quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Aconteceu na Arquidiocese de Belém – Criação de Paróquia
No dia 24 de outubro de 2010, foi realizada a Solene Missa de Ereção e Posse de seu primeiro Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (2º Paróquia criada por Dom Alberto Taveira na Arquidiocese de Belém), localizada na Cidade Nova II, pertencente à Região Episcopal São Vicente de Paulo, a nova paróquia foi desmembrada da Paróquia Santa Rita de Cássia. A Santa Missa foi presidida por Sua Excelência Reverendíssima Dom Alberto Taveira, e contou com a presença de inúmeros sacerdotes, diáconos e do Revendo Padre José Maria (vulgo Pe. Zezinho) Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, e também pároco nomeado o Reverendo Padre Santiago. Também se fizeram presente às comunidades Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Nazaré e São Juan Diego, que agora pertencem à área paroquial da nova paróquia.
Algumas fotos da celebração:
- Profissão de fé do Novo Pároco -
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Sobre a Igreja - Igreja Triunfante, Militante e Padecente
Continuando nossos estudos acerca da natureza da Igreja, abordaremos neste texto o seguinte tema: Igreja Triunfante, Militante e Padecente. Mas para tal, lembremo-nos do tema que tratamos na postagem passada: Igreja Corpo Místico de Cristo, pois o entendimento de tal característica da Igreja é importantíssimo para a compreensão do tema que ora discutimos, pois “Todos os que são de Cristo e têm o Seu Espírito, estão unidos numa só Igreja e ligados uns aos outros n'Ele. E assim, de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo”[1], de fato amigos pelas águas batismais todos estamos unidos a Cristo e uns aos outros, de tal modo que a Igreja é uma só, quer para aqueles que vivem na “Jerusalém celeste”, quer para aqueles que aqui na terra peregrinam, quer para aquelas almas a purificar-se no purgatório.
Por outro lado, pode-se diferenciar a Igreja em Triunfante, Militante e Padecente, pois “enquanto o Senhor não vier na Sua majestade e todos os Seus anjos com Ele, e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido, dos Seus discípulos uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam ‘claramente Deus trino e uno, como Ele é’; todos, porém, comungamos, embora em modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de louvor”[2].
A Igreja Triunfante, como próprio nome pressupõe, é composta por aqueles nossos irmãos mortos, que pela graça de Deus e pela vida que levaram, já gozam das delícias celestes constituindo-se exemplos da vida para nós que ainda peregrinamos, e sendo eles dia e noite a contemplar e glorificar a majestade divina intercedem por nós no céu. Desta Forma “a vida daqueles que fielmente seguiram a Cristo, é um novo motivo que nos entusiasma a buscar a cidade futura e, ao mesmo tempo, nos ensina um caminho seguro, pelo qual, por entre as efêmeras realidades deste mundo e segundo o estado e condição próprios de cada um, podemos chegar à união perfeita com Cristo, na qual consiste a santidade. É sobretudo na vida daqueles que, participando conosco da natureza humana, se transformam, porém, mais perfeitamente à imagem de Cristo, (cfr. 2 Cor. 3,18) que Deus revela aos homens, de maneira mais viva, a Sua presença e a Sua face”.[3]
A Igreja Militante, somos nós, que ainda estamos na caminhada em busca da “Jerusalém Celeste”. Por outro lado, através da “Liturgia da terra participamos, saboreando já, a Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória”[4].
E Por Fim a Igreja Padecente, que se constitui daquelas almas que assim como nós, já aqui peregrinaram, mas pela vida que levaram não puderam entrar na glória celestial, mas Deus em sua inefável misericórdia, não quis perdê-las e por isso elas passam por um tempo onde tem uma nova chance de se purificar para participarem da glória celeste, e por elas devemos rezar, para terem suas culpas expiadas. Desta forma, “Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade desde os primeiros tempos do Cristianismo a memória dos defuntos”, crendo que um dia gozaram dos prêmios celestes.[5]
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Notas
Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria
“Cheia de júbilo estou diante do Senhor, e minha alma exulta em meu Deus, pois ele me revestiu com a vestimenta da salvação, e me cobriu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas joias. Eu vos glorifico Senhor, porque me protegestes e não consentistes que meus inimigos se alegrassem à minha custa.“ Antífona de Entrada
“Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência”[1], com estas palavras vemos claramente a importância e a predestinação de Maria para tão excelso privilégio, de fato desde o principio ela estava escolhida para de seu ventre puro e imaculado nascer o rei dos reis, o senhor dos senhores.
