução grega da Bíblia Hebraica) para traduzir o termo hebraico hal Yahveh, usado entre os judeus para designar a assembleia geral do "povo do deserto", reunida ao apelo de Moisés. Vemos aí, que o termo está intimamente ligado a reunião de pessoas (assembléia), e assim de fato o é, pois é designada como “o povo que Deus convoca e reune em todos os confins da terra, para constituir a assembléia daqueles que pela fé e pelo batismo, se tornam filhos de seus, membros de Cristo e templo do Espírito Santo” [1].
Quanto ao termo Católica, é de origem grega, e “Católica, universal significa segundo a totalidade” [2]. A dimensão católica da Igreja possue duas realidades, a primeira é “porque Cristo está presente nela: ‘onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica’. Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça, o que implica que ela receba d'Ele a ‘plenitude dos meios de salvação’” [3], a segunda dimensão acontece “porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano” [4], isto é “Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos” [5]
Quanto ao termo Católica, é de origem grega, e “Católica, universal significa segundo a totalidade” [2]. A dimensão católica da Igreja possue duas realidades, a primeira é “porque Cristo está presente nela: ‘onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica’. Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça, o que implica que ela receba d'Ele a ‘plenitude dos meios de salvação’” [3], a segunda dimensão acontece “porque Cristo a enviou em missão à universalidade do gênero humano” [4], isto é “Todos os homens são chamados a fazer parte do povo de Deus. Por isso, permanecendo uno e único, este povo está destinado a estender-se a todo o mundo e por todos os séculos” [5]
Quanto ao termo Apostólica, é de origem grega, e seu significado é “enviado”, “Jesus é o Enviado do Pai. Desde o início de seu ministério ‘chamou a si os que quis, e dentre eles escolheu Doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar’ (Mc 3,13-14). A partir daquela hora eles serão os seus 'enviados'. Neles continua a sua própria missão: 'Como o Pai me enviou, eu também vos envio' (Jo 20,21). Seu ministério é, portanto, a continuação de sua própria missão: 'Quem vos recebe a mim recebe', diz ele aos Doze (Mt 10,40)”.[6] Deste modo, “Toda a Igreja é apostólica na medida em que, por meio dos sucessores de São Pedro e dos apóstolos, permanece em comunhão de fé e de vida com sua origem. Toda a Igreja é apostólica na medida em que é ‘enviada’ ao mundo inteiro; todos os membros da Igreja, ainda que de formas diversas, participam deste envio. ‘A vocação cristã é também por natureza vocação ao apostolado.’ Denomina-se ‘apostolado’ ‘toda a atividade do Corpo Místico’ que tende a ‘estender o reino de Cristo a toda a terra.’” [7]
E por fim, o termo Romana, que dentre os demais é o mais fácil de entender, pois bem sabemos da importância da cidade de Roma para o cristianismo nascente, de tal modo que foi nela que muitos mártires entregaram seu sangue por amor a Jesus Cristo, cabe destacar dentre estes mártires as figuras dos Apóstolos Pedro e Paulo. Desta forma, a Igreja é assim designada por ter sido naquela cidade que seus grandes patriarcas morreram, e de onde se propagou a fé cristã para o mundo ocidental.
Por fim, indico que assistam este belo vídeo, que de modo bem claro explica o significado e a missão da igreja no mundo:
* por João Antônio Lima
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Notas
[1] Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº 156
[2] Isidoro de Sevilha, Etym. 8, 1, 1.
[3] CIC, nº 830
[4] Ibidem, nº 831
[5] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 13, 1964
[6] CIC, º 858
[7] Ibidem, º 863
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