sábado, 9 de novembro de 2013

Festa da Dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador - São João de Latrão

"Eu vi a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, ornada como a noiva que se preparou para o seu noivo (Ap 21,2)" Antífona de Entrada

Hoje a Santa Igreja celebra a dedicação da Arquibasílica do Santíssimo Salvador, mais conhecida pelo nome de São João de Latrão. É a Igreja-Catedral do Santo Padre como bispo de Roma, mãe e cabeça de todas as igrejas da Terra, pois foi a primeira dedicada ao culto. Neste sentido, celebrar a dedicação desta basílica nos remete a duas realidades, a primeira de natureza visível, vendo o templo como “imagem figurativa da Igreja visível de Cristo, que no orbe da terra ora, canta e adora; deve, conseqüentemente, ser retida como a imagem do seu Corpo místico, cujos membros estão conglutinados pela união na caridade, alimentada pelo orvalho dos dons celestes” (CB, 43), e um segundo sentido de natureza mística que é a de ser “pela majestade da sua construção, a expressão daquele templo espiritual, que é edificado no interior das almas e brilha pela magnificência da graça divina, segundo aquela sentença do apóstolo S. Paulo: ‘Vós sois o templo do Deus vivo’ (2 Cor 6,16)”. Imbuídos deste espírito, creiamos que celebrar esta festa é também celebrar a Igreja como Corpo Místico de Cristo através de sua imagem visível que é a Igreja-Templo.

Ordinário de Santa Missa

Oração do dia
Ó Deus, que edificais o vosso templo eterno com pedras vivas e escolhidas, difundi na vossa Igreja o Espírito que lhe destes, para que o vôo povo cresça sempre mais, construindo a Jerusalém celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Sobre as oferendas

Aceitai, Ó Deus, as nossas oferendas e concedei-nos receber nesta igreja os frutos dos sacramentos e das preces. Por Cristo, nosso Senhor.

Prefácio próprio

(Igreja, esposa de Cristo e templo do Espírito Santo)
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Vós quisestes habitar esta cada de oração para nos tornarmos, pelo auxílio contínuo da vossa graça, o templo vivo do Espírito Santo. Dando-lhe vida sem cessar, santificais a Igreja, esposa de Cristo e mãe exultante de muitos filhos, simbolizada pelos templos visíveis. E, enquanto esperamos a plenitude do vosso reino, com os anjos e com todos os santos, nós vos aclamamos, jubilosos, cantando (dizendo) a uma só voz...

Antífona da comunhão: Como pedras vivas, formai um templo espiritual, um sacerdócio santo (1Pd 2,5).

Depois da comunhão

Ó Deus, que nos destes a Igreja neste mundo como imagem da Jerusalém celeste, concedei que, por esta comunhão, sejamos templos da vossa graça e habitemos um dia em vossa glória. Por Cristo, nosso Senhor.
Fachada principal da Basílica do SS. Salvador - São João de Latrão

Ábside da Basílica



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Escola Arquidiocesana de Servidores do Altar - Santa Missa: Histórico


Escola Arquidiocesana de Servidores do Altar - EASA

Tema: Santa Missa - Histórico
Palestrante: Mons. Raimundo Carrera da Mata - Mons. CID

Data: 09/11/2013
Horário: 15h
Local: Auditório do Centro de Evangelização de Fátima - CEFAT

sábado, 2 de novembro de 2013

Sequência do Dia dos Mortos



Dia de ira! Pobre argila
O Orbe, em cinza ele aniquila
Diz Davi com a Sibila.

Que terror ao viador!
Quando o eterno julgador
Vier Julgá-lo em seu rigor!

Eis que a tuba esparge o tono
E despertos do atro sono,
Correm todos ante o trono.

Treme a morte como a natura,
Ressurgindo a criatura
Para o feito que procura.

Um livro escrito é presente:
Nele tudo está patente
Que ao mundo faz delinqüente.

Do juiz postado o vulto,
Será claro o que era oculto
Nada ao fim sobeja inulto.

Que direi em meu abono?
A quem rogarei patrono,
Vendo o justo no abandono?

Rei, tremendo em majestade
Que, em salvando, tens bondade,
Vem salvar-me em tua piedade.

Ah! Recorda, ó bom Jesus,
Que por mim sofreste a Cruz,
Não me prives de tua luz!

Em buscando a mim cansaste;
Sobre a cruz manso expiaste;
Baldo é quanto elaboraste?

Justo juiz vingador,
Faze a graça ao pecador,
Antes do dia do horror!

Como réu, eu gemo aflito;
Enrubesce-me o delito;
Poupa a quem ora contrito.

Se Maria indultaste,
E, ao ladrão, meigo, escutaste,
A mim também esperançaste.

Minhas preces não são dignas
Mas, me guardem mãos benignas
De eternas fráguas malignas.

Dá-me estar como a ovelha mansa.
Não dos capros na aliança;
De tua destra a vizinhança.

Quando os maus, ao fim desfeitos,
Gemam sobre os ígneos leitos,
Dá que eu seja entre os eleitos.

Oro súplice prostrado,
Coração bem triturado,
De meu fim, Ah! Tem cuidado.

Dia aquele de amargura;
Sai do pó da sepultura
Para o juízo, a criatura.

Dela, ó Deus, enxuga o pranto,
Dá, Jesus, dentro em teu manto
Desses o repouso santo. Amém!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Santo Antônio de Santana Galvão - Memória do Primeiro Santo Brasileiro


"Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do santo Antônio de Santana Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, pó sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Oração da Coleta

O brasileiro Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, São Paulo. Seu pai era Antônio Galvão de França, capitão-mor da província e terciário franciscano. Sua mãe era Isabel Leite de Barros, filha de fazendeiros de Pindamonhangaba. O casal teve onze filhos. Eram cristãos caridosos, exemplares e transmitiram esse legado ao filho. 

