sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Catedral Metropolitana II

Continuando nossas considerações acerca da Catedral Metropolitana de nossa Arquidiocese, tratemos de alguns aspectos relacionados a sua construção, bem como os diversos momentos pelo qual este belo e mui significativo templo passou.

Destaquemos certos pontos: Quando da chegada dos portugueses a Belém, em 1616, construiu-se uma capela em taipa e palha no Forte do Castelo, na época conhecido como Forte do Presépio, ela "erecta à Nossa Senhora das Graça, e foi portanto esta a primeira casa de Deus no Pará"[1]. Entre 1617 e 1618, o vigário Manoel Figuera de Mendonça transferiu a então Igreja para a área externa, dando início à construção de alvenaria, no coração do centro histórico de Belém.

Fig. 1 - Altar do SS. Sacramento
Com a elevação de Belém a Sede Episcopal no ano de 1719 pelo Papa Clemente XI através da bula Copiosus in Misericordia, elevou-se a até então matriz de Nossa Senhora da Graça a Catedral do Bispado, cabe destacar que desde o ano de 1714 as funções paroquiais desta tinham sido removidas para Igreja de São João Batista, já que a igreja matriz ameaçava ruir. Sentiu-se a necessidade da reconstrução da antiga matriz, mas de um modo que enaltecesse e representasse a dignidade de Catedral, deste modo “Principiou a obra da Catedral em 1748 e acabou em 1771, em cujo espaço esteve parada por cinco anos. Deste a frontaria até o cruzeiro durou a construção sete anos, as torres e as partes da capela-mor seis anos, e o resto da mesma capela cinco, e por conseqüência foi dezoito anos o tempo efetivo da construção desta igreja. O retábulo do altar-mor é obra de talha aperolada com florões, vasos, grinaldas espirais de colunas torcidas [...] os retábulos dos altares do Sacramento [ver fig. 1] e de Nossa Senhora de Belém, são igualmente de entulho com a mesma cor do altar-mor com os adornos todos dourados. O retábulo do altar-mor [ver fig. 2] tem no alto um grande painel de Nossa Senhora da Graça, obra do ínclito engenho de Pedro Alexandrino de Carvalho, os dez altares da nave também tem painéis que foram colocados no início do ano de 1779. E na Sacristia do bispo há uma capela, cujo teto é de sarapunel ricamente trabalhado”.[2] A benção da catedral deu-se em 23 de Dezembro de 1755, isto é, antes do término total das obras. Na ocasião "relata Ernesto Cruz, que concluída estava a igreja até o arco da capela-mor, mas que, apesar disso, no dia seguinte foi 'trasladado da Igreja de São João para a da Sé, o Santíssimo Sacramento".[3]


Fig. 2 - Retábulo do Altar-Mor
A descrição no parágrafo acima é da decoração anterior a que temos hoje no interior de nossa catedral, cujo estilo atualmente é neoclássico e que anteriormente era barroco. Entre meados e final do séc. XIX, no pastoreio de Dom Antônio de Macêdo Costa, a catedral passou por uma ampla reforma, "iniciadas em 1884, com a ereção do novo altar-mor de mármore, só ficaram completas em maio de 1892."[4]. Cuja reforma modificou profundamente seu interior deixando-o como o conhecemos hoje, destacando-se nesta o altar-mor que foi confeccionado em Roma por Luca Carimini, sendo o Papa Pio IX e o Imperador D. Pedro II colaboradores na compra do referido altar. A pintura interna do Templo e 3 telas dos altares laterais foram trabalhadas por De Angelis. As demais telas são cópias de pintores renascentistas, destaca-se ainda a aquisição de um grande órgão da oficina Cavaillé-Coll inaugurado em 9 de Setembro de 1882.

Podemos afirmar que a Catedral de Belém foi terminada na gestão de D. Vicente Joaquim Zico (1996). Com efeito, foi criado o Ossuário, a Capela das Almas, terminada a Sacristia dos Cônegos, criada a Residência Paroquial.

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Notas


[1]PINTO, Antônio Rodrigues de Almeida. O Bispado do Pará. In.: Annaes da Bibliotheca e Archivo Público do Pará. Belém, tomo 5, pp. 5-191, 1906.
[2] BAENA, Antônio Ladislau. Compêndio das Eras da Província do Pará, p.281
[3]ROCHA, Hugo de Oliveira. A Catedral de Belém: Resuo Histórico e momento atual. Belém: Editora Falangola, 1992, p. 22.
[4]LUSTOSA, Dom Antonio de Almeida. Dom Macedo Costa (Bispo do Pará). Belém: SECULT, 1992, p. 538.


