quinta-feira, 8 de setembro de 2011

In Nativitate Beátae Maríae semper Vírginis


Salve, sancta Parens,eníxa puérpera Regem:
qui coelum terrámque regit in sǽcula sæculórum.


Hoje a sagrada liturgia comemora o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta "casa", que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo. 
Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus. 
De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.
Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade. 

Nossa Senhora, rogai por nós!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Solenidade de Santa Maria de Belém - Padroeira da Arquidiocese e da Cidade de Belém


A desconhecida Belém de Judá, pequena aldeia no tempo de Cristo, tornou-se famosa em todo o mundo por ter sido o berço do Salvador, iniciando-se ali uma nova era para a humanidade. Apesar de a Judéia ser um estado vassalo de Roma na época de Herodes, somente após a queda de Jerusalém, no ano 70, ela passou a fazer parte do Império Romano. O imperador Constantino, convertido ao cristianismo, mandou edificar no ano 330, sobre a gruta da Natividade, uma basílica, cujos belos mosaicos representando os antepassados de Jesus e os profetas que anunciaram o seu nascimento a celebrizaram como um dos principais monumentos artísticos da Cristandade.
Havia no templo uma imagem bizantina da Virgem Santíssima, que se tornou conhecida com o título de Santa Maria de Belém. Seu culto se espalhou pela Europa, chegando a Portugal através de religiosos e peregrinos que estiveram na Terra Santa.
No início do século XV, o infante D. Henrique, fundador da Escola de Sagres e grande incentivador das navegações portuguesas, mandou construir na praia do Restelo, em Lisboa, uma igreja dedicada àquela invocação. Dizia ele que, assim como a estrela de Belém guiou os Reis Magos até a manjedoura onde se achava o Menino Deus, assim também a Senhora de Belém ajudaria a encontrar novas terras e o caminho para as Índias.
Foi ali, na pequena ermida do Restelo, que Vasco da Gama, antes de seguir à procura das Índias em 1497, passou a noite em oração e assistiu à Santa Missa. O Gama conseguiu êxito completo em sua arriscada travessia marítima, chegando são e salvo à lendária Calicut, onde foi recebido pelo Samorim. Em agradecimento à proteção da Soberana dos Mares, el-rei D. Manuel transformou a humilde capela de Santa Maria de Belém no suntuoso mosteiro conhecido atualmente como “Os Jerônimos”, uma das obras-primas da arquitetura manuelina.
Desde então as grandes expedições marítimas eram precedidas de solene cerimônia religiosa na magnífica igreja da Protetora dos Navegantes. Pedro Álvares Cabral, antes de iniciar sua viagem de descobrimento, ali assistiu à Santa Missa e seguiu como rei em procissão até o cais, onde a frota, pronta para zarpar, salvou com entusiasmo seu soberano e seu comandante.
Trazida para o Brasil pelos primeiros povoadores, esta invocação da Mãe de Deus teve muitos devotos em todo o território nacional, principalmente em Itatiba (SP) e Belém do Pará, que lhe dedicaram suas paróquias.
No Natal de 1615 o capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco partiu de São Luís do Maranhão com três navios e 150 homens, para ocupar o Amazonas. Em janeiro de 1616, desembarcou na foz daquele rio, na formosa baía do Guajará, onde ergueu o Forte do Presépio, fundando uma povoação que mais tarde recebeu o nome de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.
Alguns anos depois, Castelo Branco entrou em conflito com a tropa e, devido à violência com que tratou seus oficiais, foi preso, demitido do cargo de capitão-mor e levado para Portugal. Os indígenas aproveitaram-se da desunião entre os conquistadores, cercaram a vila e nela penetraram matando velhos, mulheres e crianças. O historiador sacro Frei Agostinho de Santa Maria, em seu livro publicado em 1722, afirmava que o nome de Nossa Senhora de Belém teria sido dado à Padroeira da cidade “em memória dos Santos Inocentes que em Belém foram degolados por amor a Jesus, a quem Herodes também pretendia matar”.
Na capital paraense os festejos da Protetora se realizam a 1º de setembro, na Sé que durante muito tempo esteve sob o orago de Nossa Senhora da Graça. Somente em fins do século passado, devido a uma promessa feita pelo Bispo D. Macedo Costa, a Catedral foi entregue a Santa Maria de Belém numa cerimônia solene, perpetuada em artísticos painéis na abóbada do templo.
Na fachada daquela igreja, uma das mais belas do Brasil Colonial, inspirada na arquitetura oficial da corte de Lisboa na época de D. João V, pode-se admirar uma enorme efígie da Virgem Maria com o Menino Jesus já grandinho, sentado em seu colo e abraçando sua Mãe. Sobre o altar-mor, além de bonita imagem semelhante à da fachada, existe uma grande tela, executada por pintor português, representando o presépio de Belém, como recordação do nome dado ao forte, do qual se originou a pitoresca cidade das mangueiras.
Viajando à procura do rio-mar, o capitão Francisco Caldeira Castelo Branco, guiado pela estrela do Natal, chegou ao local predestinado a ser o berço da civilização luso-brasileira no extremo norte do Brasil, a cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, porta de entrada da fabulosa Amazônia.

