segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Aconteceu na Arquidiocese de Belém - Tomada de Posse de Novo Pároco


No último dia 18 de fevereiro, na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, no Benguí, pertencente à Região Episcopal São João Batista, o Excelentíssimo Reverendíssimo Dom Alberto Taveira Corrêa deu posse aos Reverendíssimos Padres: Romeu Ferreira da Silva e Aguinaldo Ramos de Freitas, respectivamente Pároco e Vigário da referida Paróquia.

A Celebração começou por volta das 19h00 e teve a duração de uma hora e meia. Na Oração da Assembléia, em uma oração foi lembrado o recém-nomeado Arcebispo Auxiliar, Reverendíssimo Monsenhor Teodoro Tavares, que já esteve duas vezes no Benguí em visita ao Reverendíssimo Pe. João Derickx, pertencente à sua Congregação.

Ao final da Missa, todos os grupos, pastorais e comunidades da Paróquia saudaram os seus novos pastores. Algumas fotos da referida celebração:






Colaboração de texto (Fonte): Leonardo Monteiro.
Fotos: Eric Freire.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um Pouco da História de Nossa Arquidiocese - Cemitério Santa Izabel

Na última postagem de nossa coluna “um pouco da história de nossa Arquidiocese”, fizemos alguns apontamentos acerca do Cemitério Nossa Senhora da Soledade, sobre o que lá escrevemos, vale lembrar do pouco tempo, cerca de 30 anos, em que este serviu a população belemense. Com o fechamento deste, se mandou construir o Cemitério Santa Izabel, que a época ficava cerca de uma légua da cidade, o que não ameaçava a higiene pública, fato este que foi uma das razões do fechamento do Cemitério da Soledade.

Por outro lado, o Cemitério Santa Izabel começou a ganhar as feições que tem hoje a partir de 1890, quando pelo decreto 789 os cemitérios passaram a ser geridos pelo poder público e não eclesiástico, sendo assim passou da tutela da Santa Casa de Misericórdia para as mãos da Intendência (Prefeitura) Municipal de Belém. Na ocasião, o campo santo ganhou tamanho com várias desapropriações empreendidas pelo intendente Senador Antônio Lemos, bem como ganhou Capela que hoje conhecemos.

O Cemitério tem por Pórtico uma grande estrutura em ferro, onde inicia uma alameda ladeada por árvores e jazidos dos mais belos onde repousam a espera da ressurreição os restos de ilustres figuras, a alameda de cerca de 15 metros termina em uma capela gótica, onde dentro há um único nicho e ao centro um apoio para se colocar o féretro para a encomendação.

Apesar de atualmente a área ao redor do cemitério ser densamente povoada, este continua em franco funcionamento, já tendo ultrapassado a marca de um século, o que o coloca bem a frente de seu antecessor.

Capela do Cemitério - início do séc. XX
Fontes:


Albúm de Belém-Pará. Belém: Edição F. A . Fidanza, 1902.

Mensagem do Sua Santidade Papa Bento XVI - Quaresma 2011




BENEDICTUS EPISCOPUS 



SERVUS SERVORUM DEI
AD PERPETUAM REI MEMORIAM



"Sepultados com Ele no baptismo, foi também com Ele que ressuscitastes"
(cf. Cl 2, 12)

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).

1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, "tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo" iniciou para nós "a aventura jubilosa e exaltante do discípulo" (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência "os mesmos sentimentos de Jesus Cristo" (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.

O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa "conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos" (Fl 3, 10-11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo.

Um vínculo particular liga o Baptismo com a Quaresma como momento favorável para experimentar a Graça que salva. Os Padres do Concílio Vaticano II convidaram todos os Pastores da Igreja a utilizar "mais abundantemente os elementos baptismais próprios da liturgia quaresmal" (Const. Sacrosanctum Concilium, 109). De facto, desde sempre a Igreja associa a Vigília Pascal à celebração do Baptismo: neste Sacramento realiza-se aquele grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado, é tornado partícipe da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos (cf. Rm 8, 11). Este dom gratuito deve ser reavivado sempre em cada um de nós e a Quaresma oferece-nos um percurso análogo ao catecumenato, que para os cristãos da Igreja antiga, assim como também para os catecúmenos de hoje, é uma escola insubstituível de fé e de vida cristã: deveras eles vivem o Baptismo como um acto decisivo para toda a sua existência.

2. Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é batizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.

O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição do homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida (cf. Ordo Initiationis Christianae Adultorum, n. 25). É uma clara chamada a recordar como a fé cristã implica, a exemplo de Jesus e em união com Ele, uma luta "contra os dominadores deste mundo tenebroso" (Hb 6, 12), no qual o diabo é ativo e não se cansa, nem sequer hoje, de tentar o homem que deseja aproximar-se do Senhor: Cristo disso sai vitorioso, para abrir também o nosso coração à esperança e guiar-nos na vitória às seduções do mal.

O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. A comunidade cristã toma consciência de ser conduzida, como os apóstolos Pedro, Tiago e João, "em particular, a um alto monte" (Mt 17, 1), para acolher de novo em Cristo, como filhos no Filho, o dom da Graça de Deus: "Este é o Meu Filho muito amado: n’Ele pus todo o Meu enlevo. Escutai-O" (v. 5). É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.

O pedido de Jesus à Samaritana: "Dá-Me de beber" (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia do terceiro domingo, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da "água a jorrar para a vida eterna" (v. 14): é o dom do espírito Santo, que faz dos cristãos "verdadeiros adoradores" capazes de rezar ao Pai "em espírito e verdade" (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, "enquanto não repousar em Deus", segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.

O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: "Tu crês no Filho do Homem?". "Creio, Senhor" (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes. O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz».

Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: "Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?" (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré: "Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo" (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.

O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as promessas batismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela vida que Deus nos comunicou quando renascemos "da água e do Espírito Santo", e reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à acção da Graça para sermos seus discípulos.

3. O nosso imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo através do Sacramento do Baptismo, estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a "terra", que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo. Em Cristo, Deus revelou-se como Amor (cf 1 Jo 4, 7-10). A Cruz de Cristo, a "palavra da Cruz" manifesta o poder salvífico de Deus (cf. 1 Cor 1, 18), que se doa para elevar o homem e dar-lhe a salvação: amor na sua forma mais radical (cf. Enc. Deus caritas est, 12). Através das práticas tradicionais do jejum, da esmola e da oração, expressões do empenho de conversão, a Quaresma educa para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. O Jejum, que pode ter diversas motivações, adquire para o cristão um significado profundamente religioso: tornando mais pobre a nossa mesa aprendemos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação e do amor; suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso "eu", para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos. Para o cristão o jejum nada tem de intimista, mas abre em maior medida para Deus e para as necessidades dos homens, e faz com que o amor a Deus seja também amor ao próximo (cf. Mc 12, 31).

No nosso caminho encontramo-nos perante a tentação do ter, da avidez do dinheiro, que insidia a primazia de Deus na nossa vida. A cupidez da posse provoca violência, prevaricação e morte: por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. Como compreender a bondade paterna de Deus se o coração está cheio de si e dos próprios projectos, com os quais nos iludimos de poder garantir o futuro? A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: "Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos...". "Insensato! Nesta mesma noite, pedir-te-ão a tua alma..." (Lc 12, 19-20). A prática da esmola é uma chamada à primazia de Deus e à atenção para com o próximo, para redescobrir o nosso Pai bom e receber a sua misericórdia.

Em todo o período quaresmal, a Igreja oferece-nos com particular abundância a Palavra de Deus. Meditando-a e interiorizando-a para a viver quotidianamente, aprendemos uma forma preciosa e insubstituível de oração, porque a escuta atenta de Deus, que continua a falar ao nosso coração, alimenta o caminho de fé que iniciámos no dia do Baptismo. A oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de facto, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro. Ao contrário, na oração encontramos tempo para Deus, para conhecer que "as suas palavras não passarão" (cf. Mc 13, 31), para entrar naquela comunhão íntima com Ele "que ninguém nos poderá tirar" (cf. Jo 16, 22) e que nos abre à esperança que não desilude, à vida eterna.

Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é "fazer-se conformes com a morte de Cristo" (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, mediante o encontro pessoal com o nosso Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o caminho de conversão rumo à Páscoa leva-nos a redescobrir o nosso Baptismo. Renovemos nesta Quaresma o acolhimento da Graça que Deus nos concedeu naquele momento, para que ilumine e guie todas as nossas ações. Tudo o que o Sacramento significa e realiza, somos chamados a vivê-lo todos os dias num seguimento de Cristo cada vez mais generoso e autêntico. Neste nosso itinerário, confiemo-nos à Virgem Maria, que gerou o Verbo de Deus na fé e na carne, para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.

Vaticano, 4 de Novembro de 2010

BENEDICTUS PP XVI

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Festa da Cátedra de São Pedro

A liturgia latina celebra hoje (22.02) a festa da cátedra de São Pedro. Trata-se de uma tradição muito antiga, testemunhada em Roma desde os finais do século IV, com a qual se dá graças a Deus pela missão confiada ao apóstolo Pedro e a seus sucessores. A "Cátedra", literalmente, quer dizer a sede fixa do bispo, colocada na igreja mãe de uma diocese, que por este motivo é chamada "catedral", e é o símbolo da autoridade do bispo e, em particular, de seu "magistério", ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos apóstolos, está chamado a custodiar e transmitir à comunidade cristã. Quando o bispo toma posse da Igreja particular que lhe foi confiada, com a mitra e o báculo, senta-se em sua cátedra. Desde essa sede guiará, como mestre e pastor, o caminho dos fiéis, na fé, na esperança e na caridade!
Qual foi, então, a "Cátedra" de São Pedro? Ele, escolhido por Cristo como "rocha" sobre a qual edificar a Igreja (Cf. Mateus 6, 18), começou seu ministério em Jerusalém, depois da Ascensão do Senhor e de Pentecostes. A primeira "sede" da Igreja foi o Cenáculo, e é provável que naquela sala, onde também Maria, a Mãe de Jesus, rezou junto aos discípulos, se reservasse um posto especial a Simão Pedro.
Sucessivamente, a sede de Pedro foi Antioquia, cidade situada no rio Oronte, na Síria, hoje na Turquia, naqueles tempos a terceira cidade do império romano depois de Roma e de Alexandria do Egito. Daquela cidade, evangelizada por Barnabé e Paulo, na qual "pela primeira vez os discípulos receberam o nome de 'cristãos'" (Atos 11, 26), Pedro foi o primeiro bispo. De fato, o Martirológio Romano, antes da reforma do calendário, previa também uma celebração específica da Cátedra de Pedro em Antioquia. Desde ali a Providência levou Pedro a Roma. Portanto, encontramo-nos com o caminho que vai de Jerusalém, Igreja nascente, a Antioquia, primeiro centro da Igreja, que agrupava pagãos, e ainda unida também à Igreja proveniente dos judeus. Depois, Pedro dirigiu-se a Roma, centro do Império, símbolo do "Orbis", a "Urbis" que expressa o "Orbis", a terra, onde concluiu com o martírio sua carreira ao serviço do Evangelho. 
Por este motivo, a sede de Roma, que havia recebido a maior honra, recebeu também a tarefa confiada por Cristo a Pedro de estar ao serviço de todas as Igrejas particulares para a edificação e a unidade de todo o Povo de Deus.

