Na história do catolicismo, muitos foram os que pereceram, e ainda perecem, pagando com a própria vida a escolha de abraçar a fé cristã. Essa perseguição mortal, que durou séculos, teve início logo após a Ressurreição de Jesus. O primeiro que derramou seu sangue por causa da fé cristã foi Estêvão, considerado por isso o protomártir, do grego proto, que quer dizer primeiro.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão - Diácono e Protomártir
"As portas do céu abriram-se para santo Estêvão, que foi o primeiro dentre os mártires e por isso, coroado, triunfa no céu." Antífona de Entrada
Na história do catolicismo, muitos foram os que pereceram, e ainda perecem, pagando com a própria vida a escolha de abraçar a fé cristã. Essa perseguição mortal, que durou séculos, teve início logo após a Ressurreição de Jesus. O primeiro que derramou seu sangue por causa da fé cristã foi Estêvão, considerado por isso o protomártir, do grego proto, que quer dizer primeiro.
Vividos os eventos da Paixão e Ressurreição, os Doze apóstolos passaram a pregar o evangelho de Cristo para os hebreus. A inimizade, que estava apenas abrandada, reavivou, dando início às perseguições mortais aos seguidores do Messias. Mas com extrema dificuldade eles fundaram a primeira comunidade cristã, que conseguiu estabelecer-se como um exemplo vivo da mensagem de Jesus, o amor ao próximo.
Assim, dentro da comunidade, tudo era de todos, tudo era repartido com todos, todos tinham os mesmos direitos e deveres. Conforme a comunidade se expandia, aumentavam também as necessidades, de alimentação e de assistência. Assim, os apóstolos escolheram sete para formarem como "ministros da caridade", chamados diáconos. Eram eles que administravam os bens comuns, recolhiam e distribuíam os alimentos para todos da comunidade. Um dos sete era Estêvão, escolhido porque era "cheio de fé e do Espírito Santo".
Porém, segundo os registros, Estêvão não se limitava ao trabalho social de que fora incumbido. Não perdia a chance de divulgar e pregar a palavra de Cristo, e o fazia com tanto fervor e zelo que chamou a atenção dos judeus. Pego de surpresa, foi preso e conduzido diante do sinédrio, onde falsos testemunhos, calúnias e mentiras foram a base de sustentação para a acusação. As testemunhas informaram que Estêvão dizia que Jesus de Nazaré prometera destruir o templo sagrado e que também queria modificar as leis de Deus transmitidas a Moisés.
Num discurso iluminado, Estêvão repassou toda a história hebraica, de Abraão até Salomão, e provou que não blasfemara contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem contra o templo. Teria convencido e sairia livre. Mas não, seguiu avante com seu discurso e começou a pregar a palavra de Jesus. Os acusadores, irados, o levaram, aos gritos, para fora da cidade e o apedrejaram até a morte.
Antes de tombar morto, Estêvão repetiu as palavras de Jesus no Calvário, pedindo a Deus perdão para seus agressores. Fazia parte desse grupo de judeus um homem que mais tarde se soube ser o apóstolo Paulo, que, na época, ainda não estava convertido. O testemunho de santo Estevão não gera dúvidas, porque sua documentação é histórica, encontra-se num livro canônico, Atos dos Apóstolos, fazendo parte das Sagradas Escrituras.
Por tudo isso, quando suas relíquias foram encontradas em 415, causaram forte comoção nos fiéis, dando início a um fervoroso culto de toda a cristandade. A festa de santo Estevão é celebrada sempre no dia seguinte ao da festa do Natal de Jesus, justamente para marcar a sua importância de primeiro mártir de Cristo e um dos sete escolhidos dos apóstolos.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O canto ou recitação das Kalendas natalina
A Santa Missa da Noite de Natal pode ser precedida por um breve canto denominado Kalendas. Um texto de beleza litúrgica admirável que contém o anúncio do Natal do Senhor sob o aspecto cronológico, no qual são elencados os principais momentos históricos da Salvação. O Kalendas pode ser considerado então uma espécie de “Proclamação do Natal”, e apesar de apresentar algumas similaridades com o Exultet Pascal, não tem seu uso obrigatório na Liturgia como a Proclamação da Páscoa na Celebração da Vigília Pascal. A Kalendas constitui-se, portanto, um canto natalino de tradição litúrgica antiqüíssima, perfeita opção para se colocar em prática atualmente em nossas celebrações natalinas.
