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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Breve História da devoção à Nossa Senhora de Nazaré

O nosso coração mariano e paraense já se enche de alegria, pois se aproxima nossa grande festa, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Se por um lado muitos são os devotos, por outro poucos destes conhecem a história desta devoção. Neste sentido, apresentaremos de modo breve os caminhos singrados até o círio tornar-se o que é hoje. 

A tradição sugere que a pequena imagem foi esculpida por São José, na presença da Virgem Maria, por isso ela foi chamada de Nazaré, já que esta era a cidade na qual a sagrada família fez morada. A imagem foi levada à Belém de Judá por um monge que fugia da perseguição romana, chegando lá entregou a imagem a São Jerônimo. Sendo perigoso mantê-la na palestina, ela foi entregue a Santo Agostinho que a enviou para um mosteiro em Mérida na Espanha. 

Três séculos depois, início do século VIII, a imagem teve que ser retirada da Espanha por causa da ocupação dos mouros, tendo sido seu novo destino Portugal, mais precisamente o monte de São Bartolomeu. Neste lugar a imagem ficou escondida por cerca de quatro séculos, quando na manhã de 14 de setembro de 1182, dom Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porto de Moz e amigo do rei Dom Afonso Henrique, caçando um cervo que fugia em disparada, deparou-se a um abismo. Em meio ao grande perigo que estava, clamou a intercessão da Virgem de Nazaré: “Valei-me Nossa Senhora de Nazaré!”. Após a exclamação, o cavalo volteou com violência sobre os cascos traseiros evitando a queda mortal, após o milagre obtido pela intercessão da santíssima virgem, dom Fuas mandou construir uma capela naquele mesmo lugar em honra daquela por cuja intercessão sua vida tinha sido poupada. Após o milagre, a capela tornou-se centro de peregrinação de reis e navegadores, destaca-se o navegador Vasco da Gama, que antes de sua viagem para as índias, recorreu à intercessão da virgem. 

Mudemos agora de tempo e lugar, estamos por volta de 1700 e o protagonista não é mais um nobre fidalgo português, mas um caboclo amazônico chamado Plácido José dos Santos. Este em meio a suas caminhadas pela mata, que eram certamente costumeiras, já que segundo a tradição Plácido era caçador, achou entre as pedras do igarapé Murutucu uma pequena imagem, que tratou de levar para casa. No dia seguinte para a sua surpresa a Imagem não estava onde ele havia deixado, ele então correu ao local onde a havia achado e lá estava ela, após inúmeras tentativas fracassadas de mantê-la em sua casa decidiu construir uma pequena capela naquele local. Temos aí a primeira Igreja de Nazaré, a atual, que se seguiu a outras construídas no mesmo local daquela que o caboclo Plácido edificou, foi concluída em meados do século XX. Em seu interior, enriquecido por belos mosaicos e vitrais, temos contada a história da Virgem Maria e da sua invocação sob o nome de Nazaré. 

Após o achado da imagem, a devoção popular imediatamente começou, pois lá era caminho de muitos viajantes, já que o lugar era próximo da “Estrada do Utinga”, fato que ajudou a propagar a devoção que ali se iniciava. Pouco mais de vinte anos depois, o bispo da época Dom Bartolomeu de Pilar esteve na capela atraído pela grande devoção que ali se consolidava, na ocasião, Plácido sugeriu ao bispo a construção de uma nova igreja, cuja sugestão foi prontamente aceita, sendo erguida entre 1730 e 1744. 

No ano de 1793, o governador Sousa Coutinho tendo observado o já grande número de peregrinos que se dirigiam a Igrejinha para venerar a Virgem de Nazaré, teve a ideia de organizar uma grande feira com produtos agrícolas e extrativistas para serem comercializados no período em que se costumava celebrar a festa (mês de agosto). Porém, em junho de 1793 este fica doente, condenado a não comparecer a festa, fez a promessa que se caso melhorasse, iria buscar a imagem, levá-la para a capela de seu palácio e depois voltaria com ela para a sítio de Nazaré. Graça alcançada, promessa cumprida. Temos então em 8 de setembro de 1793 o primeiro Círio de Nazaré. O termo "Círio" tem origem na palavra latina "cereus" (de cera), que significa vela grande de cera, objeto comumente usado para se pagar promessas. 

Em três de julho de 1793, o governador determina que no final de setembro de cada ano se organizasse festejos em honra a Nossa Senhora de Nazaré no largo de sua ermida, devendo a imagem na véspera ser levada a capela do palácio dos governadores (hoje Palácio Lauro Sodré) a fim de ser transferida no dia seguinte novamente para sua ermida, surge aí a primeira procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que segundo o historiador Antonio Baena, teve a seguinte configuração “devotos de ambos os sexos concertados em alas, uma de mulheres em seges, e duas de homens a cavalo, e que ele (Governador) pessoalmente se adunaria a este religioso séquito indo também a cavalo logo após o veículo com a imagem” (cf. Compendio das Eras da Província do Pará, p. 227). 

Observamos assim que o primeiro itinerário do Círio foi entre Igreja de Nazaré e Capela do Palácio dos Governadores, sendo este modificado em 1882 pelo bispo Dom Antônio de Macêdo Costa, que de acordo com o Presidente da Província, Dr. Justino Carneiro, determinou que a partida do Círio fosse da Catedral do Bispado, em Belém. Para os que não sabem, a Catedral é assim denominada pela razão de ter em seu interior a “cátedra”, cadeira de onde o bispo diocesano como pastor, guia suas ovelhas. A Igreja que hoje vemos tem a mesma localização de uma construída logo que os portugueses por aqui aportaram, a atual edificação foi inaugurada em 23 de dezembro de 1755 e seu interior foi reformado por Dom Macedo Costa no final do século XIX. 

Quanto à data, inicialmente estabelecida para final de setembro, o que não acontecia de fato, pois a procissão por vezes se realizava entre setembro, outubro e até novembro. Em 1876 um decreto fixou o último domingo de outubro para a festa. Em 1901 o então bispo dom Francisco do Rêgo Maia colocou em prática essa ordem que posteriormente foi modificada para sua data atual, segundo domingo de outubro. 

Após a imagem da Virgem Santíssima, é certamente a corda um nos maiores objetos de devoção dos fiéis. Sua origem remonta o ano de 1885, quando na hora da procissão, a baía do Guajará tinha transbordado, para que a berlinda (que era puxada por bois) pudesse avançar, tiveram a idéia de lhe passar uma grande corda em volta, pedindo aos fiéis que a puxassem, dessa forma a berlinda pôde vencer o atoleiro e assim constituiu-se a tradição de atrelar uma corda a berlinda. 

Os Carros são elementos muito significativos na procissão do Círio de Nazaré. A berlinda incontestavelmente é o carro mais importante, pois carrega a pequena imagem. Inicialmente ela não existia, pois a imagem era levada no colo pelo bispo, quando a berlinda foi incorporada a procissão esta era puxada por bois e depois pela corda. Sua função é proteger a imagem e proporcionar uma melhor visualização da mesma. Além da Berlinda, temos na romaria a presença de outros carros que foram surgindo em tempos distintos. Estes retratavam vários episódios ligados a devoção a Virgem de Nazaré, como o milagre de Dom Fuas Roupinho, que já relatamos, e o do brigue São João Batista. Há ainda os carros que retratam aspectos da fé católica como o da Santíssima Trindade e os Anjos. Além da barca dos milagres, que recolhe os objetos em cera levados pelos devotos no cumprimento de suas promessas. 

Concluo estas breves considerações com o que é, talvez, o elemento que mais nos remonta as realidades do Círio de Nazaré, os Hinos em devoção a Santíssima Virgem. Os hinos se constituem na Igreja em um dos mais importantes elementos de devoção e propagação das verdades de fé, ao ouvi-los logo nos remetemos ao que a música visa comunicar. O som de “Vós Sois o Lírio Mimoso” inevitavelmente nos remonta ao Círio, a imagem daquela pequenina escultura envolta por um mar de gente. Colocamos abaixo a estrofe de um belíssimo e antigo hino em honra a Nossa Senhora de Nazaré, façamos dele nossa afetuosa oração a mãe de Deus e nossa:

Porta do céu vós sois chamada,
Mimosa flor de Jessé,
Vós sois a nossa rainha,
Ó virgem de Nazaré! 


Estrofe do Hino Bendita Sois Maria, publicado do Jornal A Palavra, no dia 10 de outubro de 1926.

*por João Antônio Lima

REFERÊNCIAS

BAENA, Antonio Ladislau Monteiro. Compêndio das Eras da Província do Pará. Belém: Universidade Federal do Pará, 1969.

BRAGA, Laíses do Amparo. Duzentos anos de fé. Belém: Editora Falângola, 1992.

COELHO, Geraldo Mártires. Uma crônica do maravilhoso: legenda, tempo e memória no culto da virgem de Nazaré. Belém: Imprensa Oficial do Estado, 1998.

JORNAL A PALAVRA, publicado em 10 de outubro de 1926.

RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia Eclesiástica do Pará. Belém: Editora Falângola, 1985.

REVISTA CÍRIOS DE NAZARÉ. Belém: Editora Círios, 1997.

Milagre de D. Fuas Roupinho
Antiga Igreja de Nazaré, final do séc. XIX

Atual Igreja de Nazaré, início do séc. XX
Círio na década de 40

Entrada do Círio no Arraial de Nazaré, de Carlos Custódio de Azevedo, 1905

Círio de Nazaré - Déc. 40

Festejos no Arraial de Nazaré

Saída do Círio de Nazaré - Déc. 40

Saída do Círio de Nazaré - Déc. 40


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Dom Joaquim Gonçalves de Azevedo

Dom Joaquim Gonçalves de Azevedo
Retornamos hoje com nossa coluna “Um pouco da História de nossa Arquidiocese” com um fato que é mais uma curiosidade, pois se trata da primeira sagração episcopal em nossas terras. Isto é, trata-se da primeira vez que um padre foi elevado a plenitude do sacerdócio na amazônia, como não poderia ser diferente, esta cerimônia se deu na Catedral de Belém, sendo sagrado bispo o Cônego Joaquim Gonçalves de Azevedo.