A sede de Roma, depois destas migrações de São Pedro, foi reconhecida como a do sucessor de Pedro, e a "cátedra" de seu bispo representou a do apóstolo encarregado por Cristo de apascentar todo seu rebanho. Testificam isso os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo Santo Irineu, bispo de Lyon, mas que era originário da Ásia Menor, que em seu tratado "Contra as heresias" descreve a Igreja de Roma como a "maior e mais antiga conhecida por todos, (...) fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosos apóstolos Pedro e Paulo", e acrescenta: "Com esta Igreja, por sua exímia superioridade, deve estar em acordo a Igreja universal, ou seja, os fiéis que estão por toda parte" (III, 3, 2-3). Pouco depois, Tertuliano, por sua parte, afirma: "Esta Igreja de Roma é bem-aventurada! Os apóstolos derramaram nela, com seu sangue, toda a doutrina" ("Prescrições contra todas as heresias", 36). A cátedra do bispo de Roma representa, portanto, não só seu serviço à comunidade romana, mas também sua missão de guia de todo o Povo de Deus.
Celebrar a "cátedra" de Pedro, como hoje fazemos, significa, portanto, atribuir a esta um forte significado espiritual e reconhecer nela um sinal privilegiado do amor de Deus, Pastor bom e eterno, que quer reunir toda sua Igreja e guiá-la pelo caminho da salvação. Entre os numerosos testemunhos dos Padres, quero oferecer o de São Jerônimo, tomado de uma carta sua escrita ao bispo de Roma, particularmente interessante porque menciona explicitamente a "cátedra" de Pedro, apresentando-a como porto seguro de verdade e de paz. Assim escreve Jerônimo: "Decidi consultar a cátedra de Pedro, onde se encontra essa fé que a boca de um apóstolo exaltou; venho agora pedir alimento para minha alma ali, onde recebi a veste de Cristo. Não sigo outro primado senão o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com tua beatitude, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja" ("As cartas" I, 15, 1-2).

Texto de Sua Santidade Bento XVI

Formação - Cerimoniários

O Conselho Arquidiocesano dos Servidores do Altar convida a todos os servidores do Altar da Arquidiocese de Belém que exercem a função de cerimoniários em suas paróquias ou comunidades e que já participaram das edições anteriores (2007, 2006 2009) da Escola Arquidiocesana de Cerimoniários para um encontro de formação litúrgica que acontecerá conforme abaixo:
  • Dia: 26 de fevereiro de 2011 (sábado)
  • Horário: 15h
  • Local: Paróquia São Raimundo Nonato - Av. Senador Lemos, 990 - Umarizal (perto da praça Brasil)
Neste encontro serão abordados temas específivos relacionados diretamente com a Função dos Cerimoniários nas Celebrações Litúrgicas. Para maiores informações entrar com contato com os coordenadores de regiões episcopais.
Participem!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Abertura da IV Escola Arquidiocesna de Cerimoniários - 2011

Aconteceu neste fim de semana (19 e 20.02.22) a abertura da IV Escola Arquidiocesana de Cerimoniários, que teve como programação inicial a palestra de abertura proferida pelo Reverendo Padre Wiremberg José Silva (Diretor Espiritual Arquidiocesano dos Servidores do Altar), na qual foi abordado o tema "Mistério Pascal de Cristo".
No domingo (20.02),  houve a palestra com o tema: "Introdução a Liturgia - O que é liturgia?" - ministrada pelo coordenador Arquidiocesano dos Servidores do Altar, Mario Ribeiro, foi realizado ainda um teste para avaliar o grau de conhecimento dos participantes da IV edição da EACE e poder verificar as dificuldades que precisam ser trabalhadas ao longo dos encontros.


Palestra Inaugural (19.02.11 - Sábado):
 Pe. Ronaldo Menezes - Pároco da Paróquia da Santíssima Trindade - acolhendo os Servidores do Altar.


 Pe. Wiremberg Silva (Palestrante)




Benção Final

1º Encontro (20.02.11 -Domingo):
 Mario Ribeiro (Palestrante)



Representantes da Reg. Episcopal São Vicente de Paulo
 Representantes da Reg. Episcopal Santa Cruz
Representantes da Reg. Episcopal São João Batista

Fotos: Wendel Leal

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Programação da Beatificação do Servo de Deus, Papa João Paulo II

O Grande Servo de Deus, João Paulo II com os coroinhas na Praça São Pedro.
A Sala de imprensa da Santa Sé divulgou na manhã de ontem (18.02.11 - sexta-feira) Algumas informações sobre as cerimônias que cercam a beatificação do Servo de Deus João Paulo II, que sem dúvida será um grande acontecimento da Igreja Universal, e foi dividido nos seguintes eventos: 


1 - Vigília de preparação: Será realizada na noite que antecede a Cerimônia de Beatificação (30.04.11). E terá inicio as 20h com os preparativos para a Grande Vigília, e logo em seguida às 21h tem inicio a Grande Vigília que será organizada pela Diocese de Roma.
Nota: A vigília será realizada no Circo Massimo di Roma e será conduzida por Sua Eminência o Cardeal Agostino Vallini, Vigário Geral de Sua Santidade para a Diocese de Roma, e o Papa Bento XVI irá juntar-se espiritualmente através de um link de vídeo. 

2 - A Cerimônia de Beatificação: No 2º Domingo da Páscoa - Domingo da Misericórdia (01.05.11) às 10h 
Nota: A Cerimônia será realizada na Praça de São Pedro, e será presidida pelo Santo Padre o Papa Bento XVI. 