Anteriormente, nas celebrações presididas pelo Papa João Paulo II, o Kalendas era cantado no início da Missa, logo após a saudação inicial, omitindo o ato penitencial. Atualmente, nas Missas de Natal celebradas por Bento XVI, a Kalendas está sendo entoado momentos antes da Celebração, o que também é oportuno, como ressalta Mons. Guido Marini, Mestres das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice: “o martirológio romano prevê o canto da Kalenda no dia da vigília de Natal ao término das Laudes ou de uma hora menor da Liturgia das Horas”.
É recomendável que se a Kalendas for cantada ou recitada antes da Santa Missa, todo o espaço celebrativo já esteja preparado para a Celebração (até mesmo as velas do altar já devem estar acesas). A Kalendas natalina pode ser entoada com a Igreja a “meia luz”, proporcionando um ambiente oportuno para a apreciação deste belo texto litúrgico, sendo que após ser cantado ou recitado, as luzes da igreja se acendem aos poucos acompanhadas de um canto ou somente ao som do órgão.
Abaixo, o texto, em português e em latim:
Em português:
Vinte e Cinco de Dezembro. décima-nona lua.
Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo, quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem;
E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz;
Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;
Treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés;
Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;
Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;
Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;
No ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação da cidade de Roma;
No quadragésimo segundo ano do Império de César Otaviano Augusto;
Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, (aqui eleva-se o tom da voz, e todos se ajoelham até as seguintes palavras: feito homem) nasce em Belém da Judéia da Virgem Maria, feito homem:
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.
R: Graças a Deus.
Em latim:
Octavo Kalendas Ianuarii. Luna undevicesima.
Innumeris transactis saeculis a creatione mundi,
Quando in principio Deus creavit caelum et terram et hominem formavit ad imaginem suam;
Per multis etiam saeculis, ex quo post diluvium Altissimus in nubibus arcum posuerat, signum foederis et pacis;
A migratione Abrahae, patris nostri in fide, de Ur Chaldaeorum saeculo vigesimo primo;
Ab egressu populi Israel de Ægypto, Moyse duce, saeculo decimo tertio;
Ab unctione David in regem, anno circiter milesimo;
Hebdomada sexagesima quinta, juxta Danielis prophetiam;
Olympiade centesima nonagesima quarta;
Ab Urbe condita anno septingentesimo quinquagesimo secundo;
Anno imperii Caesaris Octaviani Augusti quadragesimo secundo;
Toto Orbe in pace composito, Iesus Christus, aeternus Deus aeternique Patris Filius, mundum volens adventu suo piissimo consecrare, de Spiritu Sancto conceptus, novemque post conceptionem decursis mensibus (hic vox elevatur, et omnes genua flectunt), in Bethlehem Iudae nascitur ex Maria Virgine factus homo:
Nativitas Domini Nostri Iesu Christi secundum carnem.
R: Deo Gratias.
Kalendas no Vaticano
Kalendas no Vaticano
Partitura e Letra em Português
Áudio das Kalendas em Português
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
As Antífonas do Ó
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| Imagem: Paróquia Nossa Senhora do Ó - Mosqueiro |
As Antífonas do Ó são sete antífonas especiais, cantadas e/ou recitadas no Tempo do Advento (de 17 - 23 de dezembro - Semana que antecede a Festa do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo). As Antífonas do Ó são assim chamadas porque tem início com esse vocativo.
História:
As Antífonas do Ó foram compostas entre o século VII e o século VIII, sendo uma suma da cristologia, da antiga Igreja, um expressivo desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. São orações curtas, dirigidas a Cristo, que resumem o espírito do Advento e do Natal. Expressam a admiração da Igreja diante do mistério de Deus feito Homem, buscando a compreensão cada vez mais profunda de seu mistério e a súplica final urgente: “Vem, não tardes mais!”. Todas as sete antífonas são súplicas a Cristo, em cada dia, invocado com um título diferente, um título messiânico tomado do Antigo Testamento.
Uso na liturgia:
A reforma litúrgica pós Concilio Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, não esqueceu os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao Papa Gregório Magno. Ela os valorizou ainda mais sendo introduzidas como aclamação ao Evangelho da Santa Missa, além de conservá-los como antífonas do Magnificat da celebração das Vésperas. Cada antífona é composta de uma invocação, ligada a um símbolo do Messias, e de uma súplica, introduzida pelo verbo "vir".
Antífona do dia 17 de dezembro
Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência
Antífona do dia 18 de dezembro
Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do
Antífona do dia 19 de dezembro
Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.
Antífona do dia 20 de dezembro
Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.
Antífona do dia 21 de dezembro
Ó Oriente
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.