Escolha tão sublime e perfeita, que não pelos méritos dela, mas pela graça e dom de Deus foi dotada de “nobre e singular triunfo a Virgem, da sua excelentíssima inocência, pureza e santidade, da sua imunidade do pecado original, e da inefável abundância e grandeza de todas as suas graças.”[2]
A devoção a Nossa Senhora, sob o título de Imaculada Conceição, é muito antiga. Por iniciativa do Papa Sisto IV, em 1476, a Igreja introduziu no Calendário Romano, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamava solenemente, o dogma da Imaculada Conceição de Maria, com estas palavras "A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis." (Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.)[3]
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Notas
[1] Conc. V. I, Constituição Ineffabilis Deus, nº 2, 1854.
[2] Ibidem, nº 24, 1854.
[3] Ibidem, nº 41, 1854.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Segundo Domingo do Advento – Angelus
Queridos irmãos e irmãs!
O Evangelho deste segundo domingo do Advento (Mateus 3,1-12) apresenta a figura de São João Batista, que, de acordo com uma famosa profecia de Isaías (cf. 40,3), se retirou para o deserto da Judéia e através de sua pregação, chamou o povo ao arrependimento, a fim de que todos estivessem prontos até a iminente vinda do Messias. São Gregório Magno diz que o Batista prega a verdadeira fé e boas obras... para que o poder penetrante da graça, a luz da verdade, os caminhos para Deus e comecem a ser endireitados pelos pensamentos honestos, após a escuta da Palavra, e guiados para o bem (Hom. In Evangelia em, XX, 3, IAC 141, 155). O precursor de Jesus, localizado entre o Antigo e o Novo Testamento, é como uma estrela antes do nascer do sol, Cristo, o Único, ou seja, em que - de acordo com outra profecia de Isaías – “Sobre ele há de pousar o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e compreensão, espírito de prudência e valentia espírito de conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:2).
Neste tempo de Advento, também nós somos chamados a ouvir a voz de Deus, ecoando no deserto do mundo através das Escrituras Sagradas, especialmente quando prega o poder do Espírito Santo. A Fé, na verdade, torna-se mais forte quando é iluminada pela Palavra de Deus, de "tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela constância e consolação que nos dão as Escrituras, sejamos firmes na esperança”. (Rom. 15:4). O modelo de escuta é a Virgem Maria: "Mãe de Deus, contemplando uma existência inteiramente à palavra, encontramo-nos chamados a entrar no mistério da fé pela qual Cristo vem habitar em nossas vidas. Cada crente cristão, Ambrósio nos lembra, em certo sentido concebe e gera o Verbo de Deus "(Esort. ap. Verbum Domini, 28).Caros amigos, "a nossa salvação está baseada em uma vinda", escreveu Romano Guardini (La santa notte. Dall’Avvento all’Epifania, Brescia 1994, p. 13). Com o Salvador veio à liberdade de Deus... Então, a decisão da fé consiste em aceitar O que se aproxima... (ivi, p. 14). "O Redentor - acrescentou - está em cada homem, em suas alegrias e angústias, em seus conhecimentos de forma clara, em suas dúvidas e tentações, em tudo o que constitui a sua natureza e sua vida" (ivi, p. 15).
Para a Virgem Maria, em cujo ventre habitou o Filho do Altíssimo, e que na próxima quarta, 08 de dezembro, celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição, pedimos-lhe para nos apoiar nesse caminho espiritual, para aceitar com fé e amor a vinda do Salvador.
BENTO XVI, PAPA
Texto original: Italiano
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Mons. Guido Marini em entrevista sobre o Advento
O jornal italiano Avvenire entrevistou Mons. Guido Marini, mestre das Celebrações litúrgicas do Sumo Pontífice, sobre o tempo litúrgico que agora iniciamos.
- Monsenhor Marini, qual é o significado do Advento?
O Advento é o tempo da espera. Da espera que faz referência a uma vinda, que é a vinda do Senhor Jesus, o Filho de Deus, o único Salvador do mundo. O povo cristão, neste tempo forte do ano litúrgico, vive a própria fé renovando a feliz consciência de uma tríplice vinda do Senhor, como falaram os Padres da Igreja.
- Isto é?