3 - Veneração dos restos mortais do novo Beato: Será exposto no mesmo domingo (01.05.11) após a Cerimônia de Beatificação dentro da Basílica de São Pedro em frente ao altar da Confissão, a urna contendo os restos mortais de João Paulo II para que todos os fiéis possam visitar e fazer suas preces, e ficará exposto ate que o fluxo de fiéis termine. 

4 – Santa Missa de Ação de Graças: Será celebrada no dia seguinte (02.05.11), às 10h30 uma Missa em Ação de Graças pela Beatificação de João Paulo II na Praça de São Pedro, e será presidida pelo Secretário de Estado da Santa Sé Sua Eminência o Cardeal Tarcisio Bertone. 

5 – Deposito dos Restos mortais do novo beato: Os restos mortais de João Paulo II será transladado para a Capela Lateral de São Sebastião, em uma cerimônia privada, e depois poderá ser visitado por todos os fiéis que visitarem a Basílica Vaticana.

Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Voz de Nazaré: Novo bispo anuncia a esperança

O padre africano Teodoro Mendes Tavares, de 47 anos, tem larga experiência pastoral na Amazônia. Preocupado com questões ambientais e dogmáticas, o escolhido por Bento XVI afirma que é preciso cultivar o sentimento de fraternidade na Igreja.
Jovem e com um vasto currículo acadêmico, o novo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém é também o primeiro presbítero africano nomeado para o episcopado em toda a história da Igreja no Brasil. Padre Teodoro Mendes Tavares nasceu em Cabo Verde, onde se fala português, e será sagrado bispo aos 47 anos. Em suas primeiras palavras após o anúncio oficial, o sacerdote destacou a surpresa pela nomeação. “Não estava esperando algo assim, fiquei agraciado e com o sentimento de responsabilidade muito grande. Pela fé e disponibilidade missionária, eu aceito este pedido”, disse.
Segundo padre Teodoro ainda não está definido as suas atividades em Belém, porém, ele chega com uma só intenção: servir. “Estou aqui para servir a Igreja e colaborar com Dom Alberto. Vamos trabalhar juntos e unidos, espero aprender muito com ele e com todos que integram esta família”. 
O novo bispo fala, ainda, sobre seu carinho e respeito pela população amazônica, com a qual conviveu até o ano passado. Ele atuou na prelazia de Tefé, no Amazonas, por 17 anos. “A Amazônia representa muito, pelo território, pelo povo e com a graça de Deus levaremos a missão à frente. Naturalmente que as dificuldades não são poucas, contudo, serão superadas trabalhando juntos. É um povo bom e amigo, é uma graça ter sido missionário nesse local e estou feliz por continuar a missão, agora como bispo”.
Segundo ele, que atualmente mora em Central Falls, nos Estados Unidos, as questões sociais e ecológicas que mais preocupam hoje são o desmatamento da floresta. Já no âmbito litúrgico, ele afirma existir poucos padres para a evangelização. “É preciso mais pessoas dispostas a assumir a missão, mas hoje o número é pequeno para isto”, comenta. 
Ao povo paraense, padre Teodoro diz: “A mensagem que eu deixo para todos é amiga e de um irmão, porque o bispo é chamado a ser um pai e um pastor de seu rebanho, mas também um amigo. Deixo também minha saudação fraterna e calorosa a todos, e também àqueles que não comungam com a nossa fé. Uma mensagem de esperança e confiança de que juntos iremos realizar a missão que o senhor nos confia, e estou feliz por fazer parte desta família arquidiocesana, e peço a bênção de Deus para todos e as orações de vocês para que eu possa realizar bem o trabalho. E que Deus abençoe copiosamente todos que nos acompanham e estão firmes na missão”.

Sagração e Posse:
A sagração episcopal será no dia 8 de maio, em Cabo Verde, terra natal de padre Teodoro Tavares. O pedido para a celebração no país foi feito por ele. O Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, já confirmou presença.
A posse em Belém está marcada para o dia de Corpus Christi, 23 de junho. Nesse período de cerca de três meses, a partir da data de nomeação, o novo bispo auxiliar se prepara para se desligar das atividades pastorais. Padre Teodoro, há poucos meses, está radicado no instituto Immaculate Heart of Mary Rectory, no Estado de Rhode Island, Estados Unidos.


Fonte: Voz de Nazaré

Especial: Fotos Antigas de nossas Igrejas III

Igreja de Nazaré - Basílica III

Altar-Mór, atente para os púlpitos hoje retirados


Nave da Igreja - Meados do séc. XX

Catedral Metropolitana III

Nave tomada do coro
Altar-Mór
Igreja da Trindade

Atente para a deterioração da Igreja - Início do séc. XX
Igreja das Mercês I



Igreja de Santana da Campina
Fontes:

Edição F. A . Fidanza. Albúm de Belém-Pará, 1902.
Albúm Vistas de Belém, 1900.
Álbum Belém da Saudade. 2ª ed. Belém: Secult, 1998
Arquivo Pessoal
Coleção Digital de Fotografias do IBGE

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Igreja de Belém está em festa pela nomeação do seu Bispo Auxiliar


O Santo Padre o Papa Bento XVI, acolhendo a solicitação de Dom Alberto Taveira feita em junho de 2010, nomeou na manhã desta quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011, o Rev. Mons. Teodoro Mendes Tavares, C.S.Sp. (Titular da Igreja de Verbe - Pamfília, sufragânea da Arquidiocese de Perge) como Bispo Auxiliar para a Arquidiocese de Belém.

Foto: Portal ORM
O Reverendo Mons. Teodoro Mendes Tavares, C.S.Sp. (Congregatio Sancti Spiritus sub tutela Immaculati Cordis Beatissimae Virginis Mariae - Congregação do Espírito Santo sob a proteção do Coração Imaculado de Maria, e assim resumida C.S.Sp. ) nasceu no dia 7 de janeiro de 1964, em São Miguel Arcanjo - Ilha de Santiago (Cabo Verde). Ele professou seus votos como membro da Congregação dos Padres Espiritanos no dia 8 de setembro de 1986 e foi ordenado sacerdote em 11 de julho de 1993.

