quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Obedecer às rubricas é rubricismo?

Para o melhor desempenho de toda a liturgia, principalmente da Santa Missa, culto, como sabemos, por excelência, é mister que haja uma regulamentação, uma normativa. Por isso, a Igreja a regula por uma série de normas e de rubricas – as partes escritas em vermelho, em rubro, nos livros litúrgicos, e que indicam o que os ministros devem fazer.

Quatro poderiam ser os motivos interiores para se obedecer às rubricas e outras normas litúrgicas: para simbolizar melhor o que ocorre na celebração, mostrando a identidade entre o sinal e o que ele realiza ou significa; para propiciar ambiente de sacralidade, favorecendo a piedade dos participantes; para transmitir a riqueza doutrinária da Igreja através de seus ritos seculares; e, enfim, para preservar a unidade substancial de cada rito, no caso o romano.

A Santa Missa, por exemplo, não é um símbolo do sacrifício, senão o próprio tornado real e novamente presente. Entretanto, ainda que não seja símbolo, ela é, pelo menos, cercada de símbolos que existem para melhor refletir a realidade do que ocorre. Os símbolos não são essenciais, substanciais, todavia, por sua observância conserva-se o que eles representam. O sacrifício – no caso da Missa – e outras idéias próprias – nos demais atos litúrgicos extra Missam – precisam ser demonstrados aos nossos olhos, eis que, mesmo sendo reais, não são naturalmente visíveis; assim, revestindo-se de símbolos, captamos o que está por trás dos sinais.

“Na vida humana, sinais e símbolos ocupam um lugar importante. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais por meio de sinais e de símbolos materiais. Como ser social, o homem precisa de sinais e de símbolos para comunicar-se com os outros, pela linguagem, por gestos, por ações. Vale o mesmo na sua relação com Deus.”[i]

Dessa forma, a Igreja estabelece as normas litúrgicas a serem observadas, pois, em sua sabedoria, considera que elas apresentam os símbolos que melhor refletem a realidade do que está ocorrendo na liturgia. Por exemplo, se ordena que se use casula, é por saber a Igreja que o que ela simboliza – a Cruz de Cristo –, é bastante catequético para lembrar os fiéis da realidade do sacrifício de Nosso Senhor, oferecido na Cruz do Calvário; se prescreve determinada oração ou gesto é por entender que nos auxiliam a penetrar no centro do mistério celebrado.

“A catequese está intrinsecamente ligada a toda ação litúrgica e sacramental, pois é nos sacramentos, e sobretudo na Eucaristia, que Cristo Jesus age em plenitude para a transformação dos homens.”[ii]


Deixar as normas litúrgicas de lado, além de grave desobediência à disciplina da Igreja, é apresentar-se insensível ao poder dos símbolos prescritos pela bi-milenar sabedoria da Esposa de Cristo. Tais símbolos não devem ser trocados por outros senão quando a autoridade da Santa Igreja o determinar, como ensinaremos a seguir.

Convém lembrar a orientação da Santa Sé, através da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicada na Instrução Inaestimabile Donum:

“Os fiéis tem direito a uma Liturgia verdadeira, o que significa a Liturgia desejada e estabelecida pela Igreja, a qual de fato, tem indicado adaptações onde podem ser feitas a pedido de requerimentos pastorais em diferentes lugares ou por diferentes grupos de pessoas. Excessivas experimentações, mudanças e certas criatividades, confundem os fiéis. O uso de textos não aprovados significa a perda da necessária conexão entre a lex orandi e a lex credendi.”[iii]

Sobre a lei litúrgica, nos diz o conceituado autor, Mons. Peter Elliott:

“... o propósito desta lei é encorajar e promover o bem-estar espiritual, a participação e a unidade dos fiéis de Cristo. Ela também existe para a santificação e proteção do clero, que celebra os ritos da Igreja no coração de seu ministério aos outros.”[iv]

As normas do rito romano servem não para engessar o celebrante, mas para, quando as seguimos fielmente, conforme nos ordena o Concílio Vaticano II, na sua Constituição Sacrosanctum Concilium, melhor apresentarmos ao povo de Deus que o que está ocorrendo por meio de cada cerimônia. Temos de seguir as rubricas! Por sua exterioridade, não nos afastam do interior: pelo contrário, como o homem é um ser no qual estão indissoluvelmente unidos alma e corpo, sua expressão de louvor e adoração ao Criador deve proceder do interior e do exterior também.