ICONOGRAFIA:
Existem várias representações da Senhora de Belém. Em Lisboa, na capela dos Jerônimos, Ela aparece com José e o Menino Jesus de pé entre seus pais, usando roupas bordadas. O Divino Infante aparenta uma criança de mais de um ano, pois está de pé. Segundo alguns historiadores Ele teria esta idade quando aconteceu o episódio da "Matança dos Inocentes" e da "Fuga para o Egito".
As imagens de Nossa Senhora de Belém, existentes na fachada e no altar-mor da Sé paraense, representam Maria de pé com o Menino Deus já grandinho, sentado em seu colo e abraçando sua mãe. Já a colocada no mesmo altar mostra São José e Nossa Senhora reclinados sobre a manjedoura, onde repousa Jesus recém-nascido. Acreditamos que esta tela seja mais uma lembrança do Presépio, devido ao nome dado ao forte, do qual se originou a cidade.

* * *
Sua Excelência Reverendíssima Dom Alberto Taveira Corrêa - X Arcebispo Metropolitano, presidirá o Solene Pontifical de Santa Maria de Belém, hoje (01), às 19h na Catedral Metropolitana de Belém.

Fonte: Catedral Metropolitana de Belém

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CAMPANHA "FOTOS DE SÃO TARCÍSIO 2011"


Pedimos a todos os Servidores do Altar que bateram fotos da Procissão e/ou da Santa Missa de São Tarcísio 2011, que aconteceu no ultimo dia 15 de agosto de 2011, que nos envie as fotos para o e-mail: servidoresdoaltar.arquidiocesedebelem@hotmail.com, pois elas serão postadas aqui no nosso Blog "Ministrare et dare animam suam" e é claro que daremos os devidos créditos, desde já agradecemos o apoio de todos!

Obs.: Ao enviar o e-mail coloque em anexo as fotos se possível em uma pasta zipada e devidamente identificada e não se esqueça de se auto-identificar colocando seu nome e o da sua Paróquia.

Cordialmente,

Conselho Arquidiocesano dos Servidores do Altar

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ato de devoção - Região Episcopal Santa Maria Goretti

A Região Episcopal Santa Maria Goretti, realizou o Ato de Devoção a São Tarcísio no último dia 10 de agosto, às 19h, na Paróquia Santa Maria Goretti - Guamá. A Santa Missa foi presidida pelo Reverendo Padre Carlos Azevedo - Pároco. Cerca 80 Servidores do Altar participaram da Santa Missa, ao final da Celebração aconteceu uma confraternização entre os Servidores do Altar da Região.









sábado, 27 de agosto de 2011

Paramentos Litúrgicos III: O Cingulo

História
Depois de uma pausa para a nossa V Festividade de São Tarcísio, vamos dar continuidade a nossa série de matérias, vamos falar hoje um pouco sobre o cíngulo. O cingulo é uma veste de origem romana que se anexou aos paramentos litúrgicos e recebeu da tradição da Igreja um significado cristão. A primeira menção do cíngulo é uma carta do papa Celestino aos bispos de bispos de Viena e Narbone, na Gália no século V. A forma do cíngulo, desde a antiguidade até parte da Idade Média, era de uma estreita faixa com 6 ou 7 centímetros de largura. Era comumente de linho e, por vezes, bordado. O formato de cordão só se popularizou depois do século XV e hoje, é o dominante.