Mons. Teodoro estudou filosofia no Instituto Superior de Teologia, em Braga - Portugal (1986-1987) e teologia na Universidade Católica Portuguesa, Lisboa (1988-1993). Em seguida, ele obteve uma licenciatura em ecumenismo, no Trinity College, Dublin, Irlanda (1994). Ele também freqüentou um curso de língua francesa, na Alliance Française.

No decurso do seu ministério sacerdotal ocupou os seguintes cargos: Vigário Geral e Pároco em Alvarães, Carauari Uarini, na Prelazia de Tefé, Amazonas (1995-1998); Vigário Geral da Prelazia de Tefé (desde 2000); pároco da paróquia Bom Jesus, em Tefé; Chefe do Centro de Educação Profissional Tefé (desde 1999); Superior Maior dos Espiritanos Distrito da Amazônia (2003 até o presente); Delegado ao Capítulo XIX da Congregação Geral, em Cascais, Portugal (2004).

A Igreja de Belém está em festa, certa de que Deus escolheu um homem de fé para auxiliar Dom Alberto Taveira no governo arquidiocesano. Peçamos que Santa Maria de Belém derrame graças abundantes sobre esse novo cooperador da Igreja particular de Belém.

Conhecendo os grupos paroquiais

Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus
Região Episcopal: São Vicente de Paulo
Data de Criação: 30 / 09 / 1994
Endereço: Rua Fortaleza - nº 117 - Bairro: Águas Lindas - Ananindeua
Pároco: Francisco Monteiro Ferreira (Vulgo Padre Red)




O Grupo
O grupo de servidores do altar da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus foi criado no dia 24 de abril de 1999, pelo então seminarista Glaudemir, no período em que fez seu estágio pastoral na sobre dita Paróquia, e hoje mais estruturado conta com a atual coordenação:
Coordenador: Marcos Rodrigo 
Vice-coordenador: Vinicius Rafael 
Secretária: Claudia Brasil





Todo 1º sábado de cada mês é realizada pela parte da manhã um encontro de formação com todos grupos de Servidores do Altar (Matriz e Comunidades), e no 3° sábado de cada mês é  realizado um encontro com todos os coordenadores tanto da matriz como das comunidades, para a troca de experiências e planejamento. O Grupo da Matriz se reúne ordinariamente todos os sábado às 15h no salão paroquial.



Enviado por: Marcos Rodrigo

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre a Igreja - Ritos: Orientais e Ocidentais

Divisão dos Ritos

1. Ritos Orientais

2. Ritos Ocidentais

AS LITURGIAS ORIENTAIS

As Liturgias orientais podem-se reduzir a dois grupos, que tomam sua denominação dos centros principais: Jerusalém e Alexandria.

I. O primeiro é o grupo da Liturgia de Jerusalém.

1. A Liturgia chamada de S. Tiago. É, sem dúvida, fundamentalmente obra do primeiro bispo de Jerusalém. Pode ser considerada tipo das Liturgias orientais. (Kössing Kaulen, s. v. Kirchenlexikon.)

2. A Liturgia antioquena. Conhecemo-la só por algumas observações de S. João Crisóstomo. Antioquena é também a Liturgia clementina conservada no livro 8° das "Constituições apostólicas", que são, quanto à redação, obra de teólogo antioqueno feita cerca de 380. Esta desapareceu.

3. A Liturgia jacobítica. Em versão siríaca está em uso nas igrejas dos monofisitas chamados jacobitas, conforme o nome do autor do cisma, Jacó Baradai (+ 578). Contam-se perto de 50 "Liturgias" de menos importância criadas por eles. A Liturgia normal é permitida aos "unidos" com Roma.

4. A Liturgia dos maronitas traz o nome de S. Marão (+ cerca de 423). Tem muitos elementos da Igreja romana: é em língua siríaca antiga.

5. A Liturgia armênia, com elementos gregos e mesmo romanos, introduzidos na época das cruzadas.

6. A Liturgia nestoriana, em Curdistão, na Pérsia, em língua siríaca.

7. A Liturgia caldéia, i. é, o rito dos nestorianos unidos no século 16 com Roma, na Síria, Pérsia, Iraque; tem elementos romanos.

8. A Liturgia siro-malabárica, igual à Liturgia nestoriana. A Liturgia dos "unidos" tem elementos romanos.

9. A Liturgia bizantina, semelhante na sua ordem à de S. Tiago (Kóssing, Kaulen no Kirchenlexikon, s. v. Liturgie), usa três fórmulas atribuídas a três santos: uma a S. Gregório Magno, outra, breve e mais antiga, a S. João Crisóstomo, a última a S. Basílio, mais extensa e modificada por este santo. Estas duas últimas existem em língua grega entre os gregos, entre os russos em russo, entre os sérvios, rutenos e búlgaros em eslavo antigo, entre os geórgios em geórgio, entre os romenos em romeno.

Além da Liturgia bizantina, também a romana foi traduzida em eslavo antigo por S. Cirilo e está ainda em uso. Em algumas dioceses é permitido escrever os livros litúrgicos, sem mudar o texto, em, glagólico, forma antiga e por isso muito estimada das letras eslavas. Na última edição do missal eslavo (1927) só o cânon é impresso em letras glagolíticas, o resto do missal em letras latinas:

Como se vê, a Liturgia bizantina conquistou grande parte do Oriente. Outrora em vigor na Itália meridional e Sicília, hoje está restringida a poucas dioceses.