Imagens


Fig. 1 - In: Amazónia Felsínea: António José Landi: itinerário artístico e científico de um arquitecto bolonhês na Amazónia do século XVIII. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1999. p. 239
Fig. 2 - In: FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem filosófica às capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Desenhos originais coligidos pelo Prof. Dr. Edgard de Cerqueira Falcão. São Paulo: Gráficos Brunner, 1970. Retábulo da capela-mor da Igreja da cidade de Belém do Pará, estampa n. 6

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Aconteceu na Arquidiocese de Belém – Criação de Paróquia

No dia 24 de outubro de 2010, foi realizada a Solene Missa de Ereção e Posse de seu primeiro Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (2º Paróquia criada por Dom Alberto Taveira na Arquidiocese de Belém), localizada na Cidade Nova II, pertencente à Região Episcopal São Vicente de Paulo, a nova paróquia foi desmembrada da Paróquia Santa Rita de Cássia. A Santa Missa foi presidida por Sua Excelência Reverendíssima Dom Alberto Taveira, e contou com a presença de inúmeros sacerdotes, diáconos e do Revendo Padre José Maria (vulgo Pe. Zezinho) Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, e também pároco nomeado o Reverendo Padre Santiago. Também se fizeram presente às comunidades Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Nazaré e São Juan Diego, que agora pertencem à área paroquial da nova paróquia.

Algumas fotos da celebração:


 - Profissão de fé do Novo Pároco - 


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sobre a Igreja - Igreja Triunfante, Militante e Padecente

Continuando nossos estudos acerca da natureza da Igreja, abordaremos neste texto o seguinte tema: Igreja Triunfante, Militante e Padecente. Mas para tal, lembremo-nos do tema que tratamos na postagem passada: Igreja Corpo Místico de Cristo, pois o entendimento de tal característica da Igreja é importantíssimo para a compreensão do tema que ora discutimos, pois “Todos os que são de Cristo e têm o Seu Espírito, estão unidos numa só Igreja e ligados uns aos outros n'Ele. E assim, de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo”[1], de fato amigos pelas águas batismais todos estamos unidos a Cristo e uns aos outros, de tal modo que a Igreja é uma só, quer para aqueles que vivem na “Jerusalém celeste”, quer para aqueles que aqui na terra peregrinam, quer para aquelas almas a purificar-se no purgatório.

Por outro lado, pode-se diferenciar a Igreja em Triunfante, Militante e Padecente, pois “enquanto o Senhor não vier na Sua majestade e todos os Seus anjos com Ele, e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido, dos Seus discípulos uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam ‘claramente Deus trino e uno, como Ele é’; todos, porém, comungamos, embora em modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de louvor”[2].

A Igreja Triunfante, como próprio nome pressupõe, é composta por aqueles nossos irmãos mortos, que pela graça de Deus e pela vida que levaram, já gozam das delícias celestes constituindo-se exemplos da vida para nós que ainda peregrinamos, e sendo eles dia e noite a contemplar e glorificar a majestade divina intercedem por nós no céu. Desta Forma “a vida daqueles que fielmente seguiram a Cristo, é um novo motivo que nos entusiasma a buscar a cidade futura e, ao mesmo tempo, nos ensina um caminho seguro, pelo qual, por entre as efêmeras realidades deste mundo e segundo o estado e condição próprios de cada um, podemos chegar à união perfeita com Cristo, na qual consiste a santidade. É sobretudo na vida daqueles que, participando conosco da natureza humana, se transformam, porém, mais perfeitamente à imagem de Cristo, (cfr. 2 Cor. 3,18) que Deus revela aos homens, de maneira mais viva, a Sua presença e a Sua face”.
[3]

A Igreja Militante, somos nós, que ainda estamos na caminhada em busca da “Jerusalém Celeste”. Por outro lado, através da “Liturgia da terra participamos, saboreando já, a Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória”[4].

E Por Fim a Igreja Padecente, que se constitui daquelas almas que assim como nós, já aqui peregrinaram, mas pela vida que levaram não puderam entrar na glória celestial, mas Deus em sua inefável misericórdia, não quis perdê-las e por isso elas passam por um tempo onde tem uma nova chance de se purificar para participarem da glória celeste, e por elas devemos rezar, para terem suas culpas expiadas. Desta forma, “Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam, cultivou com muita piedade desde os primeiros tempos do Cristianismo a memória dos defuntos”, crendo que um dia gozaram dos prêmios celestes.
[5]
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Notas

