sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Especial: Fotos Antigas de nossas Igrejas III

Igreja de Nazaré - Basílica III

Altar-Mór, atente para os púlpitos hoje retirados


Nave da Igreja - Meados do séc. XX

Catedral Metropolitana III

Nave tomada do coro
Altar-Mór
Igreja da Trindade

Atente para a deterioração da Igreja - Início do séc. XX
Igreja das Mercês I



Igreja de Santana da Campina
Fontes:

Edição F. A . Fidanza. Albúm de Belém-Pará, 1902.
Albúm Vistas de Belém, 1900.
Álbum Belém da Saudade. 2ª ed. Belém: Secult, 1998
Arquivo Pessoal
Coleção Digital de Fotografias do IBGE

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Igreja de Belém está em festa pela nomeação do seu Bispo Auxiliar


O Santo Padre o Papa Bento XVI, acolhendo a solicitação de Dom Alberto Taveira feita em junho de 2010, nomeou na manhã desta quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011, o Rev. Mons. Teodoro Mendes Tavares, C.S.Sp. (Titular da Igreja de Verbe - Pamfília, sufragânea da Arquidiocese de Perge) como Bispo Auxiliar para a Arquidiocese de Belém.

Foto: Portal ORM
O Reverendo Mons. Teodoro Mendes Tavares, C.S.Sp. (Congregatio Sancti Spiritus sub tutela Immaculati Cordis Beatissimae Virginis Mariae - Congregação do Espírito Santo sob a proteção do Coração Imaculado de Maria, e assim resumida C.S.Sp. ) nasceu no dia 7 de janeiro de 1964, em São Miguel Arcanjo - Ilha de Santiago (Cabo Verde). Ele professou seus votos como membro da Congregação dos Padres Espiritanos no dia 8 de setembro de 1986 e foi ordenado sacerdote em 11 de julho de 1993.

Mons. Teodoro estudou filosofia no Instituto Superior de Teologia, em Braga - Portugal (1986-1987) e teologia na Universidade Católica Portuguesa, Lisboa (1988-1993). Em seguida, ele obteve uma licenciatura em ecumenismo, no Trinity College, Dublin, Irlanda (1994). Ele também freqüentou um curso de língua francesa, na Alliance Française.

No decurso do seu ministério sacerdotal ocupou os seguintes cargos: Vigário Geral e Pároco em Alvarães, Carauari Uarini, na Prelazia de Tefé, Amazonas (1995-1998); Vigário Geral da Prelazia de Tefé (desde 2000); pároco da paróquia Bom Jesus, em Tefé; Chefe do Centro de Educação Profissional Tefé (desde 1999); Superior Maior dos Espiritanos Distrito da Amazônia (2003 até o presente); Delegado ao Capítulo XIX da Congregação Geral, em Cascais, Portugal (2004).

A Igreja de Belém está em festa, certa de que Deus escolheu um homem de fé para auxiliar Dom Alberto Taveira no governo arquidiocesano. Peçamos que Santa Maria de Belém derrame graças abundantes sobre esse novo cooperador da Igreja particular de Belém.

Conhecendo os grupos paroquiais

Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus
Região Episcopal: São Vicente de Paulo
Data de Criação: 30 / 09 / 1994
Endereço: Rua Fortaleza - nº 117 - Bairro: Águas Lindas - Ananindeua
Pároco: Francisco Monteiro Ferreira (Vulgo Padre Red)




O Grupo
O grupo de servidores do altar da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus foi criado no dia 24 de abril de 1999, pelo então seminarista Glaudemir, no período em que fez seu estágio pastoral na sobre dita Paróquia, e hoje mais estruturado conta com a atual coordenação:
Coordenador: Marcos Rodrigo 
Vice-coordenador: Vinicius Rafael 
Secretária: Claudia Brasil





Todo 1º sábado de cada mês é realizada pela parte da manhã um encontro de formação com todos grupos de Servidores do Altar (Matriz e Comunidades), e no 3° sábado de cada mês é  realizado um encontro com todos os coordenadores tanto da matriz como das comunidades, para a troca de experiências e planejamento. O Grupo da Matriz se reúne ordinariamente todos os sábado às 15h no salão paroquial.