II. O segundo grupo é o de Alexandria, no Egito.

1. A Liturgia egípcia, atribuída a S. Marcos, fundador da Igreja de Alexandria; é em língua grega. Desapareceu debaixo da influência do patriarcado de Constantinopla. A única em vigor desde então foi a bizantina. A antiga Liturgia de S. Marcos ainda é usada sob o nome de Liturgia de S. Cirilo, traduzida para várias línguas, inclusive a arábica (Melchitas) .

2. A Liturgia cóptica é de S. Cirilo (= S. Marcos) em língua saídica e boáirica, dois dialetos da língua egípcia.

3. A Liturgia etiópica é o monumento mais antigo de Liturgia fixa. Foi escrita no III século com o nome de apostoliké parádosis (tradição apostólica) e é atribuída a S. Hipólito. Estava muito espalhada no Oriente, mas conservou-se só em versão cóptica, e é usada na Etiópia na língua antiga geez sob o nome de "Liturgia dos santos apóstolos"; é a Liturgia normal, ao lado da qual existem cerca de 10 outras.

AS LITURGIAS OCIDENTAIS

As Liturgias ocidentais usam a língua latina. Somente algumas dioceses da Iugoslávia têm a Liturgia romana em versão eslávica antiga, impressa com letra especial, a glagolítica.

A respeito da origem das Liturgias ocidentais escreve o papa Inocêncio I (+ 419) numa carta: "É manifesto que ninguém em toda a Itália, Gália, Espanha, África e ilhas adjacentes fundou igrejas, senão as que o apóstolo Pedro ou seus sucessores estabeleceram como bispos. Daí se segue que estes têm de guardar o que guarda a Igreja romana, da qual, sem dúvida, tiram sua origem." (Eisenhofer, p. 31-39; Gatterer. Ann. lit. p. 31.)

1. A Liturgia galicana, hoje fora de uso, estava muito espalhada antes de Carlos Magno. Chama-se galicana por Causa de seu emprego geral na França (Gália). Assemelha-se em vários pontos às Liturgias orientais; na sua essência, porém, parece rito romano. Os elementos gregos explicam-se mormente pela influência da Liturgia de Milão. Foi abolida por Carlos Magno.

Conforme relata Durandus (V, c. 2, n. 5), coagiu todos os clérigos com ameaças e suplícios a observar a Liturgia gregoriana (romana) e a queimar os livros da Liturgia ambrosiana (galicana). Razão principal teria sido que a Liturgia ambrosiana instituía muitas coisas segundo o rito grego. O papa Adriano I ordenou que a Liturgia romana fosse observada por toda parte. Esta notícia corresponde à situação política. Tanto o papa como Carlos Magno queriam diminuir a influência grega no Ocidente. Por isso Carlos exigia que os sacerdotes fossem examinados, para ver se sabiam de cor e entendiam as orações da missa segundo o missal romano. (Conc. Aq. 802; Hefele K. G_ Ill, p. 744.)

2. A Liturgia ambrosiana, denominada de S. Ambrósio, bispo de Milão, parece também de origem romana com elementos gregos. Estes se explicam pela presença e influência dos gregos em Milão; foi esta cidade por algum tempo residência imperial e sé de um bispo ariano, Auxêncio, natural da Capadócia (séc. IV).

Eugênio IV mandou ao cardeal Branda de Castiglione que introduzisse em Milão a Liturgia romana. Mas o povo, muito apegado a seu rito costumado, exasperou-se tanto que o cardeal viu-se obrigado a fugir às pressas. Ainda é vigente na diocese, de Milão e nalgumas dúzias de paróquias das dioceses de Bergamo, Novara, e do Cantão Ticino (Suíça).

3. A Liturgia mocarábica tem o seu nome dos moçárabes (assim se chamaram os cristãos debaixo do domínio dos árabes na Espanha). A sua Liturgia estava em vigor no reino dos visigodos. Está infiltrada de elementos galicanos.

Temendo os papas pela pureza e união da doutrina católica, procuraram introduzir o rito romano. Grande foi a resistência. Gregório VII, auxiliado pelos príncipes dos reinos cristãos, conseguiu vencê-la. O rito romano foi admitido com grande pompa pela primeira vez no convento de S. João de La Pena, no dia 20 de março de 1071, na presença do legado pontifício Hugo Cândido, do rei D. Sancho Ramirez, dos bispos e de toda a corte. A Liturgia moçarábica conservou-se somente no reino arábico de Granada. Com a conquista desta cidade parecia extinta. Mas o cardeal Ximenes mandou imprimir um missal e um breviário moçárabe e fundou um colégio de sacerdotes encarregados de celebrar numa capela da catedral de Toledo missa e ofício em rito moçárabe. Fundação semelhante foi feita por Rodrigo de Talavera na catedral de Salamanca. Em Toledo existem ainda duas paróquias moçárabes: a das Ss. Justa e Rufina e a de S. Marcos.

Algumas outras Liturgias conhecemos só em fragmentos, ex., a céltica na Gália, a africana na África do Norte.

A LITURGIA ROMANA

Como o rito romano, essencialmente, foi sempre o mesmo, assim o rito de todo o Ocidente foi, essencialmente, como parece, sempre o romano. No desenvolvimento do rito romano podemos distinguir várias épocas de duração aproximada. Esta sistematização não pretende marcar uma interrupção do processo historicamente contínuo, mas facilitar a sua compreensão.

I. A Liturgia romana meio fixa e meio improvisada (c. 100-400). Dos primeiros séculos não possuímos nenhum livro litúrgico do rito romano. A chamada "Tradição apostólica" exarada, como se afirma, em Roma por S. Hipólito, no tempo do papa Calisto (217-222), existe, como foi dito, na versão cóptica. É, porém, incerto, se representa o texto oficial da Igreja romana. Mas pode-se supor que, ao menos, não se afasta muito dela; do contrário teria ofendido os seus partidários.