Antífona do dia 22 de dezembro
Ó Rei das nações
e objeto de seus desejos,
pedra angular
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes
Antífona do dia 23 de dezembro
Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvarnos,
Senhor nosso Deus.
esperança e salvador das nações,
Vinde salvarnos,
Senhor nosso Deus.
As antífonas em latim têm uma particularidade. Vejamos como começam elas em latim e os dias correspondentes:
Se lermos as palavras, formadas pelas letras iniciais das palavras latinas, após a interjeição “O”, e lidas no sentido inverso, da última para a primeira, nos encontramos diante do acróstico – composição poética em que as letras iniciais dos versos, ou as do meio, ou as do final, formam uma frase ou uma palavra –, ou seja, “O ERO CRAS”. Ao traduzir o texto temos: “ERO” que significa “ontem” e “CRAS” que significa “amanhã”, formando assim a frase: “virei amanhã, serei amanhã, estarei amanhã”, refletindo desta forma a resposta do Messias à súplica dos fiéis.
Termino suplicando neste tempo propicio a oração: “Maranatha!” - Vem Senhor Jesus!
domingo, 15 de dezembro de 2013
III Domingo do Advento (Gaudete)
Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete. Modestia vestra nota sit omnibus hominibus: Dominus enum prope est. Nihil solliciti sitis: sed in omni oratione petitiones vestrae innotescant apud Deum. enedixisti, Domine, terram tuam: avertisti captivitatem Jacob. (Intróito)
Neste domingo, III do Advento, a santa igreja celebra o chamado domingo Gaudete, que possui este nome em razão do intróito deste dia começar por esta palavra, que significa Regozijai. Nosso coração de filhos da santa igreja não poderia estar de outro modo, pois a cor Rósea já anuncia as alegrias que em breve iremos experimentar no Natal do Senhor.
Nesta semana, nos tempos antigos faziam-se os escrutínios dos ordenandos e dos jejuns que precedem as ordenações, a exemplo dos catecúmenos que no IV Domingo da Quaresma (Laetare) preparavam-se para a recepção do batismo, neste III do Advento os eleitos ao sacerdócio preparavam-se para o sacramento da ordem.
Toda a liturgia deste dia aponta que o senhor está próximo, “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo, alegrai-vos! O Senhor está perto” diz a antífona, esta espera deve ser guiada pelo exemplo de João Batista, que não cedeu à tentação de se dizer Messias conforme observamos no Evangelho. Ele não era nem o Messias, nem Elias, nem algum dos profetas, era simplesmente um servo fiel como todos nós o devemos ser para bem receber nosso salvador.segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Advento
"A luz de Cristo quer iluminar a noite do mundo através da luz que somos nós; sua presença já iniciada deve seguir crescendo por meio de nós. Não há alegria mais luminosa para o homem e para o mundo que a da graça, que apareceu em Cristo." João Paulo II
O tempo de preparação de quatro semanas que antecede a Festa do Natal é chamado Advento. Isto quer dizer que o redentor do gênero humano está, por assim dizer, a caminho de nós, enquanto nos preparamos para recebê-lo. A consciência de nosso pecado nos faz esperar ardentemente a vinda do Salvador. Estas quatro semanas nos recordam a primeira vinda do Salvador, em carne, e leva-nos a pensar em sua segunda vinda, no fim do mundo.
As partes próprias das missas nesses quatro domingos põem esse pensamento diante de nossos olhos. Vemos o Salvador que a de vir, como o viram em espírito os patriarcas: “Salus mundi”, a salvação do mundo. Como anunciaram os profetas: “Lux Mundi”, a luz do mundo que dissipa as trevas e ilumina as nações. Como o designou São João Batista, o precursor: “Agnus Dei, qui tollit peccáta mundi”, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Como finalmente Maria o contemplou: “Fílius Altissimi”, filho do altíssimo.
Este tempo nos diz ainda que ele virá uma segunda vez, no fim do mundo(Evangelho I Domingo). Virá não mais como em Belém, com as mãos cheias de misericórdia e com aparência pobre e humilde, mas como juiz dos vivos e dos mortos.
Para celebrar bem o Advento devemos em primeiro lugar, ter um grande desejo do Salvador, o grande desejo que ele nasça no meio de nós, desejo este que nasce da convicção firme da necessidade absoluta de redenção, não somente para nossa pessoa, mas, acima de tudo, para toda a Santa Igreja. Em segundo lugar, devemos manter em nós o espírito de penitência e conversão, sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da sua vinda. É necessário a exemplo de São João Batista que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, lutando incessantemente contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
Particularidades do Advento:
- Durante as quatro semanas não se canta o Glória
- Cor Litúrgica Roxa e Rosa (III Domingo)
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