Joaquim Gonçalves de Azevedo nasceu em 19 de fevereiro de 1814 em São Francisco Xavier de Turi-Açu, Maranhão. Foi ordenado sacerdote em 19 de abril de 1837 pelo bispo do Pará Dom Romualdo de Souza Coelho, sendo elevado a Vigário Geral de Belém em janeiro de 1862 por Dom Antônio de Macedo Costa. Em 25 de setembro de 1865 é nomeado 7˚ bispo de Goiás, sendo sagrado em julho de 1866 por Dom Antônio de Macêdo Costa, tendo como assistentes Dom Luís Antônio dos Santos, bispo do Ceará; e Dom Manoel Antônio Medeiros, bispo de Pernambuco. Ficou como bispo de Goiás até 19 de dezembro de 1876 quando foi nomeado 18˚ Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, recebeu o pálio arquiepiscopal em 29 de abril de 1877 e faleceu dia 6 de novembro de 1879 aos 65 anos. Vale ressaltar que quando de sua morte ainda era bispo do Pará seu sagrante Dom Antônio de Macêdo Costa, este que em 26 de junho de 1890 veio a sucedê-lo no sólio de primaz do Brasil.

Referências:

ROCHA, Hugo de Oliveira. A Catedral de Belém: Resumo Histórico e momento atual. Belém: Editora Falangola, 1992, p. 136.

RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia Eclesiástica do Pará. Belém: Editora Falângola, 1985.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - O Primaz Paraense

Dom Romualdo Antônio de Seixas

Certamente muitos já ouviram falar de Dom Romualdo de Seixas, sobretudo no que se refere ao trânsito, porque é assim denominada uma importante rua de nossa cidade. Tal homenagem é mais do que justa, porém, muitas pessoas inclusive da igreja desconhecem a história deste grande paraense, que é até hoje o que mais alto chegou na hierarquia da Igreja, chegando a Primaz do Brasil.

D. Romualdo Antônio de Seixas, 17º Arcebispo da Bahia (Primaz do Brasil), depois Conde (2 de dezembro de 1858) e Marquês de Santa Cruz (14 março de 1860). Filho de Francisco Justiniano de Seixas e D. Ângela de Sousa Bittencourt Seixas, nascido em Cametá, Província do Pará, a 7 de fevereiro de 1787.

Recebeu as primeiras letras sob a supervisão do seu tio, o bispo D. Romualdo Coelho de Sousa, que na altura ainda era cônego e secretário do então bispo Dom Manuel de Almeida de Carvalho. O jovem Romualdo de Seixas foi concluir seus estudos em Lisboa, na Congregação do Oratório, onde teve por um de seus mestres o padre Theodoro de Almeida, o célebre autor das "Recreações Filosóficas". De volta à Província do Pará, por ocasião da abertura da aula pública de filosofia, com dezoito anos de idade, fez um discurso que impressionou o auditório e as autoridades presentes. Aos dezenove anos, com a primeira tonsura, foi nomeado mestre de cerimônias do Sólio e começou a lecionar no Seminário Episcopal as matérias de Latim, Retórica e Filosofia; aos vinte e um anos tomou ordens de sub-diácono e estreou na tribuna sagrada por adoecer o orador, improvisando o panegírico de S. Thomaz de Aquino; aos vinte e dois anos, tendo ordens de diácono, foi para a Província do Rio de Janeiro, acompanhado de outro jovem eclesiástico, em comissão do bispo do Pará, para, em seu nome, cumprimentar a família real e tratar de importantes assuntos da sua diocese, regressando com a nomeação de cônego da Sé paraense e a de Cavaleiro da Ordem de Cristo; aos vinte e três recebeu ordens de Presbítero, foi nomeado pároco de sua cidade natal (Cametá) e logo a seguir vigário-geral da província, sendo mais tarde, por morte do diocesano, vigário capitular. Foi eleito presidente da Junta provisória Governativa da Província do Pará por duas vezes, em 1821 e em 1823.

Coroação de Pedro II - Lhe impõe a coroa D. Romualdo de Seixas



















Nomeado arcebispo da Bahia a 12 de outubro de 1826, foi sua nomeação confirmada pelo Papa Leão XII a 20 de maio de 1827, sendo realizada sua sagração na Província do Rio de Janeiro pelo bispo diocesano Dom José Caetano da Silva Coutinho a 28 de outubro deste mesmo ano. Tomou posse do cargo por procuração a 31 de janeiro de 1828, e a 26 de novembro do mesmo ano deu sua entrada na Província da Bahia.  Em 1841, presidiu a solenidade da sagração do Imperador D. Pedro II, como metropolita e primaz do Brasil. Agraciado por D. Pedro I com o título de Pregador da Capela Imperial e com a Grande Dignitária da Ordem da Rosa; foi por D. Pedro II agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, com o título de Conde e depois com o de Marquês de Santa Cruz; era sócio da Academia Real das Ciências de Munique, do Instituto de África em Paris, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de muitas outras sociedades de ciências e letras. Muito inteligente e ilustre figura, era dotado de excessiva modéstia, de trato ameníssimo, de bondade evangélica, de todas as qualidades, enfim, que exaltam, fazem veneranda e amável a criatura humana.

Foi eleito Deputado pela Província do Pará para a 1ª legislatura no período de 6 de maio de 1826 a 3 de setembro de 1829 (posse em 6 de maio de 1826). Foi eleito Deputado pela Província da Bahia para a 3ª legislatura no período de 3 de maio 1834 a 15 de outubro de 1837 (posse a 12 de maio de 1834), tendo sido substituído no período de 3 de maio a 25 de outubro de 1835. Foi eleito Deputado pela Província do Pará para a 4ª Legislatura no período de 3 de maio de 1838 a 21 de novembro de 1841 (posse em 17 de maio de 1838), sendo substituído no período de 3 de maio de 1839 a 15 de setembro de 1840. Foi Presidente da Câmara dos Deputados de 3 de julho de 1828 a 4 de maio de 1829, e de 4 de maio a 3 de agosto de 1841.

Recebeu os títulos de Conde de Santa Cruz a 2 de dezembro de 1858 e Marquês de Santa Cruz a 14 de março de 1860.


Fonte: Texto adaptado do Portal da Câmara dos Deputados

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Jornal Voz de Nazaré



Fundado em 1913 pelo padre barnabita Florence Dubois para divulgar as atividades da Paróquia de Nazaré, o jornal Voz de Nazaré passou a ser administrado pela Fundação Nazaré de Comunicação, a partir de 2 de janeiro de 2003, quando a instituição, representada pelo então arcebispo Dom Vicente Zico, recebeu a transferência dos direitos do periódico.

Conhecido como o jornal católico da família, a Voz de Nazaré adota uma linha jornalística que visa à publicação de matérias voltadas para o interesse da comunidade católica de Belém, do Pará, do Brasil e do mundo, noticiando os principais fatos envolvendo a Igreja Católica.

Há por parte do jornal a preocupação com os problemas sociais locais, que são manifestados em reportagens publicadas com o objetivo de apontar os principais problemas enfrentados pela população e as possíveis soluções, sempre enfocando os princípios da Doutrina Social da Igreja e valorizando a dignidade do ser humano. Também é incentivada a cultura regional, com notícias e reportagens sobre atividades em diversas áreas artísticas.

A edição semanal é lida por cerca de 25 mil pessoas. Com circulação às sexta-feiras, a Voz de Nazaré possui distribuição entre os assinantes e pode ser encontrada nas principais bancas da cidade por R$ 1,00, na própria Fundação Nazaré de Comunicação, em todas paróquias da Arquidiocese de Belém, além de outras localidades do Pará.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - A Questão Religiosa

D. Antônio de Macêdo Costa, décimo bispo do Pará (1860-1890)

Desde o período colonial a atividade eclesiástica no Brasil era regulada pelo estado, isto se devia ao chamado padroado régio, privilégio dispensado pela Santa Sé às coroas portuguesa e espanhola que dava a estas livres poderes acerca do exercício da religião (nomeação de bispos, ingerência nos negócios da igreja) em troca do financiamento da atividade missionária e eclesiástica, com a independência do Brasil este privilégio foi mantido e se perpetuou em todo o período imperial.

A partir da segunda metade do século XIX, no entanto, uma geração de sacerdotes influenciada pela supressão dos estados papais (Questão Romana) passou a contestar a ação do estado, entendendo-o com empecilho para a propagação da fé católica, vale ressaltar que esta geração de padres desejava autonomia nas deliberações religiosas e não a separação Igreja/Estado. Dentre estes, podemos destacar D. Antônio de Macêdo Costa, que teve sua formação sacerdotal no conhecido Seminário de São Sulpício na França, berço do ultramontanismo. Imbuído destes ideais apreendidos no Seminário, assumiu o bispado do Pará em 1861 e logo começou as reformas em vista de “romanizar” a Igreja lhe dada para pastorear.

Há de se observar que neste período de extremo mal estar para a realidade temporal da Igreja, com a unificação italiana, vários documentos pontifícios foram publicados em vista de ratificar a autoridade papal e os dogmas da Igreja tão combatidos pelo liberalismo e racionalismo em voga na época. Destaca-se a encíclica Quanto conficiamur moemore publicada em 10 de agosto de 1863 que condenava os erros do tempo presente; a Enciclica Quanta cura e seu anexo Syllabus errorum publicados em 1864 que condenava a Maçonaria. Na esteira destes documentos, em 25 de março de 1873 D. Antônio de Macêdo Costa publica uma carta pastoral exortando seus diocesanos a renunciarem a maçonaria e determina que estes não fizessem parte desta associação. Frente à negativa da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos e das Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Monte do Carmo e de São Francisco da Penitência decreta a interdição a divinis das mesmas, isto é, o caráter espiritual da irmandade e não sua configuração como agremiação secular.

As irmandades recorreram ao Conselho de Estado em vista de obter a revogação das interdições, o estado imperial agiu em vista de consegui-las decretando que D. Macêdo Costa deveria revogá-las. Em 4 de outubro de 1873 o bispo declara ao ministro de Estado que não reconhece a intromissão da Coroa em assuntos eclesiásticos e nega e revogação dos interditos. No entendimento da Coroa sendo o bispo um funcionário do estado e não obedecendo uma determinação da Coroa, este incorria no crime de Desobediência, fato que em 28 de abril de 1874 o  levou a prisão.