Enviado por: Marcos Rodrigo

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre a Igreja - Ritos: Orientais e Ocidentais

Divisão dos Ritos

1. Ritos Orientais

2. Ritos Ocidentais

AS LITURGIAS ORIENTAIS

As Liturgias orientais podem-se reduzir a dois grupos, que tomam sua denominação dos centros principais: Jerusalém e Alexandria.

I. O primeiro é o grupo da Liturgia de Jerusalém.

1. A Liturgia chamada de S. Tiago. É, sem dúvida, fundamentalmente obra do primeiro bispo de Jerusalém. Pode ser considerada tipo das Liturgias orientais. (Kössing Kaulen, s. v. Kirchenlexikon.)

2. A Liturgia antioquena. Conhecemo-la só por algumas observações de S. João Crisóstomo. Antioquena é também a Liturgia clementina conservada no livro 8° das "Constituições apostólicas", que são, quanto à redação, obra de teólogo antioqueno feita cerca de 380. Esta desapareceu.

3. A Liturgia jacobítica. Em versão siríaca está em uso nas igrejas dos monofisitas chamados jacobitas, conforme o nome do autor do cisma, Jacó Baradai (+ 578). Contam-se perto de 50 "Liturgias" de menos importância criadas por eles. A Liturgia normal é permitida aos "unidos" com Roma.

4. A Liturgia dos maronitas traz o nome de S. Marão (+ cerca de 423). Tem muitos elementos da Igreja romana: é em língua siríaca antiga.

5. A Liturgia armênia, com elementos gregos e mesmo romanos, introduzidos na época das cruzadas.

6. A Liturgia nestoriana, em Curdistão, na Pérsia, em língua siríaca.

7. A Liturgia caldéia, i. é, o rito dos nestorianos unidos no século 16 com Roma, na Síria, Pérsia, Iraque; tem elementos romanos.

8. A Liturgia siro-malabárica, igual à Liturgia nestoriana. A Liturgia dos "unidos" tem elementos romanos.

9. A Liturgia bizantina, semelhante na sua ordem à de S. Tiago (Kóssing, Kaulen no Kirchenlexikon, s. v. Liturgie), usa três fórmulas atribuídas a três santos: uma a S. Gregório Magno, outra, breve e mais antiga, a S. João Crisóstomo, a última a S. Basílio, mais extensa e modificada por este santo. Estas duas últimas existem em língua grega entre os gregos, entre os russos em russo, entre os sérvios, rutenos e búlgaros em eslavo antigo, entre os geórgios em geórgio, entre os romenos em romeno.

Além da Liturgia bizantina, também a romana foi traduzida em eslavo antigo por S. Cirilo e está ainda em uso. Em algumas dioceses é permitido escrever os livros litúrgicos, sem mudar o texto, em, glagólico, forma antiga e por isso muito estimada das letras eslavas. Na última edição do missal eslavo (1927) só o cânon é impresso em letras glagolíticas, o resto do missal em letras latinas:

Como se vê, a Liturgia bizantina conquistou grande parte do Oriente. Outrora em vigor na Itália meridional e Sicília, hoje está restringida a poucas dioceses.

II. O segundo grupo é o de Alexandria, no Egito.

1. A Liturgia egípcia, atribuída a S. Marcos, fundador da Igreja de Alexandria; é em língua grega. Desapareceu debaixo da influência do patriarcado de Constantinopla. A única em vigor desde então foi a bizantina. A antiga Liturgia de S. Marcos ainda é usada sob o nome de Liturgia de S. Cirilo, traduzida para várias línguas, inclusive a arábica (Melchitas) .

2. A Liturgia cóptica é de S. Cirilo (= S. Marcos) em língua saídica e boáirica, dois dialetos da língua egípcia.

3. A Liturgia etiópica é o monumento mais antigo de Liturgia fixa. Foi escrita no III século com o nome de apostoliké parádosis (tradição apostólica) e é atribuída a S. Hipólito. Estava muito espalhada no Oriente, mas conservou-se só em versão cóptica, e é usada na Etiópia na língua antiga geez sob o nome de "Liturgia dos santos apóstolos"; é a Liturgia normal, ao lado da qual existem cerca de 10 outras.