Aos que argumentam que o culto prestado na Santa Missa deve ser mais interior do que exterior, o Papa Pio XII, em sua magistral Encíclica sobre a liturgia, mostra o engano de tal afirmação, sustentando que o exterior deve refletir o interior, sob pena de uma certa esquizofrenia espiritual: “A adoração prestada pela Igreja a Deus deve ser (...) tanto interior quanto exterior.”[v]


A observância das normas litúrgicas demonstra a obediência do sacerdote – sinal claro da humildade requerida de quem se apresenta diante de Deus para oferecer um sacrifício, no caso da Missa, ou celebrar Seu Nome, nos outros atos de culto –, seu sentimento de unidade para com a Igreja e de pertença a uma realidade espiritual maior do que abarcam suas simples opiniões, traduz uma piedade rica e bela, e torna, como afirmamos, mais visível aquilo que é invisível aos nossos olhos.


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[i] Catecismo da Igreja Católica, 1146

[ii] Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, 23

[iii] Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Inaestimabile Donum, Introdução

[iv] ELLIOTT, Peter. Liturgical Question Box. San Francisco: Ignatius Press, 1998, p. 14

[v] Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei, 23


FONTE: http://www.salvemaliturgia.com/2010/09/obedecer-as-rubricas-e-rubricismo.html

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Convite

Você que já frequenta o blog dos Servidores do Altar da Arquidiocese de Belém, visite também o blog dos Servidores do Altar da Paróquia da SS. Trindade, lá você encontrará subsídios para formação litúrgica (textos, slides, fotos), bem como notícias acerca de nossa Igreja.

Para ser direcionado para o blog clique aqui ou na imagem.

Festividade de Santo Inácio de Loyola

A Festividade da Paróquia de Santo Inácio de Loyola se realizou de 31 de julho a 08 de agosto de 2010, com o tema “Para a Maior Glória de Deus, Sejamos Perseverantes na Missão Evangelizadora”.
A Santa Missa de abertura da festividade foi presidida pelo Monsenhor Raimundo Possidônio e concelebrada pelo pároco da paróquia, Pe. Marino Gabrielli, e o vigário paroquial, Frei Evandro Fonseca. Na homilia, Mons. Cid reforçou o relato da vida de santo Inácio e como a sua espiritualidade foi e é importante para aqueles que desejam seguir o caminho deste santo que buscou “em tudo, amor e servir”. No encerramento, a santa missa foi presidida por Pe. Hilário, padre da Companhia de Jesus pertencente a capela de Lourdes, que reforçou o papel da espiritualidade cristã na família, vendo que se festejava, nesse dia, o dia dos pais. Os Servidores do Altar também ajudaram nesta organização e como um dos sentidos centrais desta festividade foi e é estimular o sentido real de comunidade, todos os coroinhas, tanto da matriz como os das comunidades uniram-se para viver e festejar a festividade de St° Inácio de Loyola 2010 como um só grupo.
Algumas fotos da referida Festividade:

Imagem do Santo festejado


Missa de Abertura da Festividade

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Solene Pontifical e Procissão de São Tarcísio

Como ápice da Festividade que ocorre pelo 4º ano consecutivo, no dia 14 de agosto, os servidores do Altar de todas as paróquias da Arquidiocese de Belém honraram seu Padroeiro São Tarcísio, com uma grande Procissão que saiu da Paróquia São Francisco de Assis (Administrada pelos Frades Capuchinhos). Mais de 1000 (mil) servidores do Altar, entre crianças, jovens e adolescentes, todos com suas alvas, túnicas vermelhas e sobrepelizes, percorreram diversas ruas do bairro de São Braz, cantando, rezando, sempre com muita alegria e devoção, dando a esta centenária Arquidiocese, um belíssimo testemunho de compromisso com a Igreja.

Logo após a chegada da Procissão, na Paróquia São José de Queluz, foi celebrado um Solene Pontifical, oficiado por Sua Excelência Reverendíssima Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo Metropolitano de Belém, e concelebrado pelo Reverendíssimo Padre Wiremberg Silva - Diretor Espiritual Arquidiocesano dos Servidores do Altar e diversos outros sacerdotes e diáconos. Os paramentos vermelhos, os objetos litúrgicos, os textos sagrado do Ofício dos Mártires, os cantos (que foram entoados pelo Ministério de Música Exército de Deus, da Paróquia São João Batista -Icoaraci), todos foram cuidadosamente preparados propiciando-nos uma Solene Liturgia e demonstrando zelo e respeito pela Sagrada Liturgia.