[1] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 49, 1964
[2] Ibidem, nº 49
[3] Ibidem, nº 50
[4] Conc. V. II, Constituição Sacrosantum Concilium, nº 8, 1963
[5] Conc. V. II, Constituição Lumem Gentium, nº 50, 1964

Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria


“Cheia de júbilo estou diante do Senhor, e minha alma exulta em meu Deus, pois ele me revestiu com a vestimenta da salvação, e me cobriu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas joias. Eu vos glorifico Senhor, porque me protegestes e não consentistes que meus inimigos se alegrassem à minha custa.“ Antífona de Entrada

“Deus, desde o princípio e antes dos séculos, escolheu e pré-ordenou para seu Filho uma Mãe, na qual Ele se encarnaria, e da qual, depois, na feliz plenitude dos tempos, nasceria; e, de preferência a qualquer outra criatura, fê-la alvo de tanto amor, a ponto de se comprazer nela com singularíssima benevolência”[1], com estas palavras vemos claramente a importância e a predestinação de Maria para tão excelso privilégio, de fato desde o principio ela estava escolhida para de seu ventre puro e imaculado nascer o rei dos reis, o senhor dos senhores.

Escolha tão sublime e perfeita, que não pelos méritos dela, mas pela graça e dom de Deus foi dotada de “nobre e singular triunfo a Virgem, da sua excelentíssima inocência, pureza e santidade, da sua imunidade do pecado original, e da inefável abundância e grandeza de todas as suas graças.”[2]

A devoção a Nossa Senhora, sob o título de Imaculada Conceição, é muito antiga. Por iniciativa do Papa Sisto IV, em 1476, a Igreja introduziu no Calendário Romano, a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamava solenemente, o dogma da Imaculada Conceição de Maria, com estas palavras "A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis." (Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.)[3]
______________

Notas

[1] Conc. V. I, Constituição Ineffabilis Deus, nº 2, 1854.

[2] Ibidem, nº 24, 1854.

[3] Ibidem, nº 41, 1854.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Segundo Domingo do Advento – Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste segundo domingo do Advento (Mateus 3,1-12) apresenta a figura de São João Batista, que, de acordo com uma famosa profecia de Isaías (cf. 40,3), se retirou para o deserto da Judéia e através de sua pregação, chamou o povo ao arrependimento, a fim de que todos estivessem prontos até a iminente vinda do Messias. São Gregório Magno diz que o Batista prega a verdadeira fé e boas obras... para que o poder penetrante da graça, a luz da verdade, os caminhos para Deus e comecem a ser endireitados pelos pensamentos honestos, após a escuta da Palavra, e guiados para o bem (Hom. In Evangelia em, XX, 3, IAC 141, 155). O precursor de Jesus, localizado entre o Antigo e o Novo Testamento, é como uma estrela antes do nascer do sol, Cristo, o Único, ou seja, em que - de acordo com outra profecia de Isaías – “Sobre ele há de pousar o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e compreensão, espírito de prudência e valentia espírito de conhecimento e temor do Senhor”. (Isaías 11:2).
Neste tempo de Advento, também nós somos chamados a ouvir a voz de Deus, ecoando no deserto do mundo através das Escrituras Sagradas, especialmente quando prega o poder do Espírito Santo. A Fé, na verdade, torna-se mais forte quando é iluminada pela Palavra de Deus, de "tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela constância e consolação que nos dão as Escrituras, sejamos firmes na esperança”. (Rom. 15:4). O modelo de escuta é a Virgem Maria: "Mãe de Deus, contemplando uma existência inteiramente à palavra, encontramo-nos chamados a entrar no mistério da fé pela qual Cristo vem habitar em nossas vidas. Cada crente cristão, Ambrósio nos lembra, em certo sentido concebe e gera o Verbo de Deus "(Esort. ap. Verbum Domini, 28).
Caros amigos, "a nossa salvação está baseada em uma vinda", escreveu Romano Guardini (La santa notte. Dall’Avvento all’Epifania, Brescia 1994, p. 13). Com o Salvador veio à liberdade de Deus... Então, a decisão da fé consiste em aceitar O que se aproxima... (ivi, p. 14). "O Redentor - acrescentou - está em cada homem, em suas alegrias e angústias, em seus conhecimentos de forma clara, em suas dúvidas e tentações, em tudo o que constitui a sua natureza e sua vida" (ivi, p. 15).
Para a Virgem Maria, em cujo ventre habitou o Filho do Altíssimo, e que na próxima quarta, 08 de dezembro, celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição, pedimos-lhe para nos apoiar nesse caminho espiritual, para aceitar com fé e amor a vinda do Salvador.

BENTO XVI, PAPA

Texto original: Italiano
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