AS LITURGIAS OCIDENTAIS

As Liturgias ocidentais usam a língua latina. Somente algumas dioceses da Iugoslávia têm a Liturgia romana em versão eslávica antiga, impressa com letra especial, a glagolítica.

A respeito da origem das Liturgias ocidentais escreve o papa Inocêncio I (+ 419) numa carta: "É manifesto que ninguém em toda a Itália, Gália, Espanha, África e ilhas adjacentes fundou igrejas, senão as que o apóstolo Pedro ou seus sucessores estabeleceram como bispos. Daí se segue que estes têm de guardar o que guarda a Igreja romana, da qual, sem dúvida, tiram sua origem." (Eisenhofer, p. 31-39; Gatterer. Ann. lit. p. 31.)

1. A Liturgia galicana, hoje fora de uso, estava muito espalhada antes de Carlos Magno. Chama-se galicana por Causa de seu emprego geral na França (Gália). Assemelha-se em vários pontos às Liturgias orientais; na sua essência, porém, parece rito romano. Os elementos gregos explicam-se mormente pela influência da Liturgia de Milão. Foi abolida por Carlos Magno.

Conforme relata Durandus (V, c. 2, n. 5), coagiu todos os clérigos com ameaças e suplícios a observar a Liturgia gregoriana (romana) e a queimar os livros da Liturgia ambrosiana (galicana). Razão principal teria sido que a Liturgia ambrosiana instituía muitas coisas segundo o rito grego. O papa Adriano I ordenou que a Liturgia romana fosse observada por toda parte. Esta notícia corresponde à situação política. Tanto o papa como Carlos Magno queriam diminuir a influência grega no Ocidente. Por isso Carlos exigia que os sacerdotes fossem examinados, para ver se sabiam de cor e entendiam as orações da missa segundo o missal romano. (Conc. Aq. 802; Hefele K. G_ Ill, p. 744.)

2. A Liturgia ambrosiana, denominada de S. Ambrósio, bispo de Milão, parece também de origem romana com elementos gregos. Estes se explicam pela presença e influência dos gregos em Milão; foi esta cidade por algum tempo residência imperial e sé de um bispo ariano, Auxêncio, natural da Capadócia (séc. IV).

Eugênio IV mandou ao cardeal Branda de Castiglione que introduzisse em Milão a Liturgia romana. Mas o povo, muito apegado a seu rito costumado, exasperou-se tanto que o cardeal viu-se obrigado a fugir às pressas. Ainda é vigente na diocese, de Milão e nalgumas dúzias de paróquias das dioceses de Bergamo, Novara, e do Cantão Ticino (Suíça).

3. A Liturgia mocarábica tem o seu nome dos moçárabes (assim se chamaram os cristãos debaixo do domínio dos árabes na Espanha). A sua Liturgia estava em vigor no reino dos visigodos. Está infiltrada de elementos galicanos.

Temendo os papas pela pureza e união da doutrina católica, procuraram introduzir o rito romano. Grande foi a resistência. Gregório VII, auxiliado pelos príncipes dos reinos cristãos, conseguiu vencê-la. O rito romano foi admitido com grande pompa pela primeira vez no convento de S. João de La Pena, no dia 20 de março de 1071, na presença do legado pontifício Hugo Cândido, do rei D. Sancho Ramirez, dos bispos e de toda a corte. A Liturgia moçarábica conservou-se somente no reino arábico de Granada. Com a conquista desta cidade parecia extinta. Mas o cardeal Ximenes mandou imprimir um missal e um breviário moçárabe e fundou um colégio de sacerdotes encarregados de celebrar numa capela da catedral de Toledo missa e ofício em rito moçárabe. Fundação semelhante foi feita por Rodrigo de Talavera na catedral de Salamanca. Em Toledo existem ainda duas paróquias moçárabes: a das Ss. Justa e Rufina e a de S. Marcos.