O conflito terminou em 17 de setembro de 1875, onde após longos debates no Conselho de Estado foi anistiado D. Macêdo Costa e seu colega D. Vital Maria Gonçalves também protagonista da Questão Religiosa.

* por João Antônio Lima


Fontes Bibliográficas

LUSTOSA, Dom Antônio de Almeida. Dom Macêdo Costa (bispo do Pará). Belém: Secult, 1992.
MORAES, E. Vilhena de. A Anistia aos bispos, na Questão Religiosa, perante o conselho de estado.
MONNERAT, Patrícia Carvalho Santório. Festa e Conflito: D Antônio e a Questão de Nazaré (1861-1878). Niterói: Dissertação de Mestrado apresentada a Universidade Federal Fluminense, 2009.
PEREIRA, Nilo. Dom Vital e a Questão Religiosa. Recife: Arquivo Público Jordão Emerenciano, 1986.
RAMOS, D. Alberto Gaudêncio Ramos. Cronologia Eclesiástica do Pará. Belém: Editora Falângola, 1985.
VIEIRA, David Gueiros. O Protestantismo a Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil. Brasília: Editora UNB, 1980.
VILLAÇA, Antônio Carlos. História da Questão Religiosa no Brasil. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1974.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Hino Arquidiocesano das Vocações Sacerdotais

Nesta manhã, logo em breve, Sua Exc. Revm. D. Alberto Taveira celebrará com todo o clero de Belém a Missa Crismal, onde se abençoará os santos óleos e se fará a renovação das promessas sacerdotais. Neste ensejo é muito conveniente resgatarmos um canto que é comumente entoado nesta referida celebração, o “Hino Arquidiocesano das Vocações Sacerdotais”.

O Hino cujo autor da letra é desconhecido, havendo hipóteses deste ser D. Mário de Miranda Vilas-Boas (6˚ Arcebispo Metropolitano), foi musicado a pedido do suposto autor pelo Maestro Luiz Silvério de Oliveira Maia, sacerdote afastado espontaneamente do ministério no início dos anos 50. Eis a letra:

HINO ARQUIDIOCESANO DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS

Letra: Autor desconhecido

Música: Maestro Luiz Silvério de Oliveira Maia

Eis aqui, ó Senhor, vosso povo

Reunido em comum oração

Dai-nos santos e bons sacerdotes

Chamas Vivas de Fé e de Ação


Ó Jesus, verbo eterno do Pai,

Sacerdote da Nova aliança,

Vocações para o altar suscitai

Só do Altar vem a paz e bonança


Sacerdotes e mais sacerdotes

Enviai para o altar ó Jesus!

Para que haja na terra um incêndio

Que o amor ateou desde a cruz


Se Belém é a casa do pão

Ó Jesus de Belém de Judá,

Que não faltem padres à mesa

De Jesus de Belém do Pará.


Abençoa o teu seminário,

Mãe de Deus, virgem da Conceição,

Seja ele o altar, o sacrário,

A esperança do povo cristão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Cemitério Santa Izabel

Na última postagem de nossa coluna “um pouco da história de nossa Arquidiocese”, fizemos alguns apontamentos acerca do Cemitério Nossa Senhora da Soledade, sobre o que lá escrevemos, vale lembrar do pouco tempo, cerca de 30 anos, em que este serviu a população belemense. Com o fechamento deste, se mandou construir o Cemitério Santa Izabel, que a época ficava cerca de uma légua da cidade, o que não ameaçava a higiene pública, fato este que foi uma das razões do fechamento do Cemitério da Soledade.

Por outro lado, o Cemitério Santa Izabel começou a ganhar as feições que tem hoje a partir de 1890, quando pelo decreto 789 os cemitérios passaram a ser geridos pelo poder público e não eclesiástico, sendo assim passou da tutela da Santa Casa de Misericórdia para as mãos da Intendência (Prefeitura) Municipal de Belém. Na ocasião, o campo santo ganhou tamanho com várias desapropriações empreendidas pelo intendente Senador Antônio Lemos, bem como ganhou Capela que hoje conhecemos.

O Cemitério tem por Pórtico uma grande estrutura em ferro, onde inicia uma alameda ladeada por árvores e jazidos dos mais belos onde repousam a espera da ressurreição os restos de ilustres figuras, a alameda de cerca de 15 metros termina em uma capela gótica, onde dentro há um único nicho e ao centro um apoio para se colocar o féretro para a encomendação.

Apesar de atualmente a área ao redor do cemitério ser densamente povoada, este continua em franco funcionamento, já tendo ultrapassado a marca de um século, o que o coloca bem a frente de seu antecessor.

Capela do Cemitério - início do séc. XX
Fontes:


Albúm de Belém-Pará. Belém: Edição F. A . Fidanza, 1902.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Cemitério da Soledade

Ao passarmos pela Av. Serzedêlo Corrêa, entre a Av. Gentil Bittencourt e a Av. Conselheiro Furtado, um detalhe nos salta aos olhos, isto acontece primeiramente pois tal lugar nos relembra um fato que acomete a todos de modo indistinto, a morte; secundariamente nos chama a atenção pela beleza de seus jazigos e sepulturas, que testemunham através de seus traços artísticos o modo dos antigos verem tal realidade. Por outro lado, no presente texto nos reteremos a apresentar aspectos importantes da criação e interdição do Cemitério Nossa Senhora da Soledade.

Ao fundo o Pórtico de Cemitério, final do séc. XIX
Em 14 de janeiro 1801, o governo do Pará autorizado por carta régia tratou de escolher um local afastado da cidade para a construção de um Cemitério. Na época existia um Cemitério no Largo da Pólvora (hoje praça da República), que após a carta régia foi ampliado; por outro lado, a população mantinha enraizado o secular costume de fazer enterramentos no interior ou proximidades de Igrejas, ficando os cemitérios apenas destinados aos escravos e pessoas desprotegidas.

No ano de 1850, nossa cidade foi alastrada pelo vírus da Cólera e da febre amarela, a primeira trazida para cá pela barca dinamarquesa Pollux. Com as epidemias o então governador Cons. Jerônimo Francisco Coelho, na tentativa de impedir o maior alastramento dos vírus proibiu em meio a muitas reclamações os sepultamentos em Igrejas. A prática desta medida começou em 25 de março de 1850. Como conseqüência desta ordem, ordenou-se a construção de um cemitério regular, estabelecido em um terreno alguns anos antes adquirido pela Câmara Municipal de Belém, o governador mandou cercá-lo e edificar nele uma capela a qual deu a invocação de Nossa Senhora da Soledade. Foi assim constituído o segundo cemitério público de Belém, deixando o primeiro (o do largo da pólvora) entregue a todos os tipos de profanações, profanações estas que levaram o então bispo D. Afonso de Moraes Torres a mandar escavar o antigo campo santo e trasladar os ossos ali encontrados para o novo cemitério.

Por outro lado, dentro de poucos anos a nova necrópole apresentou dois graves inconvenientes: o primeiro era seu tamanho diminuto que não dava conta da crescente população, e o segundo a localização próxima ao centro da cidade já muito habitado. Estas e outras razões higiênicas determinaram a interdição do cemitério, que já em 1874 foi considerado insuficiente pela santa Casa de Misericórdia, instituição a quem era incumbida à administração do cemitério. 
Algumas sepulturas e jazigos, começo do séc. XX
Entre os mausoléus lá localizados, se destaca o do General Hilário Maximiliano Gurjão, importante combatente na Guerra do Paraguai; o de Vicente Antônio de Miranda, comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Imperial Ordem da Rosa, que deixou um vultoso legado à Santa Casa de Misericórdia do Pará, com o qual foi possível a construção do pórtico e do gradeamento da Soledade; o do Cônego Siqueira Mendes; e do capitão Joaquim Vitorino de Sousa Cabral idealizador do cemitério.

Fontes:

Albúm de Belém-Pará. Belém: Edição F. A . Fidanza, 1902.
Álbum Belém da Saudade. 2ª ed. Belém: Secult, 1998

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Estátua de D. Frei Caetano Brandão


Quem de nós nunca se pôs a contemplar a Estátua de D. Frei Caetano Brandão? A contemplar a perfeição de sua feitura e a força em seus traços ao abençoar nossa Igreja-Mãe. Eu já me pus e julgo não ser o único, por isso, preparei este texto em vista daqueles que por vezes já se depararam com ela, e aqueles que ainda não a viram, possam saber um pouco mais deste monumento que com certeza é um pouco da história de nossa Arquidiocese.

Na sessão do Conselho Municipal de 21 de março de 1899, o conselheiro Dr. Lyra Castro, enviou a mesa a proposta da ereção de uma escultura em vista de homenagear D. Frei Caetano Brandão. Depois de aprovada, foi com todas as formalidades legais publicada sob o número 54 pelo Sen. Antônio José de Lemos, intendente municipal. O intendente contratou o ilustre pintor De Angelis, a 24 de março incumbindo-lhe a feitura da estátua e tudo mais que lhe fosse concernente, sob o valor de 50 mil francos.

Largo da Sé, antes da reforma e urbanização.
Por outro lado, embora o desenho da estátua tenha sido de De Angelis, os trabalhos do monumento não puderam ser por ele ultimados, pois havia adoecido gravemente em uma viagem que fez a cidade de Manaus, doença esta que o levou morte. O pintor Giovanni Caprenesi, amigo e sócio de De Angelis, continuou a obra esboçada, cuja execução foi confiada ao escultor E. Quatrini. O desenho definitivo do monumento foi feito pelo arquiteto G. Pognetti, e a fundição efetuou-se na casa Bastianelli, em Roma.

O monumento representa o bispo com as vestimentas solenes, de mitra, báculo e capa pluvial adornada em alto relevo, nesta observa-se no apêndice o brasão dos franciscanos (OFM), ordem a qual pertencia este insigne prelado. O bispo está na atitude de quem abençoa, fitando a velha catedral que se ergue a direita, em cuja nave tantas vez ressonou a sua inspirada palavra a pregar a sã doutrina.