Forma e Cores
O cíngulo conta, na atualidade, de um cordão de cerca de 4 metros com dois pompons nas pontas com franjas. O cíngulo segue a cor do tempo, podendo ser branco, roxo, rosa, preto, vermelho, verde ou de cor festiva (dourado). Entretanto, como os demais paramentos usa-se o branco na falta da cor específica.


Em relação à ornamentação, a princípio era simples, posteriormente passou a constar de ricos brocados com ouro e pedras preciosas, principalmente durante a Idade Média. Na atualidade, recuperou parte de sua simplicidade inicial. O cíngulo possui decoração austera que pode constar de fios dourados ou prateados unidos à cor do cíngulo, sem pedras ou ornamentos maiores.

Quem usa e como se usa?


Usam o cíngulo todos os ministros de qualquer grau que portam a alva. Nesses se incluem os servidores do altar, acólitos instituídos, leitores instituídos e todos os clérigos. O cíngulo é posto sempre sobre a alva, amarrado a cintura. Se usa-se estola, esta fica, tradicionalmente, presa ao cíngulo. Não se usa cíngulo quando não se veste alva; assim, não se usa cíngulo com vestes corais, com batina e sobrepeliz, etc.

Oração e significado
Para se vestir o cíngulo, o rito extraordinário prevê que o sacerdote reze a seguinte fórmula:

"Praecinge me, Domine, cingulo puritatis, et exstingue in lumbis meis humorem libidinis; ut maneat in me virtus continentiae et castitatis."
"Cingi-me, Senhor, com o cíngulo da pureza, e extingui nos meus rins o fogo da paixão, para que resida em mim a virtude da continência e da castidade."
Tal uso, louvavelmente, pode manter-se na Missa de Paulo VI, uma vez que essa oração resume de maneira piedosa o significado deste paramento. O cíngulo lembra o antigo gesto de amarrar a veste à cintura para melhor trabalhar, daí a citação dos rins, região onde é amarrado para facilitar a labuta. Essa comparação fez o cíngulo se proliferar entre os monges.
Pode-se estabelecer uma relação ainda com a escritura do Antigo Testamento, na qual Deus ordena que os Hebreus comam a Páscoa cingidos (cíngulo) e com o manto (casula). Entretanto a relação que a tradição cristã mais bem aplicou ao cíngulo foi a sua relação com a castidade e a pureza de espírito, como ressalta a oração.

Fotos do uso do cíngulo
É um pouco trabalhoso encontrar imagens que mostrem o uso do cíngulo, uma vez que este paramento é usado sob a casula e, no caso dos bispos, sob a dalmática pontifical. As imagens mostradas são do uso com casula romana, apenas por uma questão de facilidade na visualização.

Sua Santidade durante a adoração da Santa Cruz na Sexta-feira Santa, uso do cíngulo vermelho, cor da celebração.

Ao início da celebração da Paixão, cíngulo vermelho novamente.

Ordenação Sacerdotal: os candidatos ao sacerdócio portando o cingulo sobre a alva.

O Padre Wiremberg no durante a Missa de encerramento da III Escola Arquidiocesana de Cerimoniários, usando o cingulo dourado (festivo). 

Acólitos-assististes, ambos usando alva e cíngulo.

Conclusão
Cíngulo é um paramento que se une a alva. Assim ele possui um significado que remete às atitudes daqueles que os portam. Segundo dizem as orações, aqueles que usa tal veste deve ser repleto de pureza, penitência e especial zelo para ser menos indigno de participar (Servidores do Altar, Acólitos, Diáconos, etc) ou celebrar (Presbíteros, Bispos, etc..) os santos mistérios.
Assim, é importante que se preserve seu uso, bem como sua oração, para que os ministros do altar não se esqueçam que sua vida espiritual se une diretamente ao que se celebra. Não se trata de dar atenção a detalhes de menor importância dentro da liturgia, trata-se de preservar a riqueza construida nos séculos passados e fazer que se mantenha presente os elementos e os significados que nos ajudam a entender melhor o Santo Sacrifício que é o centro da liturgia católica.

Fonte: Blog "Zelus domus tuae comedit me"
Revisão e atualização (fotos) : Blog "Ministrare et dare animam suam" 
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