Algumas outras Liturgias conhecemos só em fragmentos, ex., a céltica na Gália, a africana na África do Norte.

A LITURGIA ROMANA

Como o rito romano, essencialmente, foi sempre o mesmo, assim o rito de todo o Ocidente foi, essencialmente, como parece, sempre o romano. No desenvolvimento do rito romano podemos distinguir várias épocas de duração aproximada. Esta sistematização não pretende marcar uma interrupção do processo historicamente contínuo, mas facilitar a sua compreensão.

I. A Liturgia romana meio fixa e meio improvisada (c. 100-400). Dos primeiros séculos não possuímos nenhum livro litúrgico do rito romano. A chamada "Tradição apostólica" exarada, como se afirma, em Roma por S. Hipólito, no tempo do papa Calisto (217-222), existe, como foi dito, na versão cóptica. É, porém, incerto, se representa o texto oficial da Igreja romana. Mas pode-se supor que, ao menos, não se afasta muito dela; do contrário teria ofendido os seus partidários.

Este rito é brevíssimo. Principia pelo Sursum corda com prefácio, segue-se uma oração de ação de graças pela redenção (eucaristia), consagração, Unde et memores, epiclese, comunhão. O resto do serviço divino estava entregue ao arbítrio do bispo, contanto que não deixasse a explicação da sagrada escritura, a oração pelas várias classes dos fiéis, a devida preparação da matéria para o sacrifício.

S. Justino mártir (+ 167) diz que o bispo agradece o dom eucarístico "ainda por bastante tempo, na medida da sua força." (Eisenhofer, p. 58. 1. Apol. c. 65, c. 67.) Liturgias semelhantes existiam no século IV, em Antioquia na Síria, "As Constituições Apostólicas" 1. 8; no Egito o eucológio (missal) do santo abade Serapião de Tmuis (+ c. 360).

II. A Liturgia romana toda fixa (c. 400-700). É a época dos sacramentários. O sacramentário era livro litúrgico, usado até ao século 13, que continha principalmente o cânon e as orações mutáveis do ofício; para as lições e cantos era necessário outro livro.

1. O primeiro é o sacramentário leonino, em grande parte obra do papa Leão I (440-461). 175 textos desta coleção litúrgica ainda se acham em nosso missal; falta, porém, o cânon.

2. O gelasiano, na opinião dos célebres liturgistas Tomluasi e Muratori, foi redigido no séc. V, provavelmente pelo papa Gelásio (492-496) mesmo.

3. O gregoriano, que é a base do nosso missal romano moderno. S. Gregório Magno (+ 604) compôs um sacramentário, que, porém, se perdeu; o exemplar completo mais antigo é do ano 812. Aboliu a multiplicidade de ofícios, prescreveu, em lugar das duas, só uma oração cada dia, reduziu os 54 prefácios do gelasiano a 10 e acrescentou alguns ofícios. Destes sacramentários se segue que a Liturgia da missa, ao menos desde o século VII, tem sido sempre, com poucas exceções, a mesma.

III. A Liturgia romana generalizada (c. 700-1500). O papa S. Gregório mandou em 597 para a Inglaterra o monge beneditino S. Agostinho com 40 companheiros. Implantaram a Liturgia romana naqueles reinos, impedindo a propagação da Liturgia céltica, trazida pelos monges irlandeses (Coelho, I, 224).

Da Inglaterra a Liturgia romana passa com os missionários ingleses, S. Vilibrordo e outros, para a Frísia; com S. Ansgário, para a Dinamarca e Suécia, com S. Bonifácio, para a Alemanha e o país dos francos, onde, protegida por Pepino e Carlos Magno, suplantou a Liturgia galicana, aceitando, porém, alguns elementos galicanos. Esta Liturgia da corte tornou-se geral em todos os países do reino dos francos e também em Roma. Nos reinos da península ibérica, a Liturgia romana foi propagada mormente pelos beneditinos de Cluni, que contribuíram para a supressão da Liturgia moçárabe.