Quando tinha treze anos, Antônio foi enviado para estudar com os jesuítas, ao lado do irmão José, que já estava no Seminário de Belém, na Bahia. Desse modo, na sua alma estava plantada a semente da vocação religiosa. Aos vinte e um anos, Antônio decidiu ingressar na Ordem franciscana, no Rio de Janeiro. Sua educação no seminário tinha sido tão esmerada que, após um ano, recebeu as ordens sacerdotais, em 1762. Uma deferência especial do papa, porque ele ainda não tinha completado a idade exigida. 

Em 1768, foi nomeado pregador e confessor do Convento das Recolhidas de Santa Teresa, ouvindo e aconselhando a todos. Entre suas penitentes encontrou irmã Helena Maria do Sacramento, figura que exerceu papel muito importante em sua obra posterior. 

Irmã Helena era uma mulher de muita oração e de virtudes notáveis. Ela relatava suas visões ao frei Galvão. Nelas, Jesus lhe pedia que fundasse um novo Recolhimento para jovens religiosas, o que era uma tarefa difícil devido à proibição imposta pelo marquês de Pombal em sua perseguição à Ordem dos jesuítas. Apesar disso, contrariando essa lei, frei Galvão, auxiliado pela irmã Helena, fundou, em fevereiro de 1774, o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência. 
Ó Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do santo Antônio de Santana Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, pó sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

No ano seguinte, morreu irmã Helena. E os problemas com a lei de Pombal não tardaram a aparecer. O convento foi fechado, mas frei Galvão manteve-se firme na decisão, mesmo desafiando a autoridade do marquês. Finalmente, devido à pressão popular, o convento foi reaberto e o frei ficou livre para continuar sua obra. Os seguintes quatorze anos foram dedicados à construção e ampliação do convento e também de sua igreja, inaugurada em 1802. Quase um século depois, essa obra tornar-se-ia um "patrimônio cultural da humanidade", por decisão da UNESCO. 

Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba. Lá, permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos da construção da Casa. Nesse meio tempo, ele recebeu diversas nomeações, até a de guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo. 

Com a saúde enfraquecida, recebeu autorização especial para residir no Recolhimento da Luz. Durante sua última enfermidade, frei Galvão foi morar num pequeno quarto, ajudado pelas religiosas que lhe prestavam algum alívio e conforto. Ele faleceu com fama de santidade em 23 de dezembro de 1822. Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra. 

Depois, o Recolhimento do frei Galvão tornou-se o conhecido Mosteiro da Luz, local de constantes peregrinações dos fiéis, que pedem e agradecem graças por sua intercessão. Frei Galvão foi beatificado pelo papa João Paulo II em 25 de outubro de 1998, e canonizado em 11 de maio de 2007 pelo papa Bento XVI, em São Paulo, Brasil.

Missa de Canonização presidida por Sua Santidade o Papa Bento XVI


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Memória de Santo Inácio de Antioquia


"Deus eterno e todo-poderoso, que ornais a vossa Igreja com o testemunho dos mártires, fazei que a gloriosa paixão que hoje celebramos, dando a santo Inácio de Antioquia a glória eterna, nos conceda contínua proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo." Oração da Coleta

No centro do Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão exulta em gritos de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos incógnitos, misturados entre os pagãos, esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso. Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome do Cristo. 

Foi graças a Inácio que as palavras cristianismo e Igreja Católica surgiram. Era o início dos tempos que mudaram o mundo, próximo do ano 35 da era cristã, quando ele nasceu. Segundo os estudiosos, não era judeu e teria sido convertido pela primeira geração de cristãos, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus. Cresceu e foi educado entre eles, depois sucedeu Pedro no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada a terceira cidade mais importante do Império Romano, depois de Roma e Alexandria, no Egito. Gostava de ser chamado Inácio Nurono. Inácio deriva do grego "ignis", fogo, e Nurono era nome que ele mesmo dera a si, significando "o portador Deus". Desse modo viveu toda a sua vida: portador de Deus que incendiava a fé. 

Mas sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o recém-construído Coliseu. 

A viagem de Inácio, acorrentado, de Antioquia até Roma, por terra e mar, foi o apogeu de sua vida e de sua fé. Feliz por poder ser imolado em nome do Salvador da humanidade, pregou por todos os lugares por onde passou, até no local do martírio. Sua prisão e condenação à morte atraiu todos os bispos, clérigos e cristãos em geral, de todas as terras que atravessou. Multidões juntavam-se para ouvir suas palavras. Durante a viagem final, escreveu sete cartas que figuram entre os escritos mais notáveis da Igreja, concorrendo em importância com as do apóstolo Paulo. Em todas faz profissão de sua fé, e contêm ensinamentos e orientações até hoje adotados e seguidos pelos católicos, como ele tão bem nomeou os seguidores de Jesus. 

Numa dessas cartas, estava o seu especial pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja triturado pelos dentes dos leões para tornar-me um pão digno de Cristo". Fazia-o sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador. Queria que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar sua religião. 

Em Roma, uma festa que duraria cento e vinte dias tinha prosseguimento. Mais de dez mil gladiadores dariam sua vida como diversão popular naquela comemoração pela vitória em uma batalha. Chegada a vez de Inácio, seus seguidores e discípulos esperavam, ainda, o milagre. 

Que não viria, porque assim desejava o bispo mártir. Era o dia 17 de outubro de 107, sua trajetória terrena entrava para a história da humanidade e da Igreja.

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