Este rito é brevíssimo. Principia pelo Sursum corda com prefácio, segue-se uma oração de ação de graças pela redenção (eucaristia), consagração, Unde et memores, epiclese, comunhão. O resto do serviço divino estava entregue ao arbítrio do bispo, contanto que não deixasse a explicação da sagrada escritura, a oração pelas várias classes dos fiéis, a devida preparação da matéria para o sacrifício.

S. Justino mártir (+ 167) diz que o bispo agradece o dom eucarístico "ainda por bastante tempo, na medida da sua força." (Eisenhofer, p. 58. 1. Apol. c. 65, c. 67.) Liturgias semelhantes existiam no século IV, em Antioquia na Síria, "As Constituições Apostólicas" 1. 8; no Egito o eucológio (missal) do santo abade Serapião de Tmuis (+ c. 360).

II. A Liturgia romana toda fixa (c. 400-700). É a época dos sacramentários. O sacramentário era livro litúrgico, usado até ao século 13, que continha principalmente o cânon e as orações mutáveis do ofício; para as lições e cantos era necessário outro livro.

1. O primeiro é o sacramentário leonino, em grande parte obra do papa Leão I (440-461). 175 textos desta coleção litúrgica ainda se acham em nosso missal; falta, porém, o cânon.

2. O gelasiano, na opinião dos célebres liturgistas Tomluasi e Muratori, foi redigido no séc. V, provavelmente pelo papa Gelásio (492-496) mesmo.

3. O gregoriano, que é a base do nosso missal romano moderno. S. Gregório Magno (+ 604) compôs um sacramentário, que, porém, se perdeu; o exemplar completo mais antigo é do ano 812. Aboliu a multiplicidade de ofícios, prescreveu, em lugar das duas, só uma oração cada dia, reduziu os 54 prefácios do gelasiano a 10 e acrescentou alguns ofícios. Destes sacramentários se segue que a Liturgia da missa, ao menos desde o século VII, tem sido sempre, com poucas exceções, a mesma.

III. A Liturgia romana generalizada (c. 700-1500). O papa S. Gregório mandou em 597 para a Inglaterra o monge beneditino S. Agostinho com 40 companheiros. Implantaram a Liturgia romana naqueles reinos, impedindo a propagação da Liturgia céltica, trazida pelos monges irlandeses (Coelho, I, 224).

Da Inglaterra a Liturgia romana passa com os missionários ingleses, S. Vilibrordo e outros, para a Frísia; com S. Ansgário, para a Dinamarca e Suécia, com S. Bonifácio, para a Alemanha e o país dos francos, onde, protegida por Pepino e Carlos Magno, suplantou a Liturgia galicana, aceitando, porém, alguns elementos galicanos. Esta Liturgia da corte tornou-se geral em todos os países do reino dos francos e também em Roma. Nos reinos da península ibérica, a Liturgia romana foi propagada mormente pelos beneditinos de Cluni, que contribuíram para a supressão da Liturgia moçárabe.

IV. A Liturgia romana única (desde 1500). Os sacramentários só continham as fórmulas para a missa solene. As missas privadas, muitas vezes, particularmente no concílio de Treves (1310), proibidas, generalizaram-se; novas festas foram introduzidas e os papas deixaram liberdade nas matérias não contidas no sacramentário romano. Assim, pouco a pouco se formou grande diferença na Liturgia de vários países e dioceses.

Ao concílio de Trento foram dirigidos pedidos no sentido de reformar também a Liturgia e reduzi-la à unidade. Em conseqüência disso o papa Pio V publicou o novo breviário (1568) e o novo missal (1570) para toda a Igreja. Sisto V (1588) instituiu a Congregação dos Ritos, encarregada de fiscalizar e desenvolver o rito romano, de maneira que novos abusos não se pudessem arraigar tão facilmente. As (c. 80) dioceses da França que tinham abandonado a reforma piana e editado livros litúrgicos próprios, no século XIX adotaram a reforma de Pio V. Existe, assim, unidade na Igreja romana.

V. Reforma de Pio X. Este papa introduziu o antigo costume de recitar no breviário, cada semana, todo o saltério, sem tornar o ofício mais comprido e sem diminuir o culto dos santos. (Edição de 1914.) No missal, os domingos, e principalmente as férias maiores da quaresma, ocuparam uma posição mais própria, para favorecer o espírito do ano eclesiástico. (Edição típica de 1920.)

Liturgias romanas antepianas. Pio V tinha abolido só os missais e os breviários que não tinham em seu favor aprovação pontifícia ou costume superior a 200 anos. Por isso conservaram-se algumas Liturgias antigas no Ocidente:

1. O rito monástico dos beneditinos e das ordens da mesma regra.

2. O rito cisterciense dos monges de Cister, reformados pelo abade Cláudio Vaussin em 1641; é bastante diferente do rito romano.

3. O rito carmelitano ou hierosolimitano, empregado pelos carmelitas observantes.

4. O rito dominicano, muito semelhante ao carmelitano; é próprio dos dominicanos.

5. O rito cartusiano, que não difere muito do romano; é próprio dos cartuxos.

6. O rito premonstratense, próprio dos cônegos regulares premonstratenses.

7. O rito da diocese de Braga, próprio da arquidiocese de Braga, em Portugal.

8. O rito da diocese de Lião, na França; é quase todo romano. Todos estes ritos têm missal próprio, breviário próprio, ritual e cerimonial, com exceção do rito monástico, que tem só breviário próprio, e do rito de Lião, que tem só missal próprio. (Piacenza, Liturg., p. 10.)