Monumento na época de sua inauguração
A escultura é fundida em alumínio e bronze, com a altura de 2 metros e 75 centímetros, e pesando uma tonelada e 860 quilogramas. O pedestal e a escadaria em que eu se assenta medem 4 metros e 13 centímetros de altura. Nas quatro faces do monumento, em mármore de carrara polido estão gravadas as palavras:

À Memória
De D. Frei Caetano Brandão
O Municipio de Belém
1900
Resolução do Conselho Municipal
Número 54
De 24 de Março
De 1889
Nasceu
Em 11 de Setembro de 1740
Nomeado
Bispo do Pará em 1782
Arcebispo de Braga em 1787
15 de Dezembro de 1805
Inauguração do Hospital
Da Santa Casa
De Misericórdia
Em 25 de Julho
De 1787

A Inauguração do monumento foi feita pelo Sen. Antônio José de Lemos, aos 15 dias do mês de Agosto de 1900, sendo governador do estado o Dr. José Paes de Carvalho.


Largo da Sé após o processo de urbanização, passando a chamar-se Praça D. Frei Caetano Brandão.
Fontes:

RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia Eclesiástica do Pará. Belém: Editora Falângola, 1985.
Albúm de Belém-Pará. Belém: Edição F. A . Fidanza, 1902.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Paróquia da SS. Trindade II

Governava o Pará dom Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, quando foi iniciada a obra de aterramento do Igarapé Piri, como era chamado o alagadiço da Juçara. Comprido e volumoso, o igarapé serpenteava pela cidade, descendo da área onde se localizava o Convento de São Boaventura, onde hoje está o Arsenal de Marinha, indo, ora mais largo, vezes mais estreito, despejar as suas águas em leitos que se bifurcavam em direção ao centro da cidade até lançar-se na sua maior abertura: a Baía do Guajará.

O historiador Antônio Baena, na obra "Compêndio das Eras", afirma que o Piri impressionou de tal modo o padre João Daniel, que o sacerdote, ao se referir à cidade, classificava-a por Oeste do Piri e Leste do Piri para designar os tradicionais bairros da Cidade Velha e da Campina. O Piri se constituía, por si só, um capítulo da história de Belém. Em 1771, o engenheiro alemão Gaspar Gerardo Gronfelts cogitou aproveitar a existência do igarapé no plano de transformação da cidade. Ao invés de aterrar o extenso alagadiço, como era desejo do governo, Gronfelts imaginou aproveitá-lo, em conjunto com os igarapés do Reduto e das Almas, para a construção de três enormes entradas de água, que seriam aproveitadas em diferentes canais que dariam a Belém beleza ainda maior que a da cidade de Veneza, na Itália.

Contrariando o plano urbanístico de Gronfelts, o Conde dos Arcos não quis transformar Belém numa segunda Veneza. Achou melhor eliminar o enorme igarapé, encarregando, para isso, o engenheiro João Rafael Nogueira. Assim, aos poucos o grande igarapé foi desaparecendo. Em conseqüência, novas estradas surgiram. Grandes áreas foram aproveitadas. O governador passou a incentivar a construção nos trechos por onde antes corria o Piri. Nas imediações da Aldeia, como era chamada a atual Rua Ferreira Cantão - antiga Bailique, próximo à Estrada das Mongubeiras, hoje Avenida Almirante Tamandaré, área que antes era do Piri, morava José António Abranches.

Fig. 1 - Pia Batismal
O idealizador da Igreja, que foi aberta ao culto em 1814, no dia consagrado à Santíssima Trindade.O seu primeiro vigário foi o padre Manuel Vasques da Cunha e Pinho, que presenteou a pia batismal à igreja [ver fig. 1]. Anos mais tarde, o templo virou ruínas. Em 1894 foi fechado, passando a paróquia a funcionar na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Nesse mesmo ano, em 14 de outubro, o monsenhor José Gregório Coelho benzeu e colocou a primeira pedra da capela mor da Trindade.


Fig. 2 - Placa alusiva a abolição da Escravatura

Coube ao padre Miguel Inácio, que substituiu o monsenhor Hermenegildo Perdigão na direção da paróquia, iniciar os trabalhos de restauração da secular igreja. Em 14 de setembro de 1942 a Igreja da Trindade foi reaberta ao culto. A benção solene ao templo e às imagens foi concedida pelo monsenhor Antônio Cunha. A primeira missa celebrada no templo da Trindade, depois da reinauguração, foi pela alma do senador Cipriano Santos, que se distinguiu ajudando na reforma da igreja. Um dos fatos históricos marcantes da vida do templo é a placa de mármore afixada na parede de fora do prédio da igreja [ver fig. 2], pela Rua Presidente Pernambuco, que identifica a data comemorativa da abolição da escravatura no Pará.

Os restos mortais do monsenhor Hermenegildo foram transferidos para a Igreja da Trindade. Depositados na Sacristia. Nas últimas décadas o sacerdote que mais tempo esteve a frente da Paróuia foi monsenhor Miguel Inácio – falecido - o qual esteve na função por 50 anos, com o apoio dos padres co-adjuntores, Carlos Coimbra (hoje afastado do ministério sacerdotal), Emanuel Teixeira, José Edmundo Santiago e Paulo César Falcão. Padre José Maria Albuquerque, monsenhor Aderson Neder, monsenhor Geraldo Menezes (hoje Pároco Emérito) e padre Cirilo Rocha também foram alguns dos sacerdotes que exerceram a função de párocos na Santíssima Trindade. Deve ser destacado o trabalho do monsenhor Geraldo Menezes que foi titular da paróquia por mais de 20 anos. Entre suas importantes obras estão a implantação do Encontro de Casais com Cristo, em 1977, e a construção do Centro Monsenhor Miguel Inácio (Salão Paroquial) e o edifício que leva o seu nome - Centro Social Monsenhor Geraldo Menezes - iniciado em 1985 e concluído quase 10 anos depois.

Desde 31 de janeiro de 1998 o comando paroquial está entregue ao entusiasmo, competência e visão de futuro do padre Ronaldo Menezes, que promoveu a completa recuperação do templo, dotando-o, inclusive, de ar refrigerado, além de promover uma ampla reestruturação das pastorais e serviços buscando adequá-los às diretrizes arquidiocesanas e à nova realidade da Igreja Católica.

* por José Valente

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Paróquia da SS. Trindade I


Foi o Capitão General Governador do Estado do Grão Pará e Maranhão Francisco Xavier de Mendonça Furtado quem solicitou ao Ministério Real, através do Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Melo - seu irmão, que viria a ser, mais tarde, o poderoso Marquês de Pombal o envio de famílias e homens solteiros para povoarem a Vila de Sousa do Caeté, já denominada de Bragança, em dezembro de 1753. A migração só começou em 1755 e em 1759, proveniente da Angra do Heroísmo de uma das ilhas do arquipélago dos Açores, chega a Belém José Antônio Abranches, angrense com 16 anos, acompanhado de três irmãos menores: Joaquim José, 14; José João, 12 e João António, 10, órfãos de pai e mãe. José António Abranches chegou no mesmo ano em que daqui partia o governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado que concedera a Abranches a mercê de ficar em Belém para trabalhar na lavoura. Católico fervoroso, José António e seus irmãos eram devotos da Santíssima Trindade. O Senado da Câmara, sob a presidência de Feliciano Ramos Nobre Mourão e os vereadores João Luís Francisco Barbosa, Felicíano Ferrão e Peres da Silva, concederam aos irmãos Abranches o uso das terras situadas antes e aquém do Lago do Piry. Aos 19 anos, três anos depois de fixar-se na terra, Abranches já mantinha viçosas leiras de hortaliças, uma respeitável criação de porcos da raça "Du-roc", aves (galinhas e patos), além de cultivar um respeitável pomar onde os laranjais e limoeiros começavam a produzir à farta.

Desse labor, outras pessoas começaram a aproximar-se e fazer suas casinhas e, desse modo, surgiu um novo bairro na cidade, denominado de "Aldeia". Abranches e seus irmãos começaram a comercializar o que colhiam e os grandes consumidores de seus produtos eram os barcos da Companhia de Comércio do Grão Pará e Maranhão que, torna-viagem, abasteciam-se de tudo, sendo apreciadíssimas suas laranjas e limões que, além de servirem aos tripulantes, serviam de garantia contra o "cólera morbos" e outras doenças que grassavam entre eles. Tal prática levou Abranches a acumular considerável soma em "patacas", o que lhe deu a condição de "apatacado". O início do Século XIX recrudesceu em Abranches, já com 58 anos, o desejo de construir uma Igreja em honra da Santíssima Trindade, Em 1802 pôs em andamento o seu projeto. Solicitou ao 7° Bispo do Pará, D. Manuel da Silva Carvalho, permissão para construir a Igreja. Esta lhe foi concedida, mas o Bispo adiantou-lhe que o bispado era carente de recursos, mas, que "se os recursos próprios acabarem, tens permissão para buscar espórtulas entre o povo". De posse da permissão do Bispo d. Manuel, Abranches dirigiu-se ao Paço do Conselho onde estavam reunidos os seguintes vereadores: Bento de Figueiredo Tenreiro, António Álvares Fernandes de Carvalho, Caetano Alberto Ribeiro, João de Araújo e Francisco Pereira de Cristo. Foi tão apaixonante a exposição de Abranches na presença dos vereadores que dir-se-ía tocado pela Santíssima Trindade, atingindo o clímax da emoção quando rematou: "A vida já me foge, mas antes que ela fuja por inteiro, hei de ver a Igreja de Nossa Senhora da Trindade erguida.”