IV. A Liturgia romana única (desde 1500). Os sacramentários só continham as fórmulas para a missa solene. As missas privadas, muitas vezes, particularmente no concílio de Treves (1310), proibidas, generalizaram-se; novas festas foram introduzidas e os papas deixaram liberdade nas matérias não contidas no sacramentário romano. Assim, pouco a pouco se formou grande diferença na Liturgia de vários países e dioceses.

Ao concílio de Trento foram dirigidos pedidos no sentido de reformar também a Liturgia e reduzi-la à unidade. Em conseqüência disso o papa Pio V publicou o novo breviário (1568) e o novo missal (1570) para toda a Igreja. Sisto V (1588) instituiu a Congregação dos Ritos, encarregada de fiscalizar e desenvolver o rito romano, de maneira que novos abusos não se pudessem arraigar tão facilmente. As (c. 80) dioceses da França que tinham abandonado a reforma piana e editado livros litúrgicos próprios, no século XIX adotaram a reforma de Pio V. Existe, assim, unidade na Igreja romana.

V. Reforma de Pio X. Este papa introduziu o antigo costume de recitar no breviário, cada semana, todo o saltério, sem tornar o ofício mais comprido e sem diminuir o culto dos santos. (Edição de 1914.) No missal, os domingos, e principalmente as férias maiores da quaresma, ocuparam uma posição mais própria, para favorecer o espírito do ano eclesiástico. (Edição típica de 1920.)

Liturgias romanas antepianas. Pio V tinha abolido só os missais e os breviários que não tinham em seu favor aprovação pontifícia ou costume superior a 200 anos. Por isso conservaram-se algumas Liturgias antigas no Ocidente:

1. O rito monástico dos beneditinos e das ordens da mesma regra.

2. O rito cisterciense dos monges de Cister, reformados pelo abade Cláudio Vaussin em 1641; é bastante diferente do rito romano.

3. O rito carmelitano ou hierosolimitano, empregado pelos carmelitas observantes.

4. O rito dominicano, muito semelhante ao carmelitano; é próprio dos dominicanos.

5. O rito cartusiano, que não difere muito do romano; é próprio dos cartuxos.

6. O rito premonstratense, próprio dos cônegos regulares premonstratenses.

7. O rito da diocese de Braga, próprio da arquidiocese de Braga, em Portugal.

8. O rito da diocese de Lião, na França; é quase todo romano. Todos estes ritos têm missal próprio, breviário próprio, ritual e cerimonial, com exceção do rito monástico, que tem só breviário próprio, e do rito de Lião, que tem só missal próprio. (Piacenza, Liturg., p. 10.)

A Liturgia ambrosiana e a moçárabica já foram mencionadas.

Fonte: REUS, João Batista. Curso de Liturgia. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 1944.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A nobre simplicidade das vestimentas litúrgicas