A Liturgia ambrosiana e a moçárabica já foram mencionadas.

Fonte: REUS, João Batista. Curso de Liturgia. Editora Vozes: Rio de Janeiro, 1944.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A nobre simplicidade das vestimentas litúrgicas

Por: Padre Uwe Michael Lang, C.O.* 

Padre Uwe Michael Lang
A tradição bíblica aclama Deus como "o próprio autor da beleza" (Sb 13,3), glorificando-o pela grandeza e pela beleza das obras da criação. O pensamento cristão, com base sobretudo na Sagrada Escritura, mas também a filosofia clássica como auxiliar, desenvolveram o conceito de beleza como uma categoria teológica.
Este ensinamento ressoa na homilia do Papa Bento XVI na Missa de dedicação da igreja da Sagrada Família, em Barcelona (7 de novembro de 2010): "A beleza é também reveladora Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convida à liberdade e arranca do egoísmo". A beleza divina manifesta-se de forma totalmente particular na liturgia sagrada, também através das coisas materiais das quais o homem, feito de alma e corpo, tem necessidade para alcançar as realidades espirituais: o edifício de culto, os ornamentos, paramentos, imagens, música, a própria dignidade das cerimônias.
A propósito disso, deve ser lido o quinto capítulo sobre "A dignidade da celebração litúrgica", na última encíclica do Papa João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), que afirma que o próprio Cristo quis um ambiente digno para a Última Ceia, pedindo aos discípulos que a preparassem na casa de um amigo que tinha uma "sala grande e disposta" (Lc 22, 12; cf. Mc 14, 15). A encíclica recorda também a unctio de Betânia, um acontecimento significativo que precedeu a instituição da Eucaristia (cf. Mt 26; Mc 14, Jo 12). Frente ao protesto de Judas, de que a unção com o óleo precioso era um "desperdício" inaceitável, tendo em conta as necessidades dos pobres, Jesus, sem diminuir a obrigação de caridade concreta para com os necessitados, declara seu grande apreço pelo ato da mulher, porque a sua unção antecipa "essa honra de que seu corpo permanecerá digno, mesmo depois da morte, indissoluvelmente ligado ao mistério da sua Pessoa" (Ecclesia de Eucharistia, n. 47). João Paulo II conclui que a Igreja, como a mulher de Betânia, "não temeu ‘desperdiçar', investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu estupor de adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia" (ibid., n. 48). A liturgia exige o melhor das nossas possibilidades, para glorificar Deus Criador e Redentor.
No fundo, o cuidado atento das igrejas e da liturgia deve ser uma expressão de amor ao Senhor. Mesmo em um lugar onde a Igreja não tem grandes recursos materiais, não podemos negligenciar este dever. Já um Papa importante do século XVIII, Bento XIV (1740-1758), em sua encíclica Annus qui (19 de fevereiro de 1749), dedicada principalmente à música sacra, pediu ao seu clero que as igrejas fossem bem conservadas e equipadas com todos os objetos sagrados necessários para a digna celebração da liturgia: "Ressaltamos que não falamos da suntuosidade e da magnificência dos templos sagrados, nem da preciosidade dos ornamentos sagrados, sabendo que nós também não podemos tê-los em todo lugar. Falamos da decência e da limpeza que ninguém está autorizado a negligenciar, sendo a decência e a limpeza compatíveis com a pobreza".
A constituição sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II, pronunciou-se de forma semelhante: "Ao promover e incentivar uma arte verdadeiramente sagrada, busquem mais uma nobre beleza do que o mero luxo. Isso tem que ser aplicado também às vestes sagradas e ornamentos" (Sacrosanctum Concilium, n. 124). Esta passagem se refere ao conceito da "nobre simplicidade", introduzido pela Constituição no n. 34. Este conceito parece originário do arqueólogo e historiador de arte Johann Joachim Winckelmann, alemão (1717-1768), segundo o qual a escultura grega clássica foi caracterizada pela "nobre simplicidade e serena grandeza". No início do século XX, o conhecido liturgista inglês Edmund Bishop (1846-1917) descreveu o "gênio do rito romano" como distinguido pela simplicidade, sobriedade e dignidade (cf. E. Bishop, Liturgica Historica, Clarendon Press, Oxford 1918, pp. 1-19). A esta descrição não falta mérito, mas é preciso estar atentos à sua interpretação: o rito romano é "simples" em comparação com outros ritos históricos, como os orientais, que se distinguem por sua grande complexidade e suntuosidade. Mas a "nobre simplicidade" do rito romano não deve ser confundida com uma mal-entendida "pobreza litúrgica" e com o intelectualismo, que podem levar à ruína a cerimônia, fundamento do culto divino (cf. a contribuição fundamental de São Tomás de Aquino na Summa Theologiae III, q. 64, a. 2; q. 66, a 10; q. 83, a.4).
A partir destas considerações, é evidente que as vestes sagradas devem contribuir "para o decoro da ação sagrada" (Instrução Geral do Missal Romano, n. 335), especialmente "na forma e no material utilizado", mas também, embora de forma mesurada, nos ornamentos (ibid., n. 344). O uso das vestimentas litúrgicas expressa a hermenêutica da continuidade, sem excluir nenhum estilo histórico particular. Bento XVI apresenta um modelo em suas celebrações, quando usa tanto vestes de estilo moderno como, em alguma ocasião solene, as "clássicas", também usadas por seus antecessores. Isto segue o exemplo do escriba, convertido em discípulo do reino dos céus, comparado por Jesus com um chefe de família que tira do seu tesouro nova et vetera (Mt 13,52).

* O Reverendo Padre Uwe Michael Lang é consultor do Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

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O artigo acima foi publicado na edição portuguesa da agência Zenit (13.02.11)
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