O Presidente do Senado da Câmara e seus presididos concederam o que Abranches pedia e fez mais Bento de Figueiredo Tenreiro, o Presidente: concitou os vereadores a dirigirem-se, acompanhados de José António Abranches, até a presença do Capitão General Governador Francisco Maurício de Sousa Coutinho, para aprovação. O terreno cedido situava-se em um pequeno outeiro e toda a área existente ao redor da pequena elevação próxima ao Grande Lago do Piry, na mesopotâmia formada peio Lago e Igarapé da Comedia do Peixe Boi (atual Arcipreste Manoel Theodoro), pertencia à Igreja. Era o ano de 1802. Abranches atirou-se com denodo na faina de construirá Igreja. Logo, logo, o humílimo povo do bairro da Aldeia, ao ver o entusiasmo incontido de Abranches na construção do templo, juntou-se para ajudá-lo de todas as formas. Com esse apoio, Abranches fundou a Irmandade da Santíssima Trindade- "Santo Mistério de nossa religião", como diz José António. A exsicação do Grande Lago do Piry começou justamente nas proximidades da construção da Igreja, para alegria de Abranches. Esse trabalho foi ordenado pelo novo governador D. Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos.

A Irmandade da Santíssima Trindade tornou-se poderosa com a entrada das famílias endinheiradas. A festa da cumeeira, bem como a cobertura e a construção do altar. Foram emoções demais para José Antônio Abranches. No dia 4 de novembro de 1804, com 62 anos, sua vida apagou-se. A consternação foi imensa pelo fato de ter sido Abranches o instituidor da devoção à Santíssima Trindade, em Belém e no Pará. Seu corpo foi sepultado no terreno do adro da Igreja, em sua parte posterior, na altura da atual Rua dos 48. Nove anos depois, em 1813, estava concluída a Igreja, tendo apenas o altar-mor, quatro arcos nas paredes laterais indicando os lugares em que, no futuro, deveriam ser edificados mais quatro altares, sendo dois em cada lado, tudo isso graças aos esforços dos três irmãos do falecido Abranches. No ano seguinte, em junho, teve lugar a abertura e inauguração da Igreja de Nossa Senhora da Trindade. A Irmandade mandara buscar, em Lisboa, um artístico painel, óleo sobre tela, indicativo do orago da Santíssima Trindade, da lavra do famoso pintor António Leonardo, que estivera em Belém acompanhando o séqüito do Conde dos Arcos. Encomendara, também, todos os paramentos e demais objetos do culto em ouro e prata, bem como uma profusão de fogos de artifício. No dia 1° de junho de 1814, o bispo D. Manuel de Almada de Carvalho, pela manhã, benzeu o novo templo e, à noite, houve as vésperas (hora canônica que vem depois das nonas e correspondente as três da tarde) com queima de fogos de artifício noite adentro e com grande afluência popular. No dia seguinte, domingo, aconteceu a grande festa. A missa solene (laus laudemus) foi presidida pelo prelado, com grande instrumental. À noite prosseguiu o espetáculo da queima dos fogos, estando o templo aberto a todos os fiéis. A partir desse dia, a Irmandade da Santíssima Trindade mandava celebrar missa às sete horas nos domingos e dias santos. Nos sábados, à noite, era rezada a ladainha. Anualmente promovia-se a Festa da Santíssima Trindade com toda a magnificência.

Todos os anos, 20 dias antes dessa Festa, a Irmandade levando a Coroa de ouro, percorria a cidade, casa em casa, tirando esmolas para a festa. Bons tempos aqueles em que se podia sair portando uma coroa de ouro...Outra festa que marcou época em Belém, no Século XIX, era a de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, promovida pela Sra. Maria Simoa, devota fervorosa desde 1809 quando mandara buscar, em Lisboa, a imagem da Senhora, em fino trabalho escultural. A imagem era colocada em um oratório, em sua residência situada na Rua dos Inocentes (atual General Gurjão) esquina da Travessa São Mateus (atual Padre Eutíquio). Lá eram celebradas missas aos domingos e dias santos. A festa anual era promovida na Igreja de SantAna para onde era levada com grande acompanhamento. Maria Simoa, com recursos próprios e coadjuvada pela Irmandade, devidamente autorizada pelo bispo D. Romualdo de Souza Coelho, fez edificar em alvenaria, na parede lateral direita da Igreja de Nossa Senhora da Trindade, um altar para receber Nossa Senhora do Rosário do Barreiro. No dia 10 de abril de 1822, pronto o altar, a imagem saiu da Igreja paroquial de SantAna, levada nos braços do pároco José Joaquim Martins, paramentado de sua sobrepeliz e estola e acompanhado de 24 clérigos de sobrepeliz e com tochas acesas. A procissão saiu de Sant’Ana, às 18 horas, com grande acompanhamento e foi depositada em seu altar definitivo. Pelo menos, assim se pensava. Nessa noite na Igreja de Nossa Senhora da Trindade celebrou-se as vésperas e, no dia seguinte, realizou-se a festa em honra à nossa Senhora do Rosário do Barreiro.

A Lei Provincial número 63, de 4 de setembro de 1840, assinada pelo presidente da Província do Pará, João António de Miranda, elevou a Igreja de Nossa Senhora da Santíssima Trindade à categoria de Freguezia, tendo sua instalação sido efetivada em 12 de março de 1843, ocasião em que foi nomeado o seu primeiro vigário, o paraense Manoel Vasques da Cunha e Pinho. Este vigário dotou a sua Igreja de pia batismal em mármore de carrara, como também mandou edificar, em alvenaria, o segundo altar fronteiro ao de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, para si-metrisara sua igreja paroquial. Esse padre faleceu sete anos depois de sua investidura, isto em 1850, sendo substituído pelo padre, também paraense, Dionísio Rodrigues Aliança. Este sacerdote também veio a falecer depois de 11 anos prestados ao rebanho da Freguesia da Santíssima Trindade, em 1861. O terceiro pároco foi o padre baiano Manoel Ignácio da Silva Espíndola, que esteve à frente da paróquia por seis anos, sendo transferido para a Bahia pelo bispo D. Antônio de Macedo Costa, que era baiano como ele. O antístete nomeou como quarto vigário o francês Augusto João Maria Coller. A história desse padre é interessante. Foi casado e quando ficou viúvo entrou para o Seminário Diocesano que era dirigido por D. Macedo Costa. Infelizmente, ao assumir a paróquia terminou com todas as devoções e festas ali existentes. Retirou do seu altar a imagem de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro, colocando em seu lugar uma outra imagem da Virgem Maria, para que fosse celebrado, em maio, o mês mariano instituído por d. Macedo Costa. No altar em frente entronizou a imagem de São José e o artístico painel representando a Santíssima Trindade foi retirado sumariamente. Daríamos tudo para ver como os nossos ancestrais a representavam. Nossa Senhora do Rosário e o painel foram levados para lugar incerto e não sabido.

Eis a proto-história da Igreja de Nossa Senhora da Trindade. [...] A construção original, como já vimos na matéria do historiador José Valente, iniciada sob o comando de José António Abranches, data de 1814. A edificação atual é de 1942. A história secular da Igreja da Trindade, no centro de Belém, se confunde com a história da expansão e da transformação da cidade.

* Por José Valente

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Catedral Metropolitana II

Continuando nossas considerações acerca da Catedral Metropolitana de nossa Arquidiocese, tratemos de alguns aspectos relacionados a sua construção, bem como os diversos momentos pelo qual este belo e mui significativo templo passou.

Destaquemos certos pontos: Quando da chegada dos portugueses a Belém, em 1616, construiu-se uma capela em taipa e palha no Forte do Castelo, na época conhecido como Forte do Presépio, ela "erecta à Nossa Senhora das Graça, e foi portanto esta a primeira casa de Deus no Pará"[1]. Entre 1617 e 1618, o vigário Manoel Figuera de Mendonça transferiu a então Igreja para a área externa, dando início à construção de alvenaria, no coração do centro histórico de Belém.

Fig. 1 - Altar do SS. Sacramento
Com a elevação de Belém a Sede Episcopal no ano de 1719 pelo Papa Clemente XI através da bula Copiosus in Misericordia, elevou-se a até então matriz de Nossa Senhora da Graça a Catedral do Bispado, cabe destacar que desde o ano de 1714 as funções paroquiais desta tinham sido removidas para Igreja de São João Batista, já que a igreja matriz ameaçava ruir. Sentiu-se a necessidade da reconstrução da antiga matriz, mas de um modo que enaltecesse e representasse a dignidade de Catedral, deste modo “Principiou a obra da Catedral em 1748 e acabou em 1771, em cujo espaço esteve parada por cinco anos. Deste a frontaria até o cruzeiro durou a construção sete anos, as torres e as partes da capela-mor seis anos, e o resto da mesma capela cinco, e por conseqüência foi dezoito anos o tempo efetivo da construção desta igreja. O retábulo do altar-mor é obra de talha aperolada com florões, vasos, grinaldas espirais de colunas torcidas [...] os retábulos dos altares do Sacramento [ver fig. 1] e de Nossa Senhora de Belém, são igualmente de entulho com a mesma cor do altar-mor com os adornos todos dourados. O retábulo do altar-mor [ver fig. 2] tem no alto um grande painel de Nossa Senhora da Graça, obra do ínclito engenho de Pedro Alexandrino de Carvalho, os dez altares da nave também tem painéis que foram colocados no início do ano de 1779. E na Sacristia do bispo há uma capela, cujo teto é de sarapunel ricamente trabalhado”.[2] A benção da catedral deu-se em 23 de Dezembro de 1755, isto é, antes do término total das obras. Na ocasião "relata Ernesto Cruz, que concluída estava a igreja até o arco da capela-mor, mas que, apesar disso, no dia seguinte foi 'trasladado da Igreja de São João para a da Sé, o Santíssimo Sacramento".[3]


Fig. 2 - Retábulo do Altar-Mor
A descrição no parágrafo acima é da decoração anterior a que temos hoje no interior de nossa catedral, cujo estilo atualmente é neoclássico e que anteriormente era barroco. Entre meados e final do séc. XIX, no pastoreio de Dom Antônio de Macêdo Costa, a catedral passou por uma ampla reforma, "iniciadas em 1884, com a ereção do novo altar-mor de mármore, só ficaram completas em maio de 1892."[4]. Cuja reforma modificou profundamente seu interior deixando-o como o conhecemos hoje, destacando-se nesta o altar-mor que foi confeccionado em Roma por Luca Carimini, sendo o Papa Pio IX e o Imperador D. Pedro II colaboradores na compra do referido altar. A pintura interna do Templo e 3 telas dos altares laterais foram trabalhadas por De Angelis. As demais telas são cópias de pintores renascentistas, destaca-se ainda a aquisição de um grande órgão da oficina Cavaillé-Coll inaugurado em 9 de Setembro de 1882.

Podemos afirmar que a Catedral de Belém foi terminada na gestão de D. Vicente Joaquim Zico (1996). Com efeito, foi criado o Ossuário, a Capela das Almas, terminada a Sacristia dos Cônegos, criada a Residência Paroquial.

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Notas


[1]PINTO, Antônio Rodrigues de Almeida. O Bispado do Pará. In.: Annaes da Bibliotheca e Archivo Público do Pará. Belém, tomo 5, pp. 5-191, 1906.
[2] BAENA, Antônio Ladislau. Compêndio das Eras da Província do Pará, p.281
[3]ROCHA, Hugo de Oliveira. A Catedral de Belém: Resuo Histórico e momento atual. Belém: Editora Falangola, 1992, p. 22.
[4]LUSTOSA, Dom Antonio de Almeida. Dom Macedo Costa (Bispo do Pará). Belém: SECULT, 1992, p. 538.


Imagens


Fig. 1 - In: Amazónia Felsínea: António José Landi: itinerário artístico e científico de um arquitecto bolonhês na Amazónia do século XVIII. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999. p. 239
Fig. 2 - In: FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem filosófica às capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Desenhos originais coligidos pelo Prof. Dr. Edgard de Cerqueira Falcão. São Paulo: Gráficos Brunner, 1970. Retábulo da capela-mor da Igreja da cidade de Belém do Pará, estampa n. 6

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Catedral Metropolitana I


Antes de iniciarmos nossas considerações, cabe resgatarmos um fato importante que está relacionado com nosso tema. Na noite do dia 1 de Setembro de 2009 (Solenidade de Santa Maria de Belém), a Catedral Metropolitana de Belém foi reaberta para o culto após quatro anos de intensa restauração.

Na ocasião os discursos eram os mais diversos acerca da importância deste belo templo, e na maioria das vezes a principal justificativa para tal restauração era este ser ponto de partida para a procissão do Círio de Nazaré. De fato, o Círio é uma manifestação de fé única, mas a falta de conhecimento tem por conseqüência afirmações desta natureza. Cabe atentarmos que a importância da Catedral vai muito além de ser apenas ponto de partida desta grande procissão, pois não é apenas “A Igreja de nossa Mãe”, mas “A nossa Igreja - Mãe”. Desta forma achei por bem escrever sucintamente qual a importância de uma Catedral para sua diocese e as particularidades históricas deste nosso belo templo.

Vejamos inicialmente o significado da palavra Catedral, o termo catedral vem de Cátedra (Sede) que é a cadeira de onde o bispo dirige sua diocese, as catedrais se configuram como a Igreja do bispo ou de onde o bispo governa seu rebanho “A igreja catedral é aquela em que está a cátedra do Bispo, sinal do magistério e do poder do pastor da Igreja particular, bem como sinal de unidade dos crentes naquela fé que o Bispo anuncia como pastor do rebanho”[1]. Cabe aqui destacarmos que a Igreja Catedral tem também um duplo sentido, o primeiro de natureza visível que é a de ser “imagem figurativa da Igreja visível de Cristo, que no orbe da terra ora, canta e adora; deve, conseqüentemente, ser retida como a imagem do seu Corpo místico, cujos membros estão conglutinados pela união na caridade, alimentada pelo orvalho dos dons celestes”[2], e um segundo sentido de natureza mística que é a de ser “pela majestade da sua construção, a expressão daquele templo espiritual, que é edificado no interior das almas e brilha pela magnificência da graça divina, segundo aquela sentença do apóstolo S. Paulo: ‘Vós sois o templo do Deus vivo’ (2 Cor 6,16)”.[3]

Fica evidentemente clara a natureza da catedral enquanto “igreja mãe e o centro de convergência da Igreja particular” [4], pois é dela de onde emana todas as graças apostólicas “é o lugar onde o Bispo tem a sua cátedra, a partir da qual educa e faz crescer o seu povo através da pregação, e preside as principais celebrações do ano litúrgico e dos sacramentos. Precisamente quando está sentado na sua cátedra, um Bispo apresenta-se à frente da assembléia dos fiéis como aquele que preside in loco Dei Patris... É a presença desta cátedra que constitui a igreja catedral como o centro espiritual concreto de unidade e comunhão para o presbitério diocesano e para todo o Povo santo de Deus.”[5].

Deste modo “todos devem dar a maior importância à vida litúrgica da diocese que gravita ao redor do Bispo, sobretudo na igreja catedral, convencidos de que a principal manifestação da Igreja se faz numa participação perfeita e ativa de todo o Povo santo de Deus na mesma celebração litúrgica, especialmente na mesma Eucaristia, numa única oração, ao redor do único altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbitério e pelos ministros”. Sendo assim, a importância de uma catedral transpassa seus aspectos exteriores, como detalhes arquitetônicos ou excepcionalidades e devoções populares diversas, sua importância é ser nossa casa em comum, é ser o templo de onde emanam os conselhos de nosso pastor, é onde por excelência e com primazia se celebra a obra salvífica de Jesus Cristo.
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Notas

[1] Cerimonial dos Bispos, nº 42

[2] Ibidem, nº43

[3] Ibidem, nº43

[4]João Paulo II, Exortação Apostólica Pastores Gregis, nº 34, 2003

[5] Ibidem

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - O Incêndio na Igreja de Nazaré

No segundo domingo do mês passado comemoramos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Diz a lenda que por volta do início do séc. XVIII, às margens de um igarapé, o caboclo Plácido encontrou a imagem da referida virgem; hoje as proximidades deste mesmo igarapé localiza-se o que é, junto com a imagem, um dos maiores símbolos da fé dos paraenses, a Basílica de Nazaré.

Arraial de Nazaré na época do incêndio

Por outro lado, no dia 22 de Fevereiro de 1897 este grande símbolo estava ameaçado, por volta das oito horas da noite tocam-se os sinos anunciando um incêndio, pois parte da Igreja de Nazaré ardia em chamas, mais precisamente a sacristia que ficava do lado oriental da igreja, em cujo lugar estava montado um presépio de natal. Populares e praças do 15˚ batalhão de infantaria do exército, vizinho a igreja, tentavam apagar as chamas com latas d’água, e salvavam as imagens e objetos sacros que podiam. O socorro foi tanto, que quando chegou a companhia de bombeiros, estes pouco fizeram, pois os populares já haviam controlado o incêndio.

Igreja de Nazaré
As testemunhas deste evento foram intimadas a comparecerem ante a autoridade policial para esclarecimentos, e em seus testemunhos uma constatação é quase unânime: o incêndio foi proposital. Por outro lado, não se chegou a uma conclusão e o caso foi arquivado. Eis um fato inusitado acerca deste símbolo tão festejado por nós paraenses.

Fonte: www.ufpa.br/cma/documentos.html

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Dom Romualdo de Seixas

D. Romualdo Antônio de Seixas, Arcebispo da Bahia (17º e Primaz do Brasil), depois Conde (2 de dezembro de 1858) e Marquês de Santa Cruz (14 março de 1860). Filho de Francisco Justiniano de Seixas e D. Ângela de Sousa Bittencourt Seixas, nascido em Cametá, Província do Pará, a 7 de fevereiro de 1787.

Recebeu as primeiras letras sob a supervisão do seu tio, o bispo D. Romualdo Coelho de Sousa, e foi concluir seus estudos em Lisboa, na Congregação do Oratório, onde teve por um de seus mestres o padre Theodoro de Almeida, o célebre autor das "Recreações Filosóficas". De volta à Província do Pará, por ocasião da abertura da aula pública de filosofia, com dezoito anos de idade, fez um discurso que impressionou o auditório e as autoridades presentes. Aos dezenove anos, com a primeira tonsura, foi nomeado mestre de cerimônias do Sólio e começou a lecionar no Seminário Episcopal as matérias de Latim, Eetórica e Filosofia; aos vinte e um anos tomou ordens de sub-diácono e estreou na tribuna sagrada por adoecer o orador, improvisando o panegírico de S. Thomaz de Aquino; aos vinte e dois anos, tendo ordens de diácono, foi para a Província do Rio de Janeiro, acompanhado de outro jovem eclesiástico, em comissão do bispo do Pará, para, em seu nome, cumprimentar a família real e tratar de importantes assuntos da sua diocese, regressando com a nomeação de cônego da Sé paraense e a de Cavaleiro da Ordem de Cristo; aos vinte e três recebeu ordens de Presbítero, foi nomeado pároco de sua cidade natal (Cametá) e logo a seguir vigário-geral da província, sendo mais tarde, por morte do diocesano, vigário capitular. Nomeado arcebispo da Bahia a 12 de outubro de 1826, foi sua nomeação confirmada pelo Papa Leão XII a 20 de maio de 1827, sendo realizada sua sagração na Província do Rio de Janeiro a 28 de outubro deste mesmo ano. Tomou posse do cargo por procuração a 31 de janeiro de 1828, e a 26 de novembro do mesmo ano deu sua entrada na Província da Bahia. Foi eleito presidente da Junta provisória Governativa da Província do Pará por duas vezes, em 1821 e em 1823. Em 1841, presidiu a solenidade da sagração do Imperador D. Pedro II, como metropolita e primaz do Brasil. Agraciado por D. Pedro I com o título de Pregador da Capela Imperial e com a Grande Dignitária da Ordem da Rosa; foi por D. Pedro II agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, com o título de Conde e depois com o de Marquês de Santa Cruz; era sócio da Academia Real das Ciências de Munique, do Instituto de África em Paris, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e de muitas outras sociedades de ciências e letras. Muito inteligente e ilustre figura, era dotado de excessiva modéstia, de trato ameníssimo, de bondade evangélica, de todas as qualidades, enfim, que exaltam, fazem veneranda e amável a criatura humana.

Foi eleito Deputado pela Província do Pará para a 1ª legislatura no período de 6 de maio de 1826 a 3 de setembro de 1829 (posse em 6 de maio de 1826). Foi eleito Deputado pela Província da Bahia para a 3ª legislatura no período de 3 de maio 1834 a 15 de outubro de 1837 (posse a 12 de maio de 1834), tendo sido substituído no período de 3 de maio a 25 de outubro de 1835. Foi eleito Deputado pela Província do Pará para a 4ª Legislatura no período de 3 de maio de 1838 a 21 de novembro de 1841 (posse em 17 de maio de 1838), sendo substituído no período de 3 de maio de 1839 a 15 de setembro de 1840. Foi Presidente da Câmara dos Deputados de 3 de julho de 1828 a 4 de maio de 1829, e de 4 de maio a 3 de agosto de 1841.

Recebeu os títulos de Conde de Santa Cruz a 2 de dezembro de 1858 e Marquês de Santa Cruz a 14 de março de 1860.

*Fonte: Portal da Câmara dos Deputados

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Arcebispos

1º. DOM JOSÉ MARCONDES HOMEM DE MELO (1906)

Sacerdote paulista, Mons. José Marcondes Homem de Melo foi nomeado para primeiro Arcebispo da nova Arquidiocese. Foi sagrado em Roma, na capela do Colégio Pio Latino-americano, pelo Cardeal Merry del Val, em junho de 1906, tendo como consagrantes Dom Francisco do Rêgo Maia e Dom José de Camargo Barros, Bispo eleito de São Paulo. Ainda em Roma, tomou posse da Arquidiocese por procuração. Ao regressar ao Brasil, o navio "Sírio", em que viajava, naufragou na costa da Espanha, próximo ao Cabo de Palos, no dia 04 de agosto de 1906, perecendo o Bispo de São Paulo. Dom Marcondes foi salvo por um barco pesqueiro. De volta ao Brasil, renunciou ao governo da Arquidiocese de Belém.

2º. DOM SANTINO MARIA DA SILVA COUTINHO (1907-1923)

Com a renúncia de Dom Marcondes, foi nomeado para Belém o paraibano Dom Santino Maria Coutinho, que tinha sido eleito para o Maranhão. Foi sagrado no dia 19 de março de 1907, na capela do Colégio Pio Latino-americano, pelo Cardeal Joaquim Arcoverde. No seu governo, foram criadas diversas Prefeituras Apostólicas, elevadas mais tarde a Prelazias e Dioceses, como a do Alto Rio Negro, Alto Solimões e Tefé. Em 1911, promoveu a criação da Diocese de Conceição do Araguaia. Aprovou a fundação, por Dom Amando Bahlmann, de Santarém, da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição, em novembro de 1907. Recebeu, em abril de 1911, as Irmãs Franciscanas Missionárias de Mary Hill, que foram trabalhar em Óbidos, e, no mesmo ano, os Missionários da Sagrada Família, para trabalhar no Amapá. Em Belém, criou as paróquias de São Raimundo Nonato, São José de Queluz, São José de Castanhal e Igarapé-Açu. Restaurou as igrejas das Mercês e da Trindade. Fundou o jornal "A Palavra" e o "Centro Católico". Em julho de 1923, foi transferido para a recém criada Arquidiocese de Maceió. Faleceu em 1939.

3º. DOM JOÃO IRINEU JOFFLY (1924-1931)

Também paraibano como o seu antecessor, foi, antes de vir para Belém, Bispo Auxiliar em Recife e Diocesano em Manaus. Tomou posse em Belém no dia 23 de janeiro de 1925. No seu governo, reformou o cabido metropolitano, fechou o Seminário, regularizou as relações com a Santa Casa e procurou disciplinar o Círio de Nazaré, o que lhe causou sérios transtornos. Promoveu a criação das Prelazias do Marajó e Gurupi. Trouxe para a Arquidiocese os Padres Lazaristas e Salesianos e as Irmãs do Bom Pastor. Por esse tempo, os Irmãos Maristas deixaram o colégio Nossa Senhora do Carmo, e as Irmãs Filhas de Sant'ana fecharam o seu noviciado , transformando-o num colégio (Santa Rosa). Renunciou em 1931. Faleceu no Asilo São Luis, Rio de Janeiro, a 25 de abril de 1950.

4º. DOM ANTÔNIO DE ALMEIDA LUSTOSA (1932-1941)

Mineiro de São João-Del-Rei, o salesiano Dom Antônio de Almeida Lustosa chegou a Belém no dia 15 de dezembro de 1932, após ter sido Bispo em Uberaba e Corumbá. Foi sagrado no dia 11 de fevereiro de 1925. Aqui chegando, reabriu o Seminário Nossa Senhora da Conceição, confiando a sua administração aos padres salesianos. Percorreu todo o vasto território da Arquidiocese, anotando suas impressões e publicando-as no extinto jornal "A Palavra", mais tarde reunidas num volume com o título "À Margem da Visita Pastoral". De sua pena sairam ainda muitos outros livros, entre os quais uma preciosa biografia de "Dom Macedo Costa, Bispo do Pará". Criou as paróquias de Santa Teresinha do Menino Jesus (Jurunas), Santa Cruz (Marco), São João Batista (Icoaraci), São Francisco do Pará e São Jorge do Prata. Trouxe para Belém os Padres Crúzios e as Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora, Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Capuchinhas, Angélicas de São Paulo e as Irmãs de Nossa Senhora da Anunciação. Em 1941, foi transferido para a Arquidiocese de Fortaleza, que governou até 1963. Ao renunciar, transferiu-se para o Instituto Salesiano de Carpina, PE, onde faleceu no dia 14 de agosto de 1974, cercado de veneração. A Arquidiocese de Fortaleza abriu, recentemente, o processo canônico para sua canonização.

5º. DOM JAIME DE BARROS CÂMARA (1942-1943)

O catarinense Jaime de Barros Câmara nasceu em 1894. Instalou a Diocese de Mossoró, RN, e foi o seu primeiro Bispo. Em 1941, foi transferido para Belém, tomando posse no dia 1º de janeiro do ano seguinte. Aqui não demorou muito, transferido em 1943 para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, sendo mais tarde eleito Cardeal da Santa Igreja. Enquanto Arcebispo no Pará, promoveu a reforma completa dos estudos do Seminário, adquiriu o Colégio Progresso Paraense (atual colégio Santa Maria de Belém), a sede do Círculo Operário e o Seminário Ferial (atual Centro de Treinamento Tabor, em Icoaraci). Benzeu a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, no bairro da Pedreira, e sagrou o Prelado de Marajó, Dom Gregório Alonso da Purificação, em 11 de julho de 1943, quatro dias após ter sabido da sua transferência para a capital federal. Já Cardeal, dizia ele de Belém: "Lembro-me com ternura da santa alegria demonstrada pelos hansenianos de Marituba e do Prata. As lágrimas me vêm aos olhos quando recordo a simplicidade e afeto com que me acolhiam os humildes caboclos nas visitas pastorais".

6º DOM MÁRIO DE MIRANDA VILAS-BOAS (1944-1956)

Gaúcho de Rio Grande, Dom Mário de Miranda Vilas-Boas nasceu no dia 04 de agosto de 1903. Estudou em Sergipe, terra de seus pais. Membro fundador da Academia Sergipana de Letras. Ainda muito novo, foi eleito e sagrado Bispo de Garanhuns. Sua primeira Carta Pastoral é considerado documento básico para o movimento litúrgico no Brasil. Foi Arcebispo de Belém de 05 de janeiro de 1945 a maio de 1957. Criou as paróquias de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São Pedro e São Paulo, São Judas Tadeu, todas em Belém, e São Francisco de Assis, em Nova Timboteua, e Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua. Promoveu a ereção das Prelazias de Macapá e Cametá. No seu governo, vieram para a Arquidiocese os Frades Franciscanos e os Padres Redentoristas, as Irmãs Dominicanas, as Irmãs do Preciosíssimo Sangue, as Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo e as Irmãs Missionárias de Nossa Senhora das Graças. Mas o seu maior feito em Belém foi a celebração do 6º Congresso Eucarístico Nacional, em 1953, no local onde hoje é a Praça Kennedy. Foi um dos sagrantes de Dom Alberto Ramos, eleito Bispo do Amazonas. A pedido do Cardeal Arcebispo de Salvador, foi transferido para a capital baiana, como Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão, situação à qual não se adaptou. Renunciou e foi transferido para a Arquidiocese de João Pessoa. Faleceu em Aracaju a 23 de fevereiro de 1968. Seus restos mortais foram trazidos para a Catedral de Belém, onde repousam.

7º. DOM ALBERTO GAUDÊNCIO RAMOS (1957-1990)

O paraense Dom Alberto Gaudêncio Ramos nasceu na capital do Estado, Belém, no dia 30 de março de 1915. Estudou nos Colégios Paes de Carvalho e Nossa Senhora de Nazaré. Cursou Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Foi ordenado sacerdote na Catedral Metropolitana, por Dom Antônio de Almeida Lustosa, a 1º de outubro de 1939. Após a ordenação, o Arcebispo confiou-lhe a direção da "Obra das Vocações Sacerdotais". Foi Secretário de Dom Jaime Câmara e Vigário Geral de Dom Mário de Miranda Vilas-Boas. Aos 33 anos de idade, foi eleito Bispo do Amazonas, e, aos 36, Arcebispo de Manaus. A 09 de maio de 1957, foi nomeado Arcebispo de Belém, sendo o segundo paraense e o único belenense a ocupar o sólio arquiepiscopal de Belém. No seu governo, foram criadas as paróquias de São Francisco de Assis, Santo Antônio de Lisboa, Santo Antônio do Tauá, Santo Antônio de Pádua (Coqueiro), São Jorge da Marambaia, Cristo Rei (Ananindeua), Nossa Senhora de Nazaré (Magalhães Barata), Sagrado Coração de Jesus (Peixe-Boi), Jesus Ressuscitado, Nossa Senhora de Fátima (Belém), Menino Deus, São Sebastião (Belém), Nossa Senhora Aparecida, Santa Luzia, Nossa Senhora do Bom Remédio, Nossa Senhora Auxiliadora, São João Batista (Primavera), Nossa Senhora do Rosário (Colares). Foram restabelecidas as paróquias de São Vicente Ferrer (Inhangapi), Benfica, Benevides, Santarém Novo, Quatipuru. Foram construídos o Seminário São Pio X, o Centro de Treinamento Tabor, o Edifício Paulo VI (onde funcionam atualmente a Cúria Arquidiocesana e o Centro de Pastoral da Arquidiocese), a Casa da Juventude, o Centro Dom Lustosa e o Lar Sacerdotal, além de inúmeras casas e salões paroquiais. Reabriu o Seminário Maior, em 1981, com os cursos de Filosofia e Teologia, funcionando no Seminário São Pio X, em Ananindeua. Vieram para a Arquidiocese no seu período os Padres Xaverianos, os Oblatos de Maria Imaculada, os Joseleitos de Cristo e os Padres da Divina Providência, as Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração, as Irmãs de Nossa Senhora Menina, as Missionárias de Jesus Crucificado, as Missionárias da Imaculada Conceição, as Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações, as Irmãs Missionárias Agostinianas, as Irmãs Missionárias de Santa Teresinha, as Irmãs de Maria Imaculada, as Irmãs Dorotéias dos Sagrados Corações, as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração e as Irmãs Franciscanas de São José. Foi co-fundador da Congregação das Missionárias do Coração Eucarístico. Teve como Bispos Auxiliares Dom Milton Corrêia Pereira (depois Bispo de Garanhuns e Manaus), Dom Alano Maria Pena (depois Bispo de Marabá, atualmente em Nova Friburgo, RJ) e Dom Tadeu Henrique Prost (falecido em 02.08.94, Chicago), e como Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão Dom Vicente Joaquim Zico. Era membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e do Conselho Estadual de Cultura. Dom Alberto Ramos renunciou ao governo pastoral da Arquidiocese de Belém no dia 04 de julho de 1990, passando a residir numa casa que lhe foi preparada na Rua Aristides Lôbo. Com a saúde abalada, internou-se no Hospital da Venerável Ordem Terceira, onde veio a falecer no dia 26 de novembro de 1991. Seu corpo foi velado na Basílica de Nazaré e, no dia seguinte, trasladado para a Catedral Metropolitana, onde foi sepultado no lado direito do altar de Nossa Senhora das Graças, como era seu desejo.

8º. DOM VICENTE JOAQUIM ZICO (1990-2004)

Dom Vicente Joaquim Zico, nasceu na cidade mineira de Luz, no dia 27 de janeiro de 1927, quinto filho do casal Belchior Joaquim Zico e Anita Maria de Jesus. Lazarista, entrou na Congregação da Missão no dia 02 de fevereiro de 1943, fazendo profissão religiosa em 19 de março de 1945. Estudou no Seminário do Caraça, MG, e Petropolis, RJ. Foi ordenado sacerdote em 1950, a 22 de outubro, por Dom Jorge Marcos de Oliveira. Cursou o Instituto Superior de Pastoral Catequética, em Paris, França. Formou-se em Filosofia e Psicologia. Antes do episcopado, foi Professor na Escola Apostólica, Professor, Prefeito de Disciplina, Diretor Espiritual e Reitor do Seminário Maior da Prainha, em Fortaleza, Professor do Seminário de São Luiz do Maranhão e do Seminário da Congregação, em Petrópolis, Assistente Provincial e Secretário da Província Brasileira da Congregação da Missão. Era Conselheiro Geral da Congregação, em Roma, quando foi designado pelo Papa João Paulo II para Arcebispo Coadjutor de Belém, no dia 05 de dezembro de 1980. Foi sagrado Bispo na Basílica de São Pedro, no dia 06 de janeiro de 1981, pelo próprio Papa. Tomou posse em Belém, na Catedral, no dia 08 de março do mesmo ano. Por 8 anos, foi o Bispo Responsável pela Dimensão Missionária da CNBB. Foi Presidente do Regional Norte 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e conselheiro da Pontifícia comissão para a América Latina. Tem sua renúncia aceita no dia 13 de outubro de 2004, quando o Santo Papa João Paulo II nomeou o seu substituto que tomou posse no dia 8 de dezembro de 2004.

9º. DOM ORANI JOÃO TEMPESTA (2004-2009)

Como padre e monge cisterciense, Dom Orani João Tempesta passou a maior parte de sua vida na cidade paulista de São José do Rio Pardo, onde nasceu em 23 de junho de 1950. Filho de Achiles Tempesta e Maria de Oliveira, já falecidos, é o caçula entre nove irmãos. O desejo pela unidade sempre foi vertente em sua caminhada eclesial, chegando a adotá-la como lema episcopal "Que todos sejam um" ao ser eleito bispo pelo Papa João Paulo II, em 26 de fevereiro de 1997.

Foi o terceiro bispo da Diocese de São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo, governando de 1º de maio de 1997 até 13 de outubro de 2004, quando foi eleito para a Arquidiocese de Belém, no Estado do Pará, assumindo seu ministério em 8 de dezembro do mesmo ano.

Ainda como Bispo de São José do Rio Preto, recebeu a missão de Administrador da Abadia Territorial de Clavaral, pertencente à Ordem Cisterciense de Casamari, em Claraval – MG, de 22 de maio de 1999 a 11 de dezembro de 2002.

Entre suas inúmeras iniciativas à frente da Igreja Particular de São José do Rio Preto, composta por 87 comunidades paroquiais, mais de 100 presbíteros e quase 1 milhão de fiéis, Dom Orani aprovou dois Planos de Pastorais com projetos que revolucionaram a caminhada da diocese como a Rede de Comunidades, o mutirão de evangelização de casa em casa. Com a finalidade de preparar presbíteros, religiosos e leigos para a ação pastoral, implantou um programa permanente de formação, como cursos, retiros e reciclagem. Em 1998, teve início o curso de Teologia, especialmente para os leigos. Em resposta às várias necessidades da diocese, criou várias pastorais, entre as quais: a dos Políticos, dos Empresários, do Menor, da Mulher Marginalizada, da Esperança e Exéquias, da Educação e Ensino Religioso, dos Casais de Segunda União, a Político Social e de Comunicação. No ano 2000, instalou a Comissão Diocesana de Bens Culturais da Igreja e criou a Comissão de Justiça e Paz, como organismo diocesano para promover e lutar em favor dos direitos humanos a partir da perspectiva ética do Evangelho. Depois de um longo tempo de preparação instalou na diocese o Diaconato Permanente e um Tribunal Eclesiástico de Primeira Instância.

A criação recorde da Diocese de Catanduva, ocorrida no dia 9 de fevereiro de 2000, deve-se em grande parte ao empenho de Dom Orani que, além de autorizar o início do processo, levou-o pessoalmente ao Vaticano. Pelo seu carisma especial de comunicador, coordenou de 1998 a 2003 o Setor de Comunicação do Regional Sul 1 (Dioceses paulistas). Exerceu a missão de Visitador Apostólico do Mosteiro de São Bento, em Olinda – PE de 2001 a 2002.

Em 2004, conquistou do Governo Federal o funcionamento de uma rádio interativa de freqüência modulada. Entre os eventos diocesanos que convocou, podemos lembrar: os 70 anos da diocese, o envio de oito mil evangelizadores para o mutirão de Evangelização de casa em casa, o Terceiro Congresso Eucarístico, as celebrações do Ano Santo Jubilar, os 150 anos de fundação da cidade de São José do Rio Preto e as comemorações do Centenário da Coroação de Nossa Senhora Aparecida. Como bispo, ordenou 30 novos presbíteros e criou 27 comunidades paroquiais, entre paróquias, quase-paróquias, reitorias, santuários diocesanos e uma do Rito Maronita. É cidadão honorário das cidades paulistas de São José do Rio Preto, Catanduva, Tanabi, Mirassolândia e Bálsamo. Desde 8 de maio de 2003 faz parte do Conselho Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, exercendo o cargo de presidente nacional da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social; e também do Conselho Superior da Redevida de Televisão e do Conselho de Comunicação do Senado Federal.

Em 13 de outubro de 2004 é eleito arcebispo metropolitano de Belém–PA, tomou posse em 8 de dezembro de 2004, recebendo assim o cargo de Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação em Belém(PA) e Presidente do Centro de Cultura e Formação Cristã em Ananindeua (PA). Em maio de 2007 foi eleito Delegado pela CNBB para a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizado em Aparecida (SP).

Em 27 de fevereiro de 2009 é eleito Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e permanece Administrador da Arquidiocese de Belém até o dia 19 de abril de 2009, onde toma posse na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

10º. DOM ALBERTO TAVEIRA CORRÊA


É mineiro de Nova Lima. Ele nasceu em 26 de maio de 1950. Seus estudos filosóficos e teológicos foram feitos no Seminário Coração Eucarístico de Jesus e PUC-MINAS, em Belo Horizonte (MG). Além desses, ele estudou Espiritualidade Sacerdotal, no Instituto Mystici Corporis – Fascati, em Roma. Sua ordenação episcopal aconteceu em sua terra natal, no dia 06 de julho de 1991. Ele está à frente da arquidiocese de Palmas desde 31 de maio de 1996. Como bispo, ele já foi auxiliar da arquidiocese de Brasília (DF) [1991 – 1996]; vice-presidente do Conselho Administrativo da Fundação Popularum Progressio; assistente nacional da Renovação Carismática Católica [1994 – 2000]; membor da Comissão Episcopal do DEVYM/Celam [1995 – 1999]; presidente do Regional Centro-Oste [2003 – 2007]; e delegado da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em 2007.

No dia 30 de Dezembro de 2009, o Santo Padre o Papa Bento XVI nomeou Dom Alberto Taveira arcebispo metropolitano de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, em substituição a Dom Orani João Tempesta transferido para a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro em abril do mesmo ano. Sua mudança para a capital paraense acontecerá no dia 23 de março e, no dia 25, quando a Igreja celebra a anunciação do nascimento de Jesus, será realizada a cerimônia de posse. Seu lema episcopal é “Para a Vida do Mundo”.

* Fonte: Site da Arquidiocese de Belém
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