Fotos da Referida Celebração:



As Regiões Episcopais organizando-se para iniciar a procissão



São Tarcísio

O Coordenador Arquidiocesano motivando os Servidores do Altar

Revmº. Pe. Wiremberg Silva sendo entrevistado pela TV Nazaré

Revmº Pe. Diretor Espiritual motivando o início da Procissão



Incensação da Imagem

Procissão na Trav. Mundurucus


Av. José Bonifácio


Av. Almirante Barroso


Mercado de São Braz

Chegada à Paróquia São José de Queluz


Recepção de Sua Excª. Revmª. Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo metropolitano de Belém






"Turiferário com o turíbulo aceso" (Cerimonial dos Bispos, 128)

"Outro acólito com a cruz, no meio de sete acólitos, com castiçais de velas acesas" (Cerimonial dos Bispos, 128)

"O diácono com o livro dos Evangelhos" (Cerimonial dos Bispos, 128)

"Presbíteros concelebrantes, dois a dois" (Cerimonial dos Bispos, 128)

Diáconos-Assitentes


"o Bispo, que avança sozinho, de mitra, levando o báculo pastoral na mão esquerda e abençoando
com a mão direita" (Cerimonial dos Bispos, 128)


"Incensa o altar e a cruz, acompanhado por dois diáconos" (Cerimonial dos Bispos, 131)



Homilia


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Coroinhas Festejam São Tarcísio - Voz de Nazaré

Com o tema "Beber na verdadeira fonte", pelo quarto ano consecutivo, cerca de 2 mil coroinhas da Arquidiocese de Belém promovem a festividade de São Tarcísio, o santo padroeiro dos servidores do altar. A festividade teve início no sábado, 7, e segue até o dia 14, quando os devotos e acólitos homenagearão o padroeiro com procissão e Missa Solene.

De acordo com o padre Wirenberg Silva, diretor espiritual do movimento de acólitos na Arquidiocese, as principais lições que o santo deixa hoje para a juventude é o serviço e o amor a Cristo na Eucaristia, "São Tarcísio é um exemplo para todos nós, pois diante de um mundo hedonista e totalmente violento, Tarcísio derrama seu sangue por amor de quem primeiro derramou o sangue por todos nós, Jesus Cristo", disse o padre.

A programação deste ano teve início com uma espiritualidade no Santuário de Fátima. O tema "Beber na verdadeira fonte" foi refletido pelos jovens coroinhas, conduzidos pelo vigário paroquial de Santa Teresinha do Menino Jesus, Jurunas, padre André Teles, que usou a parábola da samaritana como elo ao tema central da festa desse ano, que teve base no Encontro do Papa Bento XVI com os coroinhas da Europa, ocorrido no dia 4, no Vaticano. A festividade encerra-se com procissão no dia 14, a partir das 7h30, com a concentração na Paróquia de São Francisco de Assis - Capuchinhos, em São Brás, e seguirá até a igreja de São José de Queluz. Na chegada, o Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, presidirá missa solene de encerramento da festividade.

História

Segundo a tradição, Tarcísio nasceu por volta do ano 245 d.C, tornando-se órfão aos 7 anos de idade. Foi adotado por uma família cristã e batizado no cristianismo, e teve uma vida exemplar de serviço às funções litúrgicas, nessa época, havia perseguição aos que se declaravam cristãos, quando descobertos, ficavam presos e eram condenados a morte. Foi assim que certa vez, na véspera de várias execuções, o Papa Sisto II não sabia como levar a comunhão aos prisioneiros, foi então quando o jovem Tarcísio, que contava com 12 anos, se ofereceu para levar a comunhão aos cristãos aprisionados. O Papa não aceitou, porém Tarcísio insistiu e alegou que sua "juventude seria um refúgio para a Eucaristia", querendo dizer com isso que ninguém desconfiaria de uma criança. O Papa então cedeu ao pedido. Foi assim que indo então ao presídio, alguns jovens notaram sua conduta suspeita. Bateram nele e o apedrejaram. Depois de morto, revistaram-lhe o corpo, nada achando com referência ao Sacramento de Cristo. Conta a tradição que a teca com as hóstias entranhou em seu peito.

Fonte: Fundação Nazaré
Link para a Reportagem: http://www.fundacaonazare.com.br/voz/ler.php?id=3718&edicao=116

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