Uma primeira vinda, da qual fazemos memória, é aquela do Filho de Deus na história dos homens, no momento da Encarnação. Uma segunda vinda se realiza no hoje da vida, e é incessante. Esta se realiza de diversos modos, a começar pela Eucaristia, presença real do Senhor em meio aos seus, e também nos sacramentos, na palavra das Sagradas Escrituras, nos irmãos, especialmente os pequenos e necessitados. Uma terceira vinda, atenderá nossa esperança, é aquele que se realizará no fim dos tempos, quando o Senhor retornará na glória e tudo será recapitulado nEle.
- O advento também possui uma dimensão mariana?
No tempo do advento o povo cristão é chamado a renovar a consciência que a sua vida é toda contida no mistério de Cristo, aquele que era, que é e que vem. Também por isto o Advento é um tempo marcadamente “Mariano”. A Santíssima Virgem é aquela que num modo único e irrepetível viveu a espera do Filho de Deus, é aquela que de modo singular é toda contida no mistério de Cristo.
- De que modo os simples fiéis e as comunidades cristãs podem ajudar-se para viverem melhor este momento forte do tempo da Igreja?
Entrando neste tempo com uma atitude interior de quem se prepara para viver um período de conversão e de renovamento, orientando decididamente a própria vida ao Senhor. A Igreja, com o ano litúrgico, nos oferece periodicamente a graça de viver momentos espirituais fortes, ocasiões propícias para retornar com ímpeto ao caminho até a santidade. No advento este ímpeto possui um sentido singular, que é aquele da alegria. A alegria ao pensar que o Senhor já se mostrou no seu rosto de amor misericordioso e inimaginável. A alegria ao pensar que o Senhor é nosso contemporâneo e está hoje próximo a nós, no presente da nossa existência, no cotidiano simples da nossas jornadas. A alegria ao pensar que o futuro não está escondido na obscuridade, mas resplandece na luz do Céu, de Deus em Cristo. Todo isto transforma a experiência de vida também em uma virtude de conversão pessoal e comunitária, realizada através de uma oração mais intensa e prolongada, do distanciamento de uma mentalidade secularizada e de uma caridade mais generosa e autenticamente cristã.
- Quais são as características das celebrações neste período?
A liturgia, através dos ritos e das orações, conduz à uma participação ativa do mistério celebrado. Portanto, nas celebrações do tempo do Advento, deve transmitir o sendo da espera típico do Advento. Deve fazer isto com suas próprias orações, com os cantos, com o silêncio, com as suas cores. E com as suas luzes. Em tudo deve fazer-se presente o mistério do Senhor que vem, Ele que é o Princípio e o Fim da história; em tudo deve-se perceber de algum modo tocável a alegria verdadeira e sóbria da fé; em tudo deve-se transparecer o empenho pela mudança do coração e da mente para uma pertença mais radical a Deus.
- E quais as particularidades da liturgia pontifícia?
Embora estando em um contexto específico, devido à presença do Santo Padre, as liturgias papais não podem deixar de apresentar as características típicas deste tempo litúrgico. Com uma nota a mais: a exemplaridade. Porque não se pode esquecer que as celebrações presidida pelo Papa são chamadas a serem ponto de referência para toda a Igreja. É o Papa, o Sumo Pontífice, o grande litúrgo da Igreja, aquele que, também nas celebrações, exercita um verdadeiro e próprio magistério litúrgico ao qual todos devem convergir.
- Este ano em particular a liturgia das Primeiras Vésperas inseriu uma “Vigília pela vida nascente”. Qual é o significado desta particular “combinação”?
Se trata de uma combinação que está se revelando feliz. A iniciativa de uma “Vigília pela vida nascente” proposta pelo Pontifício Conselho pela Famíla, vem de tal modo a inserir-se na celebração do início do Advento, um tempo muito propício para abordar o tema da vida. O Advento é o tempo da espera de Maria, que trazia no seio o Verbo de Deus feito carne.
O Advento é esperar a Verdadeira Vida, aquela que se manifestou no Filho de Deus feito homem, plenitude e cumprimento do desígnio de Deus sobre a humanidade. Naquela Vida, surgida em Belém, a dignidade de cada vida humana encontrou significado novo e definitivo. Assim, verdadeiramente, rezar pela vida nascente, no contexto das Primeiras Vésperas do início ano litúrgico, resulta significativo e providencial.
Fonte: Jornal Avvenire (27.11.10)
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