Por: Padre Uwe Michael Lang, C.O.* 

Padre Uwe Michael Lang
A tradição bíblica aclama Deus como "o próprio autor da beleza" (Sb 13,3), glorificando-o pela grandeza e pela beleza das obras da criação. O pensamento cristão, com base sobretudo na Sagrada Escritura, mas também a filosofia clássica como auxiliar, desenvolveram o conceito de beleza como uma categoria teológica.
Este ensinamento ressoa na homilia do Papa Bento XVI na Missa de dedicação da igreja da Sagrada Família, em Barcelona (7 de novembro de 2010): "A beleza é também reveladora Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo". A beleza divina manifesta-se de forma totalmente particular na liturgia sagrada, também através das coisas materiais das quais o homem, feito de alma e corpo, tem necessidade para alcançar as realidades espirituais: o edifício de culto, os ornamentos, paramentos, imagens, música, a própria dignidade das cerimônias.
A propósito disso, deve ser lido o quinto capítulo sobre "A dignidade da celebração litúrgica", na última encíclica do Papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), que afirma que o próprio Cristo quis um ambiente digno para a Última Ceia, pedindo aos discípulos que a preparassem na casa de um amigo que tinha uma "sala grande e disposta" (Lc 22, 12; cf. Mc 14, 15). A encíclica recorda também a unctio de Betânia, um acontecimento significativo que precedeu a instituição da Eucaristia (cf. Mt 26; Mc 14, Jo 12). Frente ao protesto de Judas, de que a unção com o óleo precioso era um "desperdício" inaceitável, tendo em conta as necessidades dos pobres, Jesus, sem diminuir a obrigação de caridade concreta para com os necessitados, declara seu grande apreço pelo ato da mulher, porque a sua unção antecipa "essa honra de que seu corpo permanecerá digno, mesmo depois da morte, indissoluvelmente ligado ao mistério da sua Pessoa" (Ecclesia de Eucharistia, n. 47). João Paulo II conclui que a Igreja, como a mulher de Betânia, "não temeu ‘desperdiçar', investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu estupor de adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia" (ibid., n. 48). A liturgia exige o melhor das nossas possibilidades, para glorificar Deus Criador e Redentor.
No fundo, o cuidado atento das igrejas e da liturgia deve ser uma expressão de amor ao Senhor. Mesmo em um lugar onde a Igreja não tem grandes recursos materiais, não podemos negligenciar este dever. Já um Papa importante do século XVIII, Bento XIV (1740-1758), em sua encíclica Annus qui (19 de fevereiro de 1749), dedicada principalmente à música sacra, pediu ao seu clero que as igrejas fossem bem conservadas e equipadas com todos os objetos sagrados necessários para a digna celebração da liturgia: "Ressaltamos que não falamos da suntuosidade e da magnificência dos templos sagrados, nem da preciosidade dos ornamentos sagrados, sabendo que nós também não podemos tê-los em todo lugar. Falamos da decência e da limpeza que ninguém está autorizado a negligenciar, sendo a decência e a limpeza compatíveis com a pobreza".
A constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II, pronunciou-se de forma semelhante: "Ao promover e incentivar uma arte verdadeiramente sagrada, busquem mais uma nobre beleza do que o mero luxo. Isso tem que ser aplicado também às vestes sagradas e ornamentos" (Sacrosanctum Concilium, n. 124). Esta passagem se refere ao conceito da "nobre simplicidade", introduzido pela Constituição no n. 34. Este conceito parece originário do arqueólogo e historiador de arte Johann Joachim Winckelmann, alemão (1717-1768), segundo o qual a escultura grega clássica foi caracterizada pela "nobre simplicidade e serena grandeza". No início do século XX, o conhecido liturgista inglês Edmund Bishop (1846-1917) descreveu o "gênio do rito romano" como distinguido pela simplicidade, sobriedade e dignidade (cf. E. Bishop, Liturgica Historica, Clarendon Press, Oxford 1918, pp. 1-19). A esta descrição não falta mérito, mas é preciso estar atentos à sua interpretação: o rito romano é "simples" em comparação com outros ritos históricos, como os orientais, que se distinguem por sua grande complexidade e suntuosidade. Mas a "nobre simplicidade" do rito romano não deve ser confundida com uma mal-entendida "pobreza litúrgica" e com o intelectualismo, que podem levar à ruína a cerimônia, fundamento do culto divino (cf. a contribuição fundamental de São Tomás de Aquino na Summa Theologiae III, q. 64, a. 2; q. 66, a 10; q. 83, a.4).
A partir destas considerações, é evidente que as vestes sagradas devem contribuir "para o decoro da ação sagrada" (Instrução Geral do Missal Romano, n. 335), especialmente "na forma e no material utilizado", mas também, embora de forma mesurada, nos ornamentos (ibid., n. 344). O uso das vestimentas litúrgicas expressa a hermenêutica da continuidade, sem excluir nenhum estilo histórico particular. Bento XVI apresenta um modelo em suas celebrações, quando usa tanto vestes de estilo moderno como, em alguma ocasião solene, as "clássicas", também usadas por seus antecessores. Isto segue o exemplo do escriba, convertido em discípulo do reino dos céus, comparado por Jesus com um chefe de família que tira do seu tesouro nova et vetera (Mt 13,52).

* O Reverendo Padre Uwe Michael Lang é consultor do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

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O artigo acima foi publicado na edição portuguesa da agência Zenit (